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URBANISMO
Para
virar ponto turístico
Casario
centenário do Morro da
Conceição é reformado
Isabel Butcher
Fotos Cláudia Martins
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Igreja São Francisco da Prainha e Palácio
das Águias (à dir.): pichações
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O
Morro da Conceição não teve o mesmo destino dos
morros do Castelo e de Santo Antônio, que em nome da modernização
do Centro da cidade foram postos abaixo, a despeito de seus valores
históricos. Porém, ele não ficou livre das mazelas
do século XX. Seu casario, com construções mais
que centenárias, é vítima do abandono e das pichações.
Com ruelas em ziguezague, o Morro da Conceição guarda
relíquias como a Igreja São Francisco da Prainha, capela
erguida em 1696, atacada pelos franceses em 1710 e reconstruída
200 anos depois. Uma iniciativa da Ordem Terceira de São Francisco
da Penitência, tendo à frente o frei alemão Eckart
Höfling, é o passo inicial para a recuperação
dessa área vizinha à Praça Mauá, desprezada
nos roteiros turísticos. Dona de cerca de 130 imóveis
na região, que tem 40.000 habitantes, a congregação
vem reformando seu patrimônio para abrigar obras sociais e cursos
profissionalizantes. No sábado (22) será inaugurado
o anexo da escola Padre Francisco da Motta, com quadra de esporte
e amplo refeitório. O local atende gratuitamente 750 crianças
da comunidade. A verba para essa primeira etapa de revitalização
é de 1,3 milhão de reais, obtida na Alemanha. A próxima
etapa, orçada em 6,5 milhões de reais, terá a
parceria do Iphan e prevê a restauração da Igreja
São Francisco da Prainha e seu entorno, inclusive o sobrado
conhecido como Palácio da Águias, onde serão
realizadas as aulas teóricas dos cursos.
A revitalização do Morro da Conceição
pode ser o primeiro passo para que a região vire um ponto
turístico obrigatório, a exemplo do que ocorreu com
o Pelourinho, em Salvador (veja quadro abaixo). Os dois locais
guardam semelhanças. O bairro da Saúde, no sopé
do Morro da Conceição, fazia parte da Pequena África
do Rio, como ficou conhecida a região portuária carioca
na virada do século XX, o principal destino dos escravos
após a abolição. Além da importância
histórica, a área foi fundamental na vida cultural
da cidade, por ser berço do samba e reunir artistas como
Pixinguinha, Donga e João da Baiana. Uma recuperação
muito bem-vinda.
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Exemplo
que vem da Bahia
Fernando Vivas
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A
recuperação do Pelourinho pode servir de exemplo
para os cariocas. Em 1991, o governo da Bahia iniciou o projeto
de restauração de 600 imóveis da região,
alguns até sob risco de desabamento. O conjunto arquitetônico
dos séculos XVIII e XIX, tombado em 1985 pela Unesco
como patrimônio da humanidade, ganhou novo colorido
nas fachadas, e seus imóveis passaram a abrigar centros
culturais, museus, lojas de artesanato e restaurantes. De
área decadente, o Pelourinho virou uma imperdível
atração para os mais de 500.000 turistas que
desembarcam na capital baiana anualmente.
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