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CIDADE
Dez curiosidades...
sobre
o Cristo Redentor Paulo
Marcos
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Em
homenagem à imagem-símbolo do Rio, que completa 74 anos, a cineasta
Bel Noronha lança o documentário Christo Redemptor, na noite
de quarta (12), num telão no sopé da estátua. Tataraneta
do criador do monumento, o carioca Heitor da Silva Costa, ela pesquisou durante
três anos. "Fiz um trabalho de Sherlock Holmes", diz ela. Eis dez histórias
do filme. 1
Na
concepção original, a estátua carregava uma bola na mão
e uma cruz na outra. Daí começaram a chamar o projeto de "Cristo
da bola". Entrou em cena o cardeal Sebastião Leme, com o pedido de que
o projeto fosse repensado e de longe o monumento pudesse ser percebido como símbolo
religioso. 2
A
concorrência para a construção do monumento foi aberta em
1921, e a idéia era que a estátua do Cristo ficasse pronta no ano
seguinte, na data exata do centenário da Independência. No entanto,
a inauguração ocorreu quase uma década depois do previsto,
no dia 12 de outubro de 1931. 3
"Embora
muito se apregoe que o Cristo Redentor seja francês, ele é brasileiríssimo",
diz Bel Noronha. O mito francês surgiu porque a maquete foi desenvolvida
por Heitor em Paris, e os cálculos estruturais ficaram a cargo do francês
Albert Caquot. Mas só isso. 4
As
pastilhas de pedra-sabão foram coladas em placas por voluntários
no Rio. Eles se reuniam em igrejas para o mutirão. Senhoras católicas
também organizavam chás em casa para atrair gente para o trabalho.
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Em
1926, o projeto estava praticamente concluído. Faltava escolher o material
de revestimento. Heitor cogitou usar pó de bronze, que daria ao monumento
o aspecto de um ponto escuro no céu. Mas, ao entrar numa galeria na Avenida
Champs Elysées, em Paris, ele viu uma fonte revestida de mosaico e veio
a idéia de usar pastilhas de pedra-sabão. 6
As
doações eram feitas nas igrejas, mas também se recolhia dinheiro
de porta em porta. O ex-presidente da Fifa João Havelange, na época
escoteiro mirim, foi um dos milhares de voluntários que pediram contribuições
nas ruas. 7
Outro
erro comum é atribuir a imagem a um presente do governo francês.
O custo do monumento foi quase todo bancado por doações de populares
no Brasil. Do total de 2 400 contos de réis, 200 contos vieram do governo
brasileiro. 8
Outra
revelação do filme: o inventor italiano Guglielmo Marconi realmente
mandou de Roma o sinal para iluminar o Cristo. Mas o sinal chegou fraco e teve
de ser amplificado na Companhia Radiotelegráfica antes de ser reenviado
ao alto do morro. 9
A
construção começou em 1926. Como não havia pistas
de rodagem no morro, todo o material da obra vergalhões, pedras,
cimento foi transportado no trem da Estrada de Ferro Corcovado.
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A
primeira vez em que se falou em pôr uma imagem religiosa no alto do Corcovado
foi no quarto final do século XIX. A sugestão partiu do padre lazarista
Pedro Maria Boss, que deu a idéia à princesa Isabel. Ela foi retomada
em 1921 pelo círculo católico. Não houve políticos
à frente do projeto. |