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MÚSICA
Escolas de
rock Saraus
e sites popularizam safra de bandas
Fabio Brisolla As
histórias se parecem. Os músicos são ex-alunos de escolas
particulares da Zona Sul carioca que decidem montar uma banda de rock. E o que
poderia ficar restrito a ensaios de garagem acaba ganhando corpo. Com surpreendente
divulgação via fotologs, sites e blogs, uma nova safra de bandas
cresceu e apareceu com o empurrão da internet. Nomes como Dibob, Emo, Hill
Valleys e For Fun conquistam os adolescentes cariocas e se arriscam em vôos
maiores. Na quinta-feira (16), o Dibob alcança a glória e debuta
no Canecão. A formação do grupo é bem representativa
dessa nova geração de roqueiros. Dois amigos se inscreveram em um
concurso de bandas e, a partir daí, fizeram uma música. Faltavam
baixista e baterista e também um nome para a banda. "Pensei em alguma coisa
de bobeira. Aí botamos dibob", lembra o guitarrista e vocalista André
Fialho, 21 anos, o Dedeco. A curta trajetória do grupo tem seu carro-chefe.
A música 1 a 0 Eu saltou dos saraus em pátios escolares e
virou hit nas FMs. O
gênero musical dessa jovem guarda é próximo do hardcore melódico.
As letras falam de namoros e relatam casos curiosos da rotina de seus autores,
sempre de forma bem-humorada. Seu Namorado É um Bundão é
um hit do quarteto For Fun. Há canções românticas,
como Seu Retrato, da Emo, e Se Eu Me Apaixonar, da Hill Valleys.
O Dibob critica namorados submissos em Pau Mandado. "O hardcore melódico
é uma febre. É o gênero que a molecada curte", opina Carlos
Eduardo Miranda, diretor da Trama Virtual, site da gravadora Trama, referência
para as bandas independentes, com mais de 15.000 músicas
para download. "Divulgação para banda independente é internet",
diz o baterista da Hill Valleys, Rogério Boechat, 26 anos. A propaganda
surte efeito. A Emo assinou contrato com a EMI e o Dibob está na BMG. Confira
as histórias dos quatro grupos. Dibob
Fotos
André Nazareth/Strana
 | | Em
alta: Dibob chega ao Canecão |
A
trajetória
da banda começou na praia. Os quatro integrantes do Dibob jogaram uns tapumes
na areia do Posto 12, no Leblon. Com uma extensão, ligaram amplificadores
e instrumentos na tomada do quiosque mais próximo. "Eu botava meia no microfone
para não levar choque", lembra o vocalista e baixista Felipe Campos, o
Gesta, 23 anos. O improvisado show arrancou aplausos de devotados amigos do quarteto,
alguns deles homenageados nas letras. Os colegas de escola tiveram papel importante
na divulgação. O Dibob tocou nos saraus do Teresiano, Santo Inácio,
São Vicente de Paulo e Escola Britânica. Em dezembro de 2003, pouco
mais de um ano depois da formação da banda, a BMG atentou para a
popularidade dos garotos e fechou contrato. Há duas semanas, eles se apresentaram
mais uma vez na praia. "Abrimos o show dos Titãs em Copacabana. Foi sensacional!
E dessa vez não tomei choque", brinca Gesta. For
Fun
 | | Rede:
a internet ajudou o grupo |
O
primeiro CD
demo do For Fun teve seis músicas e tiragem de 400 cópias. A produção
foi artesanal, com os discos feitos um a um em computador. O quarteto virou noites
e noites recortando adesivos para colar nos CDs. Astros nos saraus colegiais,
os rapazes ainda confeccionam camisetas com o logo da banda para vender nos shows,
junto com os discos. E atualizam com freqüência o fotolog da banda.
O trabalho tem suas compensações. Como as conquistas amorosas. "Ficou
mais fácil. Não preciso me desgastar tanto", brinca o guitarrista
Vitor Isensee, 21 anos, no estilo irônico da turma. "Falamos sobre coisas
que acontecem em nossa vida", diz o vocalista e baixista Rodrigo Costa, 24 anos,
o Digo. São músicas como Seu Namorado É um Bundão
e Garota de Floral. Emo
 | | O
grupo: visual comportado |
No
lançamento do CD Melhores Dias, um show para convidados foi organizado
no estúdio da EMI. Na platéia, fãs selecionados no fotolog
do grupo. Uma mãe, no entanto, hesitou em deixar a filha adolescente ao
chegar à gravadora. "Fui lá e conversei com ela, que sentiu confiança
em mim. Banda de rock não precisa mais ter aquele visual de drogado", diz
o baterista Daniel Ferro, 25 anos, um bem articulado bacharel em jornalismo formado
pela PUC, com visual comportado. "Já tirei fotos com as mães", acrescenta
o guitarrista Marcelo Guimarães, 25 anos. Mas os fãs costumam ser
mesmo os filhos adolescentes, muitos conquistados nas apresentações
em escolas. "A cultura em torno do sarau impressiona. É uma excelente forma
de divulgação", diz Daniel. A Emo, cujo nome se refere a uma música
da banda Blink, foi formada há seis anos. Com a repercussão alcançada
nos shows e na internet, fechou contrato com a EMI.
Hill
Valleys
 | | O
quinteto: sucesso
recente |
O
nome foi escolhido na véspera do primeiro show, em 1998. É uma referência
ao bairro onde morava o personagem de Michael J. Fox em De Volta para o Futuro.
"Era um filme-pipoca de que todos nós gostávamos. Achamos um bom
nome", diz o cantor Tiago Lins, 25 anos, conhecido como Lins Valley. A internet
foi decisiva para o futuro da banda. No início do mês passado, Lins
enviou a música Como Vai? ao site da Trama. "Três semanas
depois nos apresentamos em São Paulo e o público já sabia
a letra de cor", diz o baixista Melvin Ribeiro, 26 anos, ex-aluno do Santo Agostinho.
O grupo também criou um fotolog para atrair fãs. "A garotada se
identifica com as letras e repassa para os blogs", conta Melvin. |