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ARTE
Heróis dos bastidores Preparadores
de atores ganham cada vez mais espaço na TV Telma
Alvarenga Fotos
André Valentim/Strana
 | | Roumer
e Alinne: o
coach virou colega no elenco da novela Bang Bang
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Desde
o começo das gravações de Belíssima, a trama
das 21 horas da Globo, Cauã Reymond, Maria Flor, Bianca Comparato e Enrica
Duncan freqüentam o estúdio de Rossella Terranova, em Ipanema. Fazem
exercícios corporais, pesquisam, trabalham as relações entre
os personagens, passam o texto. Rossella chega a acompanhá-los nos estúdios
do Projac em algumas cenas. "Ela fica atrás da câmera, fazendo sinais",
diverte-se Bianca. Não é só o elenco jovem que conta com
a mestra. Para viver o grego Nikos, o consagrado Tony Ramos teve encontros com
ela. Claudia Raia e Camila Pitanga também. Rossella faz parte de um time
cada vez mais valorizado na TV: o de instrutores de dramaturgia, ou coaches, como
são chamados em Hollywood. Resumindo: são eles que preparam os atores
para trabalhos específicos, como uma novela, uma minissérie e até
programas de vendas na TV. Reinaldo
Rocha, apresentador do Shoptime há dez anos, está encantado.
Desde que a equipe começou a ter aulas com Rossella, seis meses atrás,
tudo mudou. "Estamos muito mais seguros, ousando mais", diz. A professora se autodefine
como "mera indicadora de caminhos". "Isso é o mais legal nela", aplaude
Cauã Reymond, 25 anos. "Ela mostra o caminho. Faz com que a gente acabe
descobrindo como percorrê-lo, não nos leva até ele." Com formação
em dança e vasta experiência como preparadora de atores no teatro
tem mais de quarenta peças no currículo , Rossella
atua nos bastidores da TV desde 1997. Criou um método particular. "Dou
instrumentos para que os atores decifrem o que está sendo pedido pelos
diretores", diz. "Trabalho, por exemplo, só uma ou duas frases do texto,
mas com todas as possibilidades. Às vezes, é só uma questão
de respiração."  | | Rossella
(a quarta da
esq. para a dir.), entre Maria Flor, Bianca, Cauã, Enrica e Reinaldo:
parceria |
Foi
com Rossella que Bianca Comparato, de 20 anos, pesquisou elementos para compor
sua Maria João, personagem que vive às turras com a irmã,
Giovana (Paola Oliveira). "Poderíamos cair no clichê das irmãs
briguentas." Os atores também contam com o olhar crítico da instrutora
para corrigir falhas. "É importante ter esse feedback", comenta Maria Flor,
de 22 anos. "O diretor nem sempre tem tempo." Rossella só não trabalha
com o elenco mirim de Belíssima. As crianças da trama entram
no set sob o olhar atento de Rosana Garcia, que fez sucesso como a Narizinho do
Sítio do Picapau Amarelo, na década de 70. "Quando comecei,
não existia coach. Meu pai, Gilberto Garcia, que foi ator de rádio,
fazia esse trabalho comigo e com a Isabela, minha irmã", conta. Seu primeiro
trabalho como instrutora de dramaturgia foi em Estrela Guia, em 2001. Desde
então, emenda uma novela na outra. Sempre com o elenco infantil. Ela prepara
as cenas com as crianças, ajuda a decorar os textos, acompanha as gravações.
Rosana
começou a trabalhar com Mariana Ruy Barbosa, de 10 anos, um mês antes
da estréia da novela. Não demorou para descobrir que a bela ruivinha
tem talento. "É tão esperta e concentrada que já está
voando com as próprias asas", orgulha-se. A menina emociona o público
quando sua Sabina sofre e as lágrimas escorrem pelo rosto sardento. Mas
como ajudar uma criança a chorar diante das câmeras? Rosana jamais
usa a técnica de pedir para que os pequenos imaginem algo triste, como
a morte da mãe. Sílvia Pareja, instrutora da meninada do Sítio
do Picapau Amarelo, também abomina a idéia. "É o fim
da picada", diz. "A criança vai deprimir-se, mais que se emocionar. Depois,
precisará de vinte anos de análise. Deus me livre!", esconjura.
"Tento fazer com que ela entenda a situação, a emoção
daquela cena." Funciona. "As crianças choram de verdade. Não tem
colírio nem cristal japonês", afirma. Sílvia também
começou a carreira de atriz ainda criança. Com 11 anos, fazia teatro
em Aracaju. Trabalhou na Oficina de Atores da Globo e chegou a ter o próprio
curso, fechado há três anos, quando passou a se dedicar só
à turminha do Sítio. Foi
na oficina de interpretação do irmão, Antonio Amancio, que
Roumer Canhães, 26 anos, aprendeu o ofício de coach. Primeiro, como
assistente. Eles dividiram, por exemplo, a preparação de Alinne
Moraes para sua primeira novela, Coração de Estudante. Quando
a atriz fez Da Cor do Pecado, teve aulas com Roumer. Eles, agora, são
colegas em Bang Bang, trama das 19 horas da Globo. É a estréia
de Roumer em novelas. "O desafio é colocar em prática tudo o que
eu dizia aos alunos." O irmão é um coach informal. E exigente. "Sou
mais rigoroso com ele do que com os outros", admite Amancio, que se especializou
em trabalhar com jovens. Mas acha um erro associar os coaches apenas aos iniciantes.
"É natural que grandes atores tenham seu coach", defende.
Camila Amado recebe
tanto atores consagrados como estreantes na escola que abriu em seu apartamento,
na Gávea. "Não sou coach", ressalva. "Dou aulas de interpretação
há muitos anos." Ela também prepara alunos para obras específicas.
Foi assim com Daniel Oliveira, quando filmou Cazuza. É assim com
Angelita Feijó, que faz uma participação em Belíssima.
"Fico muito mais segura quando consigo passar o texto com a Camila antes de gravar",
diz Angelita. Para atores como ela, totalmente inexperientes e que precisam preparar-se
rapidamente para um papel, Camila tem um método radical. "Dou Hamlet",
diz. "Assim, enfrentam logo todos os fantasmas." |