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15 de fevereiro de 2006

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GASTRONOMIA

Das esquinas para os cardápios

Bares de grife recriam o tradicional espetinho

Gustavo Autran

Fotos André Valentim/Strana
Salmão, atum e lagostim no palito: Conversa Fiada

O churrasquinho de gato, como é apelidado pelo carioca o espetinho vendido nas esquinas, quem diria, agora tem pedigree. O popular tira-gosto preparado na beira de calçada por ambulantes foi reinventado e ganhou a mesa de badalados bares da cidade. Há exemplos de sobra, com variedade igualmente grande. A rede de botecos Conversa Fiada, com casas na Barra, no Leblon, em Ipanema e no Jardim Botânico, oferece diversas opções do petisco – de filé mignon, frango, queijo de coalho, coração de galinha, salsicha de vitela, lingüiça e camarão –, acompanhado com molho de mostarda ou limão, a preços que variam de 3,90 a 4,50 reais. Dois bares recém-inaugurados também se especializaram nas delícias servidas em palitinhos. Situado na esquina da Rua Conde de Bernadote onde funcionava um restaurante de cozinha árabe, o Desacato tem no cardápio 26 tipos de espeto, com cinco opções de molho à escolha do freguês. O outro bar adepto da novidade tem o sugestivo nome de Metido a Besta e funciona no Itanhangá. Lá são servidas mais de vinte opções, entre doces, salgados e frios.

Além dos sabores triviais, sobrou espaço para usar e abusar da imaginação. O Conversa Fiada faz espetos de lagostim, atum com crosta de gergelim e salmão com shimeji, por 7,50 reais (cada um). No Desacato, a maior inovação é a carne de cordeiro com tâmaras enfileiradas, que sai por 6,50. O Metido a Besta oferece uma alternativa com carne de javali (4,50 reais) e uma inusitada mistura de melancia com balsâmico e queijo parmesão (4,50 reais). "Sempre tive fascínio por esses espetinhos de carrocinha, mas pensava duas vezes antes de comê-los, por não saber exatamente a procedência. Daí resolvi sofisticar um pouquinho esse hábito tão carioca de comer no palitinho", conta André Silva, proprietário do Conversa Fiada.

 
Espetinhos variados: novidades do Desacato

Para garantir a qualidade, o esmero no preparo virou regra. "O espetinho tem de ser feito diariamente, com ingredientes selecionados", ensina Diogo Gaspar Correa, um dos sócios do Desacato. No Metido a Besta, as carnes e os legumes são assados numa grelha aquecida por pedras vulcânicas. "Esse processo é indicado para eliminar a gordura das carnes", explica Rosana Motta, uma das proprietárias da casa, que já foi sócia do Conversa Fiada. O Conversa, aliás, também inovou na maneira de servir esses petiscos. A cada fornada saída da grelha, um funcionário circula de bandeja pelo salão e oferece os quitutes de mesa em mesa. A tática tem funcionado: cerca de 500 espetinhos são consumidos às sextas-feiras só na matriz da cadeia de botecos, na Barra. "Outro dia mesmo vi uma senhora superchique comendo um filezinho direto no espeto, sem cerimônia. Essa descontração à mesa é a cara do Rio", diz André.

     
  
   

 

 
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