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SOCIEDADE
O
fim de uma tradição
O
Externato de São Patrício
fecha as portas
Sofia
Cerqueira
André Nazareth/Strana
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| O
casarão onde funcionava o Externato de São Patrício já está
à venda |
Tradição
era com eles. Por suas salas passaram alguns dos sobrenomes mais
influentes da alta sociedade carioca. Durante décadas, era
de praxe as meninas bem-nascidas fazerem o ensino fundamental ali.
Desde o início deste ano letivo, porém, o casarão
em estilo colonial português na Rua Visconde Silva, em Botafogo,
está à venda. O Externato de São Patrício,
fundado em 1951, fechou as portas em dezembro. "Tenho orgulho de
ter preservado o ensino como eu e minha tia acreditávamos
até o fim. Além do conteúdo didático,
primávamos por ensinar normas de boa educação",
diz a diretora Ana Dutra Ribeiro, sobrinha da fundadora, Mariazinha
Dutra, que morreu em 1981. "Manter a escola ficou impossível."
A inadimplência, superior a 30%, e a evasão de alunos
a escola, que chegou a ter 700 matriculados, registrou 130
no ano passado estão entre os principais motivos do
fechamento. Também é fato que o pequeno espaço
físico da escola e a preferência pelas instituições
bilíngües, hoje opção de boa parte da
alta sociedade, contribuíram. "Tenho grandes recordações
de lá. Era uma escola onde a diretora conhecia cada aluno
e sabia a sua história", lembra Patrícia Leal, 41
anos, que estudou ali por seis anos.
Arquivo pessoal
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André Nazareth/Strana
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| Patrícia
Leal: parte do primário e todo o ginásio feitos no colégio,
um dos mais tradicionais |
Pouco
mudou na escola ao longo do tempo. O mesmo uniforme era mantido
desde a fundação: da 1ª à 4ª séries,
um vestido azul-claro, com blusa branca por baixo e meia três-quartos.
Depois, saia cinza pregueada e camisa branca. "Liderei uma revolução
pelo jeans. Combinei com outras alunas de vestir a calça
por baixo da saia, e foi uma confusão", conta Jacqueline
de Botton, 31 anos, que estudou no colégio por dez anos.
O jeans acabou liberado. Em 1983, a escola tornou-se mista
antes os meninos só eram aceitos até a 4ª série.
"Chorei com o fechamento. Aprendi o sentido da amizade ali", diz
a ex-aluna Maria Geyer, 42 anos. A empresária Kati Almeida
Braga também guarda boas lembranças. "Era a casa da
gente. Às vezes eu chegava descabelada e a própria
diretora penteava o meu cabelo", recorda. "Durante um bom período,
foi a escola mais tradicional do Rio", observa Cecília Magalhães
Lins, 38 anos. Pelo São Patrício passaram sobrenomes
como Mayrink Veiga, Monteiro de Carvalho, Kubitschek, Severiano
Ribeiro, Klabin, entre outros. "Ainda não comuniquei oficialmente
o fechamento ao Conselho de Ensino. Tenho esperança de que
alguém invista na escola", afirma a diretora. Segundo o Sindicato
das Escolas Particulares, além do São Patrício,
fecharam as portas neste ano na Zona Sul o ADN, em Botafogo, e o
São Domingos, no Leme.
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