| |
|
|
 |
|
GASTRONOMIA
Carne nova
no pedaço
O
avestruz entra para o
menu dos restaurantes
Lívia Almeida
Bruno
Veiga/Strana
 |
Marco
de Bari
 |
| No
Eça, restaurante
de Flávia Quaresma: avestruz à francesa |
Vermelha
e suculenta como uma boa peça de filé, a carne de
avestruz é iguaria para ser consumida sem culpa. Seus índices
de gordura, calorias e colesterol são inferiores até
aos do desenxabido peito de peru sem pele. Para quem persegue uma
alimentação saudável e presta atenção
na balança, não há nada mais conveniente. O
bípede emplumado ainda é figurinha difícil
nas câmaras frigoríficas dos supermercados, mas está
se tornando cada vez mais comum no menu de restaurantes do Rio.
"Os clientes estão pedindo produtos mais saudáveis
e com baixas calorias", diz Jorge Renato, do New Garden, em Ipanema,
que passou a oferecer na semana passada duas receitas com a ave:
um turnedô ao molho de laranja com pistache (R$ 57,00) e um
steak com chutney de mamão (R$ 52,00). "As pessoas já
estão ficando cansadas do salmão e do peito de frango."
O bicho tem encantado os chefs com sua versatilidade. "Comecei a
usar avestruz no bufê. É uma coisa de louco porque
não tem como errar o ponto. Eu me apaixonei. Ainda mais porque
agora já existem fornecedores nacionais", conta a chef Flávia
Quaresma, que está escrevendo um livro com receitas de comidas
saudáveis. Há três meses, ela colocou no menu
do Eça, seu restaurante no Centro, uma receita com a ave,
o filé de avestruz com vagem francesa, alho e caldo levemente
ácido de frutas vermelhas (R$ 54,00). "Lembra um baita filezão,
e você fica contente porque não está cometendo
uma estripulia. É perfeito para a minha clientela do Centro",
brinca ela. Novas receitas estão a ponto de surgir: Flávia
tem experimentado fazer ossobuco de avestruz e ragu com a carne
do pescoço. "Fica ótimo. E, como a ave tem um pescoço
enorme, imagine quanto ragu não dá para fazer", diz.
Mirian Monteiro/Strana
 |
| Picanha
e carpaccio no D'Amici: pioneiro
a servir a ave na cidade |
O D'Amici foi pioneiro em colocar no menu pratos com carne de avestruz.
No início, a clientela achava esquisito. Agora, ficou fã.
"Recentemente, tive uma mesa de dez senhoras em que todas pediram
avestruz", conta Cândido Abreu, um dos sócios. Lá,
a picanha vem fatiada com manteiga, alho e ervas, acompanhada de
batata rösti (R$ 51,00). Como entrada, há o carpaccio
de avestruz (R$ 22,00). A picanha (R$ 65,00) também é
servida no Esplanada Grill desde o início do ano. E já
existe até uma linha de embutidos. No Pizza Park, em Botafogo,
a lingüiça de avestruz é moída e serve
de cobertura a uma redonda, batizada de struzzo (avestruz, em italiano),
que sai por R$ 28,00, a grande, e R$ 20,00, a média. No Tower
Grill tem lingüiça defumada com salada de batata (R$
16,00). O que ainda atrapalha a popularização do avestruz
é seu preço: o quilo do lombo a parte mais
nobre custa R$ 89,00. "A produção no país
ainda é pequena", diz José Carlos Costa Júnior,
que tem uma criação nas imediações de
Rio Bonito. "Além disso, os preços são altos
no mercado internacional."
|