| |
| |  | |
NEGÓCIOS
Nas vitrines do mundo Coopa-Roca
exibe seu trabalho na Europa Telma
Alvarenga Fernanda
Calfat
 | | Vestido
de fuxicos, by Carlos Miele: mostra na Holanda |
Em
julho, seus bordados, fuxicos, crochês e patchworks arrancaram aplausos
em um desfile de grifes brasileiras e da francesa Cacharel no Parc de la Villette,
em Paris. As lojas da badalada grife Paul Smith, na Inglaterra, vendem suas bolsas.
O nome da Coopa-Roca, cooperativa de costureiras da Rocinha fundada há
vinte anos, começa a se firmar no restrito mundo da moda internacional.
Desde meados de setembro, a cooperativa exibe na Global Fashion/Local Tradition,
mostra internacional de moda em Utrech, na Holanda, peças produzidas em
parceria com as grifes Osklen, Lenny e com Carlos Miele, da M. Officer, seu maior
parceiro. "É um lindo trabalho. Para mim, uma experiência inspiradora",
diz Miele. "Fico orgulhoso de ver que elas estão progredindo."
Em novembro, o
nome da Coopa-Roca vai ecoar novamente na capital da França. Uma mostra
reunirá peças criadas por cinco jovens designers franceses que,
neste ano, fizeram estágio com as costureiras da Rocinha. Elas conquistam,
cada vez mais, parceiros internacionais. Deslumbrada com o desfile da Coopa-Roca
em Paris, Márcia Giraudy, brasileira que trabalha na Europa com grifes
sofisticadas como Chanel, Gaultier e Lagerfeld, criou protótipos com a
Coopa-Roca para mostrar a seus clientes. A
socióloga Maria Teresa Leal, a Tetê, coordenadora da cooperativa,
foi escolhida pela Skoll Foundation para fazer parte da série The New
Heroes. Por isso, um documentário sobre o trabalho das artesãs
da favela carioca foi exibido, em julho, na PBS, TV pública americana.
Tetê não se espanta em ver o trabalho desenvolvido em meio à
pobreza encantar o mundo fashion. "São circuitos antagônicos, mas,
por incrível que pareça, complementares", diz. O prestígio
é conquistado com muito trabalho. "Para nós, qualidade é
uma obsessão." |