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16 de abril de 2003
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SOCIEDADE

O fim de uma tradição

O Externato de São Patrício
fecha as portas

Sofia Cerqueira

André Nazareth/Strana
O casarão onde funcionava o Externato de São Patrício já está à venda

Tradição era com eles. Por suas salas passaram alguns dos sobrenomes mais influentes da alta sociedade carioca. Durante décadas, era de praxe as meninas bem-nascidas fazerem o ensino fundamental ali. Desde o início deste ano letivo, porém, o casarão em estilo colonial português na Rua Visconde Silva, em Botafogo, está à venda. O Externato de São Patrício, fundado em 1951, fechou as portas em dezembro. "Tenho orgulho de ter preservado o ensino como eu e minha tia acreditávamos até o fim. Além do conteúdo didático, primávamos por ensinar normas de boa educação", diz a diretora Ana Dutra Ribeiro, sobrinha da fundadora, Mariazinha Dutra, que morreu em 1981. "Manter a escola ficou impossível." A inadimplência, superior a 30%, e a evasão de alunos – a escola, que chegou a ter 700 matriculados, registrou 130 no ano passado – estão entre os principais motivos do fechamento. Também é fato que o pequeno espaço físico da escola e a preferência pelas instituições bilíngües, hoje opção de boa parte da alta sociedade, contribuíram. "Tenho grandes recordações de lá. Era uma escola onde a diretora conhecia cada aluno e sabia a sua história", lembra Patrícia Leal, 41 anos, que estudou ali por seis anos.

Arquivo pessoal
André Nazareth/Strana
Patrícia Leal: parte do primário e todo o ginásio feitos no colégio, um dos mais tradicionais

Pouco mudou na escola ao longo do tempo. O mesmo uniforme era mantido desde a fundação: da 1ª à 4ª séries, um vestido azul-claro, com blusa branca por baixo e meia três-quartos. Depois, saia cinza pregueada e camisa branca. "Liderei uma revolução pelo jeans. Combinei com outras alunas de vestir a calça por baixo da saia, e foi uma confusão", conta Jacqueline de Botton, 31 anos, que estudou no colégio por dez anos. O jeans acabou liberado. Em 1983, a escola tornou-se mista – antes os meninos só eram aceitos até a 4ª série. "Chorei com o fechamento. Aprendi o sentido da amizade ali", diz a ex-aluna Maria Geyer, 42 anos. A empresária Kati Almeida Braga também guarda boas lembranças. "Era a casa da gente. Às vezes eu chegava descabelada e a própria diretora penteava o meu cabelo", recorda. "Durante um bom período, foi a escola mais tradicional do Rio", observa Cecília Magalhães Lins, 38 anos. Pelo São Patrício passaram sobrenomes como Mayrink Veiga, Monteiro de Carvalho, Kubitschek, Severiano Ribeiro, Klabin, entre outros. "Ainda não comuniquei oficialmente o fechamento ao Conselho de Ensino. Tenho esperança de que alguém invista na escola", afirma a diretora. Segundo o Sindicato das Escolas Particulares, além do São Patrício, fecharam as portas neste ano na Zona Sul o ADN, em Botafogo, e o São Domingos, no Leme.

         
     
 
 
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