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15 de setembro de 2004
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MÚSICA

Escolas de rock

Saraus e sites popularizam safra de bandas

Fabio Brisolla

As histórias se parecem. Os músicos são ex-alunos de escolas particulares da Zona Sul carioca que decidem montar uma banda de rock. E o que poderia ficar restrito a ensaios de garagem acaba ganhando corpo. Com surpreendente divulgação via fotologs, sites e blogs, uma nova safra de bandas cresceu e apareceu com o empurrão da internet. Nomes como Dibob, Emo, Hill Valleys e For Fun conquistam os adolescentes cariocas e se arriscam em vôos maiores. Na quinta-feira (16), o Dibob alcança a glória e debuta no Canecão. A formação do grupo é bem representativa dessa nova geração de roqueiros. Dois amigos se inscreveram em um concurso de bandas e, a partir daí, fizeram uma música. Faltavam baixista e baterista e também um nome para a banda. "Pensei em alguma coisa de bobeira. Aí botamos dibob", lembra o guitarrista e vocalista André Fialho, 21 anos, o Dedeco. A curta trajetória do grupo tem seu carro-chefe. A música 1 a 0 Eu saltou dos saraus em pátios escolares e virou hit nas FMs.

O gênero musical dessa jovem guarda é próximo do hardcore melódico. As letras falam de namoros e relatam casos curiosos da rotina de seus autores, sempre de forma bem-humorada. Seu Namorado É um Bundão é um hit do quarteto For Fun. Há canções românticas, como Seu Retrato, da Emo, e Se Eu Me Apaixonar, da Hill Valleys. O Dibob critica namorados submissos em Pau Mandado. "O hardcore melódico é uma febre. É o gênero que a molecada curte", opina Carlos Eduardo Miranda, diretor da Trama Virtual, site da gravadora Trama, referência para as bandas independentes, com mais de 15.000 músicas para download. "Divulgação para banda independente é internet", diz o baterista da Hill Valleys, Rogério Boechat, 26 anos. A propaganda surte efeito. A Emo assinou contrato com a EMI e o Dibob está na BMG. Confira as histórias dos quatro grupos.

 

Dibob
Fotos André Nazareth/Strana
Em alta: Dibob chega ao Canecão

A trajetória da banda começou na praia. Os quatro integrantes do Dibob jogaram uns tapumes na areia do Posto 12, no Leblon. Com uma extensão, ligaram amplificadores e instrumentos na tomada do quiosque mais próximo. "Eu botava meia no microfone para não levar choque", lembra o vocalista e baixista Felipe Campos, o Gesta, 23 anos. O improvisado show arrancou aplausos de devotados amigos do quarteto, alguns deles homenageados nas letras. Os colegas de escola tiveram papel importante na divulgação. O Dibob tocou nos saraus do Teresiano, Santo Inácio, São Vicente de Paulo e Escola Britânica. Em dezembro de 2003, pouco mais de um ano depois da formação da banda, a BMG atentou para a popularidade dos garotos e fechou contrato. Há duas semanas, eles se apresentaram mais uma vez na praia. "Abrimos o show dos Titãs em Copacabana. Foi sensacional! E dessa vez não tomei choque", brinca Gesta.

 

For Fun
Rede: a internet ajudou o grupo

O primeiro CD demo do For Fun teve seis músicas e tiragem de 400 cópias. A produção foi artesanal, com os discos feitos um a um em computador. O quarteto virou noites e noites recortando adesivos para colar nos CDs. Astros nos saraus colegiais, os rapazes ainda confeccionam camisetas com o logo da banda para vender nos shows, junto com os discos. E atualizam com freqüência o fotolog da banda. O trabalho tem suas compensações. Como as conquistas amorosas. "Ficou mais fácil. Não preciso me desgastar tanto", brinca o guitarrista Vitor Isensee, 21 anos, no estilo irônico da turma. "Falamos sobre coisas que acontecem em nossa vida", diz o vocalista e baixista Rodrigo Costa, 24 anos, o Digo. São músicas como Seu Namorado É um Bundão e Garota de Floral.

 

Emo
O grupo: visual comportado

No lançamento do CD Melhores Dias, um show para convidados foi organizado no estúdio da EMI. Na platéia, fãs selecionados no fotolog do grupo. Uma mãe, no entanto, hesitou em deixar a filha adolescente ao chegar à gravadora. "Fui lá e conversei com ela, que sentiu confiança em mim. Banda de rock não precisa mais ter aquele visual de drogado", diz o baterista Daniel Ferro, 25 anos, um bem articulado bacharel em jornalismo formado pela PUC, com visual comportado. "Já tirei fotos com as mães", acrescenta o guitarrista Marcelo Guimarães, 25 anos. Mas os fãs costumam ser mesmo os filhos adolescentes, muitos conquistados nas apresentações em escolas. "A cultura em torno do sarau impressiona. É uma excelente forma de divulgação", diz Daniel. A Emo, cujo nome se refere a uma música da banda Blink, foi formada há seis anos. Com a repercussão alcançada nos shows e na internet, fechou contrato com a EMI.

 

Hill Valleys
O quinteto: sucesso recente

O nome foi escolhido na véspera do primeiro show, em 1998. É uma referência ao bairro onde morava o personagem de Michael J. Fox em De Volta para o Futuro. "Era um filme-pipoca de que todos nós gostávamos. Achamos um bom nome", diz o cantor Tiago Lins, 25 anos, conhecido como Lins Valley. A internet foi decisiva para o futuro da banda. No início do mês passado, Lins enviou a música Como Vai? ao site da Trama. "Três semanas depois nos apresentamos em São Paulo e o público já sabia a letra de cor", diz o baixista Melvin Ribeiro, 26 anos, ex-aluno do Santo Agostinho. O grupo também criou um fotolog para atrair fãs. "A garotada se identifica com as letras e repassa para os blogs", conta Melvin.

     
   

 

 
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