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GASTRONOMIA
Das esquinas para os cardápios Bares
de grife recriam o tradicional espetinho Gustavo
Autran Fotos
André Valentim/Strana
 | | Salmão,
atum e lagostim no
palito: Conversa Fiada |
O
churrasquinho de gato, como é apelidado pelo carioca o espetinho vendido
nas esquinas, quem diria, agora tem pedigree. O popular tira-gosto preparado na
beira de calçada por ambulantes foi reinventado e ganhou a mesa de badalados
bares da cidade. Há exemplos de sobra, com variedade igualmente grande.
A rede de botecos Conversa Fiada, com casas na Barra, no Leblon, em Ipanema e
no Jardim Botânico, oferece diversas opções do petisco
de filé mignon, frango, queijo de coalho, coração de galinha,
salsicha de vitela, lingüiça e camarão , acompanhado
com molho de mostarda ou limão, a preços que variam de 3,90 a 4,50
reais. Dois bares recém-inaugurados também se especializaram nas
delícias servidas em palitinhos. Situado na esquina da Rua Conde de Bernadote
onde funcionava um restaurante de cozinha árabe, o Desacato tem no cardápio
26 tipos de espeto, com cinco opções de molho à escolha do
freguês. O outro bar adepto da novidade tem o sugestivo nome de Metido a
Besta e funciona no Itanhangá. Lá são servidas mais de vinte
opções, entre doces, salgados e frios. Além
dos sabores triviais, sobrou espaço para usar e abusar da imaginação.
O Conversa Fiada faz espetos de lagostim, atum com crosta de gergelim e salmão
com shimeji, por 7,50 reais (cada um). No Desacato, a maior inovação
é a carne de cordeiro com tâmaras enfileiradas, que sai por 6,50.
O Metido a Besta oferece uma alternativa com carne de javali (4,50 reais) e uma
inusitada mistura de melancia com balsâmico e queijo parmesão (4,50
reais). "Sempre tive fascínio por esses espetinhos de carrocinha, mas pensava
duas vezes antes de comê-los, por não saber exatamente a procedência.
Daí resolvi sofisticar um pouquinho esse hábito tão carioca
de comer no palitinho", conta André Silva, proprietário do Conversa
Fiada.
 | | Espetinhos
variados: novidades do Desacato |
Para
garantir a qualidade, o esmero no preparo virou regra. "O espetinho tem de ser
feito diariamente, com ingredientes selecionados", ensina Diogo Gaspar Correa,
um dos sócios do Desacato. No Metido a Besta, as carnes e os legumes são
assados numa grelha aquecida por pedras vulcânicas. "Esse processo é
indicado para eliminar a gordura das carnes", explica Rosana Motta, uma das proprietárias
da casa, que já foi sócia do Conversa Fiada. O Conversa, aliás,
também inovou na maneira de servir esses petiscos. A cada fornada saída
da grelha, um funcionário circula de bandeja pelo salão e oferece
os quitutes de mesa em mesa. A tática tem funcionado: cerca de 500 espetinhos
são consumidos às sextas-feiras só na matriz da cadeia de
botecos, na Barra. "Outro dia mesmo vi uma senhora superchique comendo um filezinho
direto no espeto, sem cerimônia. Essa descontração à
mesa é a cara do Rio", diz André. |