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12 de setembro de 2007

CULTURA

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MEU ESTILO

Michael Roberts

Marina Caruso

Selmy Yassuda
Diretor de estilo da revista Vanity Fair


Designer de arte, fotógrafo, crítico de moda e diretor de estilo da revista Vanity Fair, o inglês Michael Roberts é uma referência em suas múltiplas áreas de atuação. Estiloso e apaixonado pela cultura brasileira, há duas semanas ele veio ao Rio – pela segunda vez neste ano – fotografar os catálogos das grifes de Lenny Niemeyer e Carlos Miele. Entre um clique e outro, Roberts, que não gosta de falar sua idade, aproveitou para divulgar seu novo livro, Shoot in Sicily (Cliques na Sicília), que será lançado no Brasil em novembro, e ainda encontrou tempo de fotografar para seu próximo trabalho, You Are Only Young Once (Você Só É Jovem Uma Vez). Na suíte do hotel onde estava hospedado, no Leblon, ele conversou com Veja Rio.

Como o senhor definiria seu estilo?
Gosto de roupas confortáveis que sirvam para as diferentes situações e compromissos do dia. Algo que funcione pela manhã, se eu estiver terminando um desenho; ao meio-dia, num almoço de negócios; à tarde, numa reunião de trabalho; e à noite, num desfile de moda. Isso sem falar do jantar e da balada.

Que tipo de roupa é tão versátil assim?
Os ternos de algodão ou gabardine, bem como as cores azul-marinho e bege. Paletós de risca de giz também vão bem em diferentes situações.

E a gravata?
Tenho milhares de gravatas. Não conseguiria nem te dizer quantas. São muitas mesmo. Não costumo sair de casa sem elas. Atualmente estou usando só as fininhas, mas dos mais diferentes tecidos (caminha em direção ao guarda-roupa, de onde tira um punhado delas).

De onde é essa que o senhor está usando?
A gravata é Michael Tapia, o terno e o tênis são Brooks Brothers e a camisa comprei na Sicília.

O senhor está usando dois relógios de pulso?
Estou. Ambos são Swiss Army. É uma mania que herdei de uma amiga stylist. Um tem o horário de Nova York, e o outro, de Paris.

De onde vem esse senso estético?
Boa pergunta... Não é da minha mãe nem do meu pai. Acho que vem do meu avô. Ele era um senhor bem estiloso. Usava ternos e cachecóis.

Qual era a profissão dele?
Não sei. Avós, quando somos crianças, são apenas avós, não têm profissão.

O senhor se preocupa em seguir tendências?
Eu era muito, muito, muito fashion quando comecei a trabalhar em revistas de moda. Gostava de seguir as últimas tendências, de gastar todo o meu salário em roupas. Depois percebi que só quando você envelhece sabe, de fato, o que serve ou não. Usei várias coisas que hoje não usaria de jeito nenhum.

Então, quanto mais se experimenta, melhor se escolhe?
Exatamente. Há uma frase famosa que diz que estilo é uma forma de negação. Experimentar, filtrar, selecionar e filtrar de novo e de novo. Até que se chegue ao modelo perfeito. É por isso que eu tenho ternos e gravatas iguais, mudando apenas a cor ou a estampa. Estou, é bom que se diga, falando de mim. Cada um tem o seu jeito de vestir. Esse é o meu.

E como o senhor julga o jeito dos outros?
Não julgo nem ligo. Pouco me importa como os outros se vestem. Se as pessoas se sentem bem como estão, não me cabe julgar o mau gosto.

Na sua opinião, qual é a pior década da moda?
Sem dúvida, os anos 70. Era tudo horrível. Nem chique, como no início do século, nem hippie, como nos anos 60. Eram tecidos toscos, modelos feios, cores horrendas. E, especialmente, cabelos idiotas.

Quem, no showbiz, é chique?
Ninguém. Não há famosos chiques hoje em dia. Todos se vestem muito mal. Também, pudera, eles não se dão ao trabalho de escolher as próprias roupas. Preferem pagar um pessoa para fazer isso.

Muita gente achou ofensiva a reportagem que a Vanity Fair de setembro publicou sobre o Brasil. O senhor acompanhou essa repercussão?
O artigo foi escrito por um jornalista polêmico, de texto ácido, daí a analogia de que o Brasil está para o bumbum assim como os Estados Unidos estão para os seios. Mas isso em momento algum me pareceu depreciativo. Chamei Mario Testino para fotografar e convidei dezenas de celebridades brasileiras para posar com a intenção de homenagear o espírito festeiro do Brasil. Lamento se pareceu ofensivo. Para mim, era uma homenagem, não uma crítica.

O senhor vem ao Rio com freqüência. É verdade que gostaria de comprar um apartamento aqui?
Dois anos atrás diria que sim. Mas, quanto mais procuro, mais fico chocado com os preços. Morar de frente para o mar no Leblon – sim, porque Copacabana não faz meu estilo, é cafona, muito turística – é mais caro que morar no melhor lugar de Manhattan.

O senhor já sofreu preconceito por ser negro?
Nos Estados Unidos, pior do que ser negro é ser britânico (risos). E no mundo da moda, há algumas décadas, pior do que ser negro, ou britânico, era ser homem! Para você ter uma idéia, quando comecei a ilustrar artigos de moda, nunca assinavam Michael Roberts, era sempre um pseudônimo feminino, inventado para me disfarçar.

         
     

 

 
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