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CONSUMO
O
salão de festa é o palco
Sérgio
Britto comemora 80 anos
com peça autobiográfica
Debora
Ghivelder
André Valentim/Strana
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| Sérgio
na casa nova, em Santa Teresa: longe dos engarrafamentos |
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A memória de Sérgio Britto é prodigiosa. Já
inspirou espetáculos como Na Era do Rádio,
que lembrava a época de ouro do dial nacional, e o musical
Meninos, Eu Vivi, e ainda o livro Fábrica de Ilusão
(1996), sobre os cinqüenta anos de carreira do ator.
A memória de Sérgio Britto é quase tão
prodigiosa quanto sua carreira. O ator completará 80 anos
no dia 29 de junho. E já colocou as recordações
a serviço das comemorações. Antes da sucessão
de festas e jantares prometidos por amigos, Sérgio celebra
o aniversário do jeito que mais gosta: no palco. Com os refletores
só para si, ele vai dividir com a platéia mais uma
cota de histórias autobiográficas, que, em boa parte,
se misturam com a própria história do teatro brasileiro.
Sérgio 80, monólogo escrito e dirigido por
Domingos Oliveira, tem estréia marcada para sábado
(17), no intimista Teatro Cândido Mendes.
Sérgio
narra episódios como sua rápida passagem profissional
pela emergência de hospitais (sim, ele é médico
formado); o parto que teve de fazer, no susto; a surdez que o surpreendeu
em 1950 e as duas operações de ouvido; a estreita
amizade com o ator Sérgio Cardoso; a cena e a vida compartilhadas
com Fernanda Montenegro, Natália Thimberg e Ítalo
Rossi; a criação do Teatro dos Sete e do Teatro dos
Quatro; a televisão; e o Grande Teatro Tupi. "Sou fã
de Sérgio Britto por causa do Grande Teatro Tupi. Fui formado
por ele", diz Domingos Oliveira. "Eu vinha de uma boa casa burguesa
onde não se lia. Foi o Grande Teatro que me jogou na cara
os O'Neills e os Williams da vida", completa o autor, que dividiu
o espetáculo em blocos: prólogo, primeiros tempos,
os diretores, as três coisas que valem a pena fazer na vida
(a saber: teatro, sexo e viajar), televisão, Teatro dos Sete,
Teatro dos Doze, Teatro dos Quatro, Brecht, meu encontro com Deus,
surdez, Sérgio Cardoso e finale. No decorrer da montagem,
Sérgio dedica trinta minutos à platéia para
que faça perguntas. Para ajudar, ele mesmo elaborou uma lista
com mais de sessenta indagações que estará
anexada ao programa. Dependendo da escolha, as pessoas vão
deixar o teatro sabendo que Sérgio Britto assume o homossexualismo,
não acredita em bissexualismo e não teme a morte.
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"Sou
um homem com certa inteligência, algum talento, mas
com uma vocação enorme para o teatro"
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A intenção
é tornar o espetáculo um encontro íntimo. Chez
Britto. Como se o público na verdade estivesse na sala
de estar de Sérgio. Inclusive, a casa do ator, desde os tempos
em que morava em Vila Isabel, com os pais, sempre foi aberta aos
amigos. Ele gosta de receber e de presentear os mais chegados com
a apetitosa comida feita por sua fiel escudeira, Francisca. Quatro
anos atrás trocou o confortável apartamento no Leblon
por uma ampla casa em Santa Teresa. "Fiquei assustada por ele sair
de perto da gente. Depois achei a troca mais que perfeita. Ele agora
tem mais espaço para os livros, os vídeos. Ele fecha
um ciclo", conta a amiga Fernanda Montenegro. O ator justifica a
mudança. "Queria qualidade de vida. Não agüentava
mais os engarrafamentos do Leblon." A casa é cheia de escadas,
mas o octogenário Sérgio não liga. "Só
comecei a sentir a idade há dois anos", entrega. Foi mais
ou menos nessa época que se diagnosticou uma forte anemia,
que o obriga até agora a tomar remédios diariamente
e a ter cuidado com os horários e com a alimentação.
Sérgio
tem prazer em ficar em casa. Nem sequer caminhou pelo novo bairro.
A vantagem de Santa Teresa, destaca ele, é a rapidez com
que de lá se vai ao Centro ou à Zona Sul. Fala com
um entusiasmo incrível. "A animação de fazer
tudo com que está envolvido parecer a melhor coisa do mundo
é a grande qualidade de Sérgio", opina Domingos Oliveira.
"A vibração dele contagia", reforça Natália
Thimberg, outra amiga da vida inteira. A atriz ressalta ainda mais
duas virtudes do aniversariante: a generosidade e a sinceridade.
"Sérgio nunca teve papas na língua e tem autoridade
para falar o que pensa", afirma Ítalo Rossi. A autoridade
nasce de uma conta superlativa na carreira: 120 peças, 400
teleteatros, vinte novelas, nove prêmios e mistério
a alma de um menino.
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Cinco
atos de uma longa carreira
Arquivo Pessoal
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Com
Fernanda, Ítalo e Natália em O Aventureiro:
velhos parceiros
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Arquivo Pessoal
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Nos
tempos de galã da TV, em cena com Zilka Salaberry:
O Crime de Arthur Saville, do escritor Oscar Wilde
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Ari Lago
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Em
O Jardim das Cerejeiras, de Tchekov: a peça
outonal marcou o fim de sua presença no palco do
Teatro dos Quatro |
Rogério Reis
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Sérgio
Britto na pele de Rei Lear: o que ficou para ele
foi o grande desafio |
Fernando Pimentel
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Com
Rubens Corrêa no sucesso Quatro Vezes Beckett:
Gerald Thomas está entre os diretores importantes
da carreira |
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Serviço
Sérgio
80. Estréia no sábado (17), 21h. Teatro
Cândido Mendes (100 lugares). Rua Joana Angélica,
63, Ipanema,
2267-7295. Qui. a sáb., 21h. Dom., 20h. R$ 20,00.
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