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REPORTAGEM DE CAPA
Mar de gente em Copacabana Uma
multidão verá o show dos Rolling Stones na praia Fátima
Sá e Gustavo Autran André
Valentim/Strana
 | | Juliana
Paes: beleza
natural na Orla Bardot
|
No
próximo sábado, dia 18, quando Mick Jagger, 62 anos, Keith Richards,
62, Charlie Watts, 64, e Ron Wood, 58, subirem ao palco montado na Praia de Copacabana,
em frente ao hotel Copacabana Palace, a cidade estará diante de uma apresentação
digna do livro dos recordes. Os organizadores falam em um público de até
1 milhão de pessoas, número que não faria feio se reduzido
à metade. Dezesseis torres de som sete delas equipadas também
com telões de alta definição serão espalhadas
ao longo de 600 metros, do palco até a Avenida Princesa Isabel. O custo
total da produção beira os 10 milhões de reais, 1,6 milhão
bancado pela prefeitura. Para minimizar o caos, está sendo preparado um
esquema de trânsito e policiamento só visto no réveillon.
Como na festa da virada do ano, cerca de 10 000 policiais estarão de serviço,
a circulação de carros de passeio será proibida e o metrô
terá esquema especial (veja quadro). "Todos
os olhos estarão voltados para Copacabana. Este verão vai ficar
conhecido como o verão dos Rolling Stones", aposta o carioca Luiz Oscar
Niemeyer, dono da produtora Planmusic, responsável pela vinda da banda.
"É uma propaganda incrível para a cidade. Se der tudo certo, são
pelo menos quinze anos de glória", arrisca Philip Carruthers, diretor-superintendente
do Copacabana Palace. E se der errado? "Imprevistos podem acontecer, mas estamos
nos preparando desde maio", diz Ana Maria Maia, subsecretária de eventos
da prefeitura, parceira na produção. O
palco, que começou a ser montado no dia 23 de janeiro, tem estrutura faraônica.
São 22 metros de altura o correspondente a um prédio de sete
andares e 60 de largura. Não bastasse, a frente do palco é
móvel e avançará 60 metros em direção ao público.
Longe dos mortais comuns, convidados vip de todo o país e até do
exterior devem desfilar por uma área exclusiva com capacidade para mais
de 3.500 pessoas. A lista inclui os atores Javier Barden, Luana Piovani e Christiane
Torloni, a socialite Chiara Magalhães, a jogadora de vôlei Virna,
o deputado ACM Neto, o ministro Gilberto Gil. A procura pelo melhor lugar se espalha
pelos hotéis da orla. A maior parte deles já reservou 95% de seus
quartos. Outros estão lotados desde outubro. O rebuliço é
tamanho que vai reunir gente de Guapimirim, cidadezinha ao pé da serra
de Teresópolis, onde cartazes anunciam excursões para ver o show
dos "Rowlystones" a 20 reais; de Botucatu, cidade do interior paulista com 110.000
habitantes, de onde virão dez ônibus lotados de fãs, e de
Nova York, de onde a modelo brasileira Alessandra Ambrósio promete vir
"cercada de amigas". Frank
Micelotta/Getty Images
 | | Wood
(à esq.), Jagger, Watts e Richards: shows lotados por onde passam
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Os
Stones desembarcam no Rio na véspera do show e ocupam as suítes
presidenciais do Copa, com 140 metros quadrados, varanda debruçada sobre
o mar e um bocado de mordomias a 5.000 reais a diária. O hotel servirá
de quartel-general da banda. Vai abrigar os camarins, um lounge equipado com mesa
de sinuca e uma área reservada para convidados especiais. De lá,
uma passarela conduzirá os roqueiros para o palco, decorado com flores
e folhas, que remetem ao clima tropical brasileiro. Como a maioria das celebridades
estrangeiras que visitam a cidade, os roqueiros também têm seus caprichos.
O grupo exigiu a montagem de uma cozinha japonesa no camarim e fez questão
de trazer o chef. O rol dos pedidos inclui ainda nove carrinhos de golfe movidos
a bateria e uma pista de corrida montada especialmente para Mick Jagger se exercitar
longe de olhares curiosos. Trinta homens cuidarão da segurança da
banda. Dez deles são guarda-costas que acompanham os integrantes durante
toda a turnê. A festa pós-show será regada a muita vodca,
uísque e vinho. A
turnê mundial de A Bigger Bang estreou em agosto, em Boston. No Brasil,
o quarteto fará única apresentação no Rio e, no dia
seguinte, segue para Buenos Aires. O show em Copacabana será o terceiro
da banda na cidade (os outros dois foram em 1995, no Maracanã, e em 1998,
com show de abertura de Bob Dylan, na Apoteose). O espetáculo de sábado
será transmitido ao vivo pela TV Globo e também dará origem
a um DVD, com lançamento previsto para este semestre. A festa na praia
começa às 18h30, com um set do DJ Janot, e segue noite adentro com
os grupos Afroreggae (19h30) e Titãs (às 20h20). Os Stones prometem
um repertório concentrado em grandes clássicos, como (I Can't
Get No) Satisfaction, Gimme Shelter, Jumpin' Jack Flash e Simpathy
for the Devil. Do novo disco, estão previstas apenas quatro faixas:
Oh No, Not You Again, Rain Fall Down, This Place Is Empty
e Rough Justice (veja quadro na pág. 14).
Mas nada impede que,
na hora H, os caras aprontem surpresas. A modelo Alexia Deschamps que o diga.
Minutos antes de a banda subir ao palco da Apoteose, em 1998, ela foi abordada
no backstage por um afoito Mick Jagger, que queria descobrir quais eram as canções
preferidas do público brasileiro. "Fiquei tão atônita que
respondi o óbvio: Satisfaction", conta. Alexia também guarda
uma relíquia que faria qualquer fã babar de inveja: um vídeo
de 1974 que mostra a intimidade do vocalista, quando ele esteve hospedado na casa
da mãe dela, em Búzios. "Ele aparece tocando violão, nadando
e até pulando corda", conta. Se Alexia pôde conhecer a intimidade
do astro, o empresário Nelson Sendas, fanático pela banda, não
economiza para vê-lo no palco. Nelson já assistiu a mais de cinqüenta
apresentações dos Rolling Stones e viu sete vezes o espetáculo
que será mostrado na praia. "É imperdível. Aos 60 anos, eles
estão em plena forma", conta Nelson, que já garantiu seu lugar para
ver o show pela oitava vez. Fotos
Divulgação  | | | Luxo
à beira-mar: o grupo ficará hospedado
no Copacabana Palace |
As
negociações para o espetáculo começaram em março.
"Fiz a proposta ao empresário Michael Cohl em Miami. A escolha de Copacabana
foi decisiva", diz Luiz Oscar, produtor que ajudou a incluir o Brasil na rota
dos grandes shows internacionais em 1985, foi coordenador-geral do Rock
in Rio e, cinco anos depois, trouxe Paul McCartney e Eric Clapton à cidade.
Além da habilidade de Luiz Oscar como negociador, a experiência com
o cantor americano Lenny Kravitz, que fez show na Praia de Copacabana em março
de 2005, entusiasmou os Stones. "O espetáculo foi exibido em diversos países
e abriu muitas portas", conta Ana Maria Maia. No mesmo dia em que foi feito o
anúncio oficial da escala carioca, começou a romaria atrás
de um convite vip (veja quadro). Os sortudos poderão
conferir tudo no gargarejo. "Stones na Praia de Copacabana é um evento
histórico. É a única banda que merece um sacrifício
desses", comenta a atriz Alessandra Negrini, referindo-se ao mar de gente que
terá de atravessar para chegar à área vip com o marido, o
compositor pernambucano Otto. "Sempre que eles tocaram aqui eu estava fora do
Brasil", lamenta a atriz Christiane Torloni. "Desta vez calhou de o show ser no
dia do meu aniversário. Vou comemorar lá, com marido, filho, cunhado",
diz a atriz. O empresário Marcos Buaiz estará com a namorada, Wanessa
Camargo, e os sogros Zilú e Zezé Di Camargo.
No fim da semana passada,
o Ministério Público Estadual fez uma série de exigências
aos organizadores para evitar tumultos. Uma delas foi o aumento do número
de banheiros químicos. A organização anunciou que haveria
200 cabines, mas o MP argumenta que seriam necessárias quatro vezes mais.
Tem gente que não se importa com possíveis contratempos. "Para mim,
está tranqüilo. Já fui muito imprensado em estádio de
futebol", brinca Otto. "Todo mundo que eu conheço com menos de 50 anos
estará lá", arrisca o empresário Rick Amaral. As pedras vão
rolar.
Brasil,
um destino habitual Seja
a passeio ou a trabalho, a relação dos Stones com o Brasil vem de
longa data. O vaivém e as andanças dos integrantes da banda são
contados por Nélio Rodrigues no livro Os Rolling Stones no Brasil
Do Descobrimento à Conquista (1968-1999), lançado em 2002. "O
Jagger chegou a gravar uma música aqui no Rio, em 1976, no estúdio
da Polygram, que nunca foi lançada", diz Nélio. Eis as passagens
stoneanas pelo país relatadas no livro:
Mick
Jagger foi o primeiro da banda a vir ao Brasil. Em janeiro de 1968, ele, a mulher,
Marianne Faithfull, e o filho dela, Nicholas, se hospedaram no Copacabana Palace.
O segundo destino da viagem turística foi Salvador, onde o batuque o inspirou
a criar Simpathy for the Devil. No fim do mesmo ano, o casal retornou ao
Rio, acompanhado de Keith Richards e sua mulher, Anita. Depois de algumas semanas
na cidade, rumaram para a fazenda do banqueiro Walther Moreira Salles, em Matão
(SP). Lá foi composta Honky Tonk Woman.
Em janeiro de 1974,
outro stone chegava ao Rio como turista. O guitarrista Mick Taylor ficou hospedado
na casa do roqueiro Arnaldo Brandão, seu amigo de Londres. No fim daquele
ano, Taylor se desligou dos Stones. Em 1990, ele fez show em São Paulo
com sua nova banda. Mais
uma vez no verão, em dezembro de 1975, Mick Jagger iniciava sua terceira
visita ao país e a mais longa delas, com um mês de duração.
Já casado com Bianca e pai de Jade, o trio ficou na casa de Florinda Bolkan,
na Joatinga, e circulou pela alta-roda carioca. O astro foi à quadra da
Mangueira e participou do programa de Big Boy na Rádio Mundial. O trajeto
incluiu Búzios. Em
julho de 1976, o baterista Charlie Watts veio ao Rio em viagem de férias
com a família. Ele ficou fascinado com a bateria da Portela. A má
lembrança foi ter sido barrado numa boate. Em 1992, ele retornou ao Brasil
para shows de seu Charlie Watts Quintet, voltado para o jazz.
Depois de nove anos
de ausência, em 1984 Jagger voltou ao Rio, pela primeira vez a trabalho.
Veio com sua terceira mulher, a modelo Jerry Hall, para fazer Running out of
Luck, filme promocional de seu primeiro disco-solo. Ele gravou na Enseada
de Botafogo, na sede do Fluminense, num presídio e na Costa Verde.
Marizilda
Cruppe/Ag. O Globo
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Depois
de vários rumores desde os anos 70, enfim o grupo anunciou seus primeiros
shows no Brasil, dentro da turnê mundial de Voodoo Lounge. Eles foram
realizados no fim de janeiro e no começo de fevereiro de 1995, no Pacaembu
e no Maracanã. Um ano depois, Ron Wood desembarcou no Rio com a mulher
para ver o desfile das escolas de samba. Roberto
Valverde
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Em
abril de 1998, a banda repetiu a dose e se apresentou no Rio (Praça da
Apoteose) e em São Paulo (Ibirapuera), na turnê Bridges to Babylon.
O baixista Ron Wood levou um susto em sua estada carioca. Num passeio pela Baía
da Ilha Grande, a lancha em que estava pegou fogo e ele foi resgatado por um barco
de jornalistas. Foi nesse período que Jagger conheceu Luciana Gimenez,
numa festa na mansão do empresário Olavo Monteiro de Carvalho. |
Batalhão
de vips  | | Área
vip: 3
500 convidados
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Semanas
atrás, a promoter Alicinha Cavalcanti recebeu um e-mail enigmático.
O remetente era um checheno obcecado por um convite para o show dos Rolling Stones
em Copacabana. Para comprovar seu prestígio, anexou a capa de uma revista
People estampada por um homem que o checheno jurava ser ele próprio.
Essa foi apenas uma das mil mensagens eletrônicas que diariamente têm
chegado para Alicinha. Tem sido assim desde dezembro, quando ela foi contratada
para elaborar a lista de convidados vip do show. E olha que não são
poucos: 3.500 very important people já confirmaram presença
no pedaço mais concorrido da praia no sábado (18), e há uma
lista de espera de mais de 4 000 pessoas. Atores,
políticos, músicos, empresários e demais convidados poderão
circular pela área gradeada localizada atrás do palco e pelo nobilíssimo
espaço delimitado em frente à boca de cena. "Boa parte do PIB nacional
estará aqui", arrisca José Carlos Cinelli, diretor regional da Claro,
uma das patrocinadoras do evento. A informalidade será norma no minifúndio.
Os vips circularão pela areia em meio a vendedores de mate, biscoitos Globo
e queijo de coalho na brasa, numa reprodução do clima praiano em
dia ensolarado. A confecção das pulserinhas e camisas que identificarão
a turma envolve tática de guerra. As pulseiras serão feitas em Londres,
e haverá uma série de barreiras na entrada. "Teremos pulseira, credencial,
cartão com código de barra e camiseta. Há um quinto elemento
que não revelo nem sob tortura", diz a promoter. |
Eu
vou Quem já garantiu presença na área vip do show  |  |  |  | | Rodrigo
Santoro | Luana
Piovani | Javier
Barden | Camila
Pitanga |  |  |  |  | | Zezé
Di Camargo | Debora
Falabella | Dênis
Carvalho | Michelle
Alves |  |  |  |  | | Cléo
Pires | Bruno
Gagliasso | Glória
Maria | Washington
Olivetto |  |  |  |  | | Leticia
Birkheuer | Virna
| Gilberto
Gil | Alessandra
Negrini |
| | | Christiane:
aniversário | Alexia:
nos bastidores |
Fotos: Reginaldo
Teixeira, André Valentim/Strana, André Brant, Divulgação,
Rodrigo Braga, Divulgação, Leonardo Lemos, Ricardo Fasanello/Strana,
Bruno Veiga/Strana, Ricardo Fasanello/Strana, Ricardo Fasanello/Strana, Daniela
Toviansky, André Nazareth/Strana, André Valentim/Strana, Leonardo
Lemos, Cintia Ssanches e Wagner Santos. |
Seleção
musical Abaixo,
a base do repertório do show, com disco e ano de lançamento:
Jumpin'
Jack Flash (Through the Past Darkly, 1969); Let's Spend the Night Together
(Between the Buttons, 1967); It's Only Rock & Roll (But I Like It)
(It's Only Rock'N'Roll, 1974); Oh No, Not You Again (A Bigger Bang, 2005);
As Tears Go By (December's Children And Everybody's, 1965); Rain
Fall Down (A Bigger Bang, 2005); Midnight Rambler (Let It Bleed, 1969);
Tumbling Dice (Exile On Main St., 1972); Gimme Shelter (Let It Bleed, 1969);
This Place Is Empty (A Bigger Bang, 2005); Happy (Exile on Main St., 1972);
Miss You (Some Girls, 1978); Rough Justice (A Bigger Bang, 2005);
Get off of My Cloud (December's Children (And Everybody's, 1965); Honky
Tonk Women (Through the Past Darkly, 1969); Simpathy for the Devil (Beggars
Banquet, 1968); Start Me Up (Tatoo You, 1981); Paint It, Black (Aftermath,
1966); Brown Sugar (Sticky Fingers, 1971); You Can't Always Get
What You Want (Let It Bleed, 1969); (I Can't Get No) Satisfaction (Out
of Our Heads, 1965) | |