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13 de agosto de 2003
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GASTRONOMIA

Carne nova no pedaço

O avestruz entra para o
menu dos restaurantes

Lívia Almeida

 
Bruno Veiga/Strana
Marco de Bari
No Eça, restaurante de Flávia Quaresma: avestruz à francesa

Vermelha e suculenta como uma boa peça de filé, a carne de avestruz é iguaria para ser consumida sem culpa. Seus índices de gordura, calorias e colesterol são inferiores até aos do desenxabido peito de peru sem pele. Para quem persegue uma alimentação saudável e presta atenção na balança, não há nada mais conveniente. O bípede emplumado ainda é figurinha difícil nas câmaras frigoríficas dos supermercados, mas está se tornando cada vez mais comum no menu de restaurantes do Rio. "Os clientes estão pedindo produtos mais saudáveis e com baixas calorias", diz Jorge Renato, do New Garden, em Ipanema, que passou a oferecer na semana passada duas receitas com a ave: um turnedô ao molho de laranja com pistache (R$ 57,00) e um steak com chutney de mamão (R$ 52,00). "As pessoas já estão ficando cansadas do salmão e do peito de frango."

O bicho tem encantado os chefs com sua versatilidade. "Comecei a usar avestruz no bufê. É uma coisa de louco porque não tem como errar o ponto. Eu me apaixonei. Ainda mais porque agora já existem fornecedores nacionais", conta a chef Flávia Quaresma, que está escrevendo um livro com receitas de comidas saudáveis. Há três meses, ela colocou no menu do Eça, seu restaurante no Centro, uma receita com a ave, o filé de avestruz com vagem francesa, alho e caldo levemente ácido de frutas vermelhas (R$ 54,00). "Lembra um baita filezão, e você fica contente porque não está cometendo uma estripulia. É perfeito para a minha clientela do Centro", brinca ela. Novas receitas estão a ponto de surgir: Flávia tem experimentado fazer ossobuco de avestruz e ragu com a carne do pescoço. "Fica ótimo. E, como a ave tem um pescoço enorme, imagine quanto ragu não dá para fazer", diz.

Mirian Monteiro/Strana
Picanha e carpaccio no D'Amici: pioneiro a servir a ave na cidade


O D'Amici foi pioneiro em colocar no menu pratos com carne de avestruz. No início, a clientela achava esquisito. Agora, ficou fã. "Recentemente, tive uma mesa de dez senhoras em que todas pediram avestruz", conta Cândido Abreu, um dos sócios. Lá, a picanha vem fatiada com manteiga, alho e ervas, acompanhada de batata rösti (R$ 51,00). Como entrada, há o carpaccio de avestruz (R$ 22,00). A picanha (R$ 65,00) também é servida no Esplanada Grill desde o início do ano. E já existe até uma linha de embutidos. No Pizza Park, em Botafogo, a lingüiça de avestruz é moída e serve de cobertura a uma redonda, batizada de struzzo (avestruz, em italiano), que sai por R$ 28,00, a grande, e R$ 20,00, a média. No Tower Grill tem lingüiça defumada com salada de batata (R$ 16,00). O que ainda atrapalha a popularização do avestruz é seu preço: o quilo do lombo – a parte mais nobre – custa R$ 89,00. "A produção no país ainda é pequena", diz José Carlos Costa Júnior, que tem uma criação nas imediações de Rio Bonito. "Além disso, os preços são altos no mercado internacional."

         
     
 
 
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