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BEBIDA
Cachaça, gelo, açúcar e exotismo Sommelier
avalia as inventivas caipirinhas estrelas dos bares cariocas
Fernanda Thedim Fotos
André Valentim/Strana
 | | Danio
Braga: degustação
de caipirinhas
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Há
tempos que a caipirinha deixou de ser sinônimo de limão amassado
com cachaça, gelo e açúcar. Nos bares da cidade, ela ganhou
status de drinque sofisticado, preparada com esmero e ingredientes que vão
muito além do limão. São frutas exóticas em misturas
nada convencionais e combinações imaginativas. Nos cardápios
da cidade há caipirinha de tangerina com gengibre e mel, de morango com
pimenta e manjericão, de serigüela, carambola, caju e morango, de
cacau com alecrim e de graviola e canela. A lista é ampla, e algumas das
novidades caíram no paladar do freguês. No Palaphita Kitch, à
beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, são mais de trinta opções
de frutas e combinações, que podem ser feitas com cachaça,
vodca, saquê e até uísque. "Vendemos de 300 a 400 doses por
noite", contabiliza o dono do quiosque, Mário de Andrade. "É disparado
nosso carro-chefe. Não perde para cerveja, vinho, uísque nem para
nenhum outro tipo de drinque", diz ele. A convite de Veja Rio, o sommelier
Danio Braga fez um périplo por bares cariocas e avaliou essa nova geração
de caipirinhas. Danio tem o costume de participar de degustações
em uma feira, certa vez, provou 150 vinhos diferentes e é
o criador da caipichamps, versão afrancesada da bebida mais brasileira
que há graças ao preparo com champanhe, servida em seu bar-restaurante,
a Xampanheria. Ao
longo do roteiro, que incluiu cinco bares, ele testou vinte combinações
sempre seguindo o processo de mexer o copo, ver, cheirar, provar e expelir
o líquido e escolheu a melhor de cada local (veja
quadro), com justificativas. Uma obrigatoriedade: as caipirinhas
tinham de ser feitas com cachaça. A avaliação seguiu os moldes
das degustações de cachaça, levando em consideração
quatro quesitos no julgamento. O sabor foi o que teve mais peso na avaliação
e correspondeu à metade da nota, cujo máximo era 100. Nesse quesito
foram avaliadas características como corpo, acidez, maciez, qualidade,
intensidade e persistência do líquido. O olfato representou 30% da
nota, e as demais divisões, cor (fluidez, limpidez e beleza) e fim de boca
(harmonia geral), 10% cada uma. "A caipirinha tem de ser uma bebida refrescante,
com visual atraente e cativante. E deve incentivar o segundo, terceiro gole",
comenta. "Um ponto crítico em que os barmen costumam errar é a dosagem
de açúcar, que não deve interferir no sabor da fruta nem
no da bebida. Muita gente abusa", diz ele. A
jornada etílica começou pelo Conversa Fiada, cuja oferta da bebida
é variada e chama atenção pela inventividade das misturas.
A de maracujá com baunilha e pimenta foi a que mais agradou ao olfato de
Danio. Na Academia da Cachaça, ficou clara a decepção do
sommelier com os drinques. "Não senti refrescância", justifica. Em
sua opinião, a caipirinha de abacaxi, hortelã e gengibre do Caroline
Café é "óbvia, porém ótima". Mas a que mais
seduziu Danio foi a de uva com pimenta-rosa "A fruta conduz bem o tempero".
Diante da diversidade de frutas exóticas e inusitadas combinações,
o Palaphita Kitch reservou surpresas como a caipirinha de figo-da-índia
e a caipivara, de serigüela, carambola, caju e morango. A última escala
foi no Bar d'Hôtel, onde ele provou a caipiginger, de maracujá, gengibre
e pimenta-de-caiena. A pimenta tomou conta do paladar do sommelier. "De agora
em diante, fica difícil degustar outras bebidas", reagiu, bem-humorado.
Receita
de sucesso O
barman Osvaldo de Almeida, com vinte anos de experiência no tema, dá
dicas de preparo do drinque campeão de pedidos:
A caipirinha tem de valorizar a fruta. A proporção deve ser de 50%
de fruta, 40% de gelo e 10% de álcool.
A fruta deve ser amassada na hora, e o ideal é que ela seja rica em suco.
Retire o miolo de frutas como limão e lima. Caso contrário, o drinque
pode ficar amargo.
Para maracujá, abacaxi e caju, vale misturar o suco da fruta industrializado
com seu extrato natural.
O gelo deve ser escamado para a mistura ficar homogênea. Em cubos, ele deixa
o drinque aguado no fim.
Use uma coqueteleira para que os ingredientes se misturem uniformemente.
Temperos como manjericão, gengibre e hortelã dão um toque
especial à bebida. | |