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DEZ PERGUNTAS PARA...
...Miguel Faria Jr., diretor de Vinicius
Telma Alvarenga Monatgem
com fotos de André Valentim/Strana e Arquivo Pessoal
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Com quase 260 000 espectadores, Vinicius pode bater o recorde de documentários
nacionais, que hoje pertence a Todos os Corações do Mundo, sobre
a Copa de 94, visto por 265 017 pessoas. Você esperava isso?
Não,
me surpreendi. Não fiz o filme pensando nisso.
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Fez
pensando em quê?
No
Vinicius. Queria que ele gostasse, que achasse que eu estava falando direito dele.
Uma preocupação foi não folclorizar, coisa que ele detestava.
Vinicius viveu para isso: para não ser rotulado.
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Em
1984, você fez Para Viver um Grande Amor, adaptação
do musical Pobre Menina Rica, de Vinicius, mas não ficou satisfeito.
Por quê? Não
gosto da minha direção. Errei o tom e me senti meio culpado em relação
ao Vinicius. 4
Vocês
foram apresentados pela filha dele, Susana, com quem você foi casado?
Não.
Conheci o Vinicius antes, nas filmagens de Garota de Ipanema (1967). Eu
era estagiário. Vinicius gostava de conversar com jovens. Ficamos amigos.
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Foi
ele quem o incentivou a continuar trabalhando em cinema?
Estava em crise, pensando
em cursar economia. Fui ter uma conversa com ele, que, sem saber, deu o empurrão
final, falando da importância de a gente fazer o que gosta. 6
Por
que, na sua opinião, o documentário tem atraído tantos jovens,
inclusive quem pouco ou nada conhece da obra de Vinicius? Quis
mesmo fazer um filme para não-iniciados, com a preocupação
de que não ficasse didático. 7
Quantas
horas de entrevistas você tem filmadas?
Umas setenta horas.
Transformá-las em apenas duas horas foi o mais sofrido, demorei para conseguir.
E ainda fiquei com um filme grande para um documentário. 8
O
que pretende fazer com o material que sobrou?
Depois do lançamento
do DVD, adoraria fazer uma versão de quatro horas para um seriado na TV.
Mas não estou mexendo com isso ainda. Cansei do assunto, quero umas férias.
9
O
que acha das críticas que afirmam que o filme é excessivamente nostálgico?
Não
gosto quando sentem isso. Provavelmente, até passei nostalgias. Mas não
é um filme saudosista, no sentido de valorizar o passado como se fosse
melhor que o presente. 10
Você
concorda com Chico Buarque quando ele diz que Vinicius teria dificuldade de se
encaixar no mundo atual?
Sendo
como ele era, se não mudasse, seria impossível. Os valores mudaram,
a relação com o dinheiro, o sucesso, o trabalho. Um exemplo: Vinicius
só trabalhava com amigos. Gravar um disco em dupla por marketing, interesse
comercial, jamais passaria pela cabeça dele. |