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15 de fevereiro de 2006

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DEZ PERGUNTAS PARA...

...Miguel Faria Jr., diretor de Vinicius

Telma Alvarenga

Monatgem com fotos de André Valentim/Strana e Arquivo Pessoal

1 Com quase 260 000 espectadores, Vinicius pode bater o recorde de documentários nacionais, que hoje pertence a Todos os Corações do Mundo, sobre a Copa de 94, visto por 265 017 pessoas. Você esperava isso?

Não, me surpreendi. Não fiz o filme pensando nisso.

2 Fez pensando em quê?

No Vinicius. Queria que ele gostasse, que achasse que eu estava falando direito dele. Uma preocupação foi não folclorizar, coisa que ele detestava. Vinicius viveu para isso: para não ser rotulado.

3 Em 1984, você fez Para Viver um Grande Amor, adaptação do musical Pobre Menina Rica, de Vinicius, mas não ficou satisfeito. Por quê?
Não gosto da minha direção. Errei o tom e me senti meio culpado em relação ao Vinicius.

4 Vocês foram apresentados pela filha dele, Susana, com quem você foi casado?

Não. Conheci o Vinicius antes, nas filmagens de Garota de Ipanema (1967). Eu era estagiário. Vinicius gostava de conversar com jovens. Ficamos amigos.

5 Foi ele quem o incentivou a continuar trabalhando em cinema?

Estava em crise, pensando em cursar economia. Fui ter uma conversa com ele, que, sem saber, deu o empurrão final, falando da importância de a gente fazer o que gosta.

6 Por que, na sua opinião, o documentário tem atraído tantos jovens, inclusive quem pouco ou nada conhece da obra de Vinicius?
Quis mesmo fazer um filme para não-iniciados, com a preocupação de que não ficasse didático.

7 Quantas horas de entrevistas você tem filmadas?

Umas setenta horas. Transformá-las em apenas duas horas foi o mais sofrido, demorei para conseguir. E ainda fiquei com um filme grande para um documentário.

8 O que pretende fazer com o material que sobrou?

Depois do lançamento do DVD, adoraria fazer uma versão de quatro horas para um seriado na TV. Mas não estou mexendo com isso ainda. Cansei do assunto, quero umas férias.

9 O que acha das críticas que afirmam que o filme é excessivamente nostálgico?

Não gosto quando sentem isso. Provavelmente, até passei nostalgias. Mas não é um filme saudosista, no sentido de valorizar o passado como se fosse melhor que o presente.

10 Você concorda com Chico Buarque quando ele diz que Vinicius teria dificuldade de se encaixar no mundo atual?

Sendo como ele era, se não mudasse, seria impossível. Os valores mudaram, a relação com o dinheiro, o sucesso, o trabalho. Um exemplo: Vinicius só trabalhava com amigos. Gravar um disco em dupla por marketing, interesse comercial, jamais passaria pela cabeça dele.

     
  
   

 

 
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