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12 de novembro de 2003
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Para virar ponto turístico

Casario centenário do Morro da
Conceição é reformado

Isabel Butcher


Fotos Cláudia Martins

Igreja São Francisco da Prainha e Palácio das Águias (à dir.): pichações


O Morro da Conceição não teve o mesmo destino dos morros do Castelo e de Santo Antônio, que em nome da modernização do Centro da cidade foram postos abaixo, a despeito de seus valores históricos. Porém, ele não ficou livre das mazelas do século XX. Seu casario, com construções mais que centenárias, é vítima do abandono e das pichações. Com ruelas em ziguezague, o Morro da Conceição guarda relíquias como a Igreja São Francisco da Prainha, capela erguida em 1696, atacada pelos franceses em 1710 e reconstruída 200 anos depois. Uma iniciativa da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, tendo à frente o frei alemão Eckart Höfling, é o passo inicial para a recuperação dessa área vizinha à Praça Mauá, desprezada nos roteiros turísticos. Dona de cerca de 130 imóveis na região, que tem 40.000 habitantes, a congregação vem reformando seu patrimônio para abrigar obras sociais e cursos profissionalizantes. No sábado (22) será inaugurado o anexo da escola Padre Francisco da Motta, com quadra de esporte e amplo refeitório. O local atende gratuitamente 750 crianças da comunidade. A verba para essa primeira etapa de revitalização é de 1,3 milhão de reais, obtida na Alemanha. A próxima etapa, orçada em 6,5 milhões de reais, terá a parceria do Iphan e prevê a restauração da Igreja São Francisco da Prainha e seu entorno, inclusive o sobrado conhecido como Palácio da Águias, onde serão realizadas as aulas teóricas dos cursos.

A revitalização do Morro da Conceição pode ser o primeiro passo para que a região vire um ponto turístico obrigatório, a exemplo do que ocorreu com o Pelourinho, em Salvador (veja quadro abaixo). Os dois locais guardam semelhanças. O bairro da Saúde, no sopé do Morro da Conceição, fazia parte da Pequena África do Rio, como ficou conhecida a região portuária carioca na virada do século XX, o principal destino dos escravos após a abolição. Além da importância histórica, a área foi fundamental na vida cultural da cidade, por ser berço do samba e reunir artistas como Pixinguinha, Donga e João da Baiana. Uma recuperação muito bem-vinda.

 

Exemplo que vem da Bahia

Fernando Vivas

A recuperação do Pelourinho pode servir de exemplo para os cariocas. Em 1991, o governo da Bahia iniciou o projeto de restauração de 600 imóveis da região, alguns até sob risco de desabamento. O conjunto arquitetônico dos séculos XVIII e XIX, tombado em 1985 pela Unesco como patrimônio da humanidade, ganhou novo colorido nas fachadas, e seus imóveis passaram a abrigar centros culturais, museus, lojas de artesanato e restaurantes. De área decadente, o Pelourinho virou uma imperdível atração para os mais de 500.000 turistas que desembarcam na capital baiana anualmente.

 

         
     
 
 
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