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12 de setembro de 2007

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Com variadíssima programação, uma
multidão de visitantes e a presença
de nomes consagrados, a Bienal do
Livro entra no rol das grandes festas
da cidade

Livia de Almeida e Sofia Cerqueira

 
Gustavo Stephan/Agência O Globo
A Bienal de 2005: "O carioca se apossou do evento", diz a escritora Ana Maria Machado


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Dez boas novidades

Tamanho é documento, sim. Em sua 13ª edição, a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro pode orgulhar-se de fazer parte dos grandes acontecimentos da cidade, do tipo que atrai multidões, como o réveillon e o Carnaval. A partir de quinta (13), durante onze dias, a expectativa dos organizadores é que 600 000 pessoas visitem o Riocentro e se esbaldem pelos 55 000 metros quadrados de área da feira, que reúne 950 expositores – do autor independente em seu boxe modesto ao megaestande de 600 metros quadrados da Associação Brasileira de Editoras Universitárias. Mais do que garimpar títulos raros, lançamentos ou pechinchas, o que leva tanta gente até a Bienal é sua variadíssima programação cultural, desta vez ainda mais encorpada. Haverá 133 sessões, com a presença de 326 autores, entre talk-shows literários, debates, homenagens e um pocket-show com a banda Paralamas do Sucesso.

Divulgação
Lygia Fagundes Telles: nova obra


Além de ser gigantesca, a feira tem a capacidade de reunir escritores de todos os tipos e tendências. Estarão lá, quase lado a lado, os romancistas Lygia Fagundes Telles e Antonio Torres, o cronista Luis Fernando Verissimo, o teledramaturgo Gilberto Braga, o rabino Nilton Bonder e a autora espiritualista Zibia Gasparetto. Aos brasileiros, juntam-se 21 convidados internacionais, entre eles Markus Zusak, autor do best-seller A Menina que Roubava Livros, e a cabeleireira Deborah Rodriguez, de O Salão de Beleza de Cabul. "A Bienal do Rio não é somente uma feira de livros: é um espetáculo", define o presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Paulo Rocco. "O carioca se apossou do evento", analisa a escritora Ana Maria Machado, que participa da mostra desde o tempo em que os expositores se amontoavam em salões do Copacabana Palace, como ocorreu na primeira edição, em 1983. "Deixou de ser um acontecimento promocional da indústria editorial e virou uma festa. Vejo adolescentes que marcam de se encontrar lá nos fins de semana."

Dar a oportunidade ao leitor de ver de perto seu escritor favorito é uma das chaves do sucesso da programação cultural. Nos fins de semana é possível chegar às 10h e emendar atividades até as 22h. Nenhum espaço da festa é mais disputado por autores e pelo público que o Café Literário, organizado desde 1999 pela historiadora Rosa Maria Araújo, presidente do Museu da Imagem e do Som. "É como se fosse uma sala de visitas, um descontraído talk-show", descreve ela, que conseguiu criar um ambiente atraente até para os introvertidos de carteirinha. Tanto que o gaúcho Luis Fernando Verissimo não deixa de participar. "A experiência é uma delícia", diz a escritora Adriana Falcão, apoiada pelo psicanalista e autor de tramas policiais Luiz Alfredo Garcia-Roza. "Não tem aquela cara de conferência. É um encontro sem salto alto entre autores e leitores", explica ele. "Há uma certa desarrumação que não é sinônimo de bagunça." Alguns encontros fogem ao convencional. Na Bienal de 2005, João Ubaldo Ribeiro dividiu o palco com o então técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, para falar de futebol. Agora, João Ubaldo estará acompanhado do poeta Geraldo Carneiro, no domingo (16), com carta-branca para discorrer sobre o que lhe der na telha.

Além de fazer a curadoria do Café Literário, Rosa Maria Araújo responde pelo Fórum de Debates, pelo Jirau de Poesia e por uma novidade na programação, a Esquina do Leitor. "Será um espaço de maior interatividade com o público", diz. Nos quatro primeiros dias de Bienal, acontecerá no local a série denominada Opinião, em que dois convidados expressam visões antagônicas sobre temas polêmicos. No domingo (16), às 14h, o ateu convicto Ferreira Gullar debate sobre a existência de Deus com o teólogo Rubem Alves. Auxiliados por um aparelho eletrônico, os espectadores poderão votar e acompanhar a opinião da platéia em um painel. Autores estrangeiros como a gossip girl Cecily von Ziegesar também terão encontros com o público na Esquina do Leitor, com tradução simultânea.

 
Divulgação
O badalado Café Literário, em 2001: salão de 600 lugares aproxima escritores e leitores

Outra novidade da programação cultural é o Botequim Filosófico, sala comandada por Guiomar de Grammont, diretora do Instituto de Filosofia, Artes e Cultura da Universidade de Ouro Preto. "Vamos discutir de forma leve grandes questões contemporâneas: meio ambiente, a esperança no futuro, o narcisismo", explica. A colunista de VEJA Lya Luft, autora de Perdas e Danos, abre os trabalhos na quinta (13), às 19h. Ela fala sobre a dor. Em mesinhas, a platéia acompanhará o bate-papo com chope e petiscos de um boteco de verdade, operado pela rede Espelunca Chic. Habitualmente introvertida, Lya é experiente em Bienais e costuma se espantar com as calorosas manifestações dos leitores. "Já houve ocasião em que os organizadores tiveram de me cercar de seguranças para que eu pudesse sair tranqüila", recorda-se. "É um pouco estranho, mas é um impulso de grande afeto."

Desde 1999, a Bienal é realizada no primeiro semestre. Neste ano, como o Riocentro sediou competições dos Jogos Pan-Americanos, a festa teve de ser transferida para setembro. Foi um bom negócio para o público, que vai encontrar um centro de convenções todo recauchutado. "O Riocentro está mais bonito, bem arrumado e com novo sistema de refrigeração", garante Andréa Repsold, vice-presidente da Fagga, empresa que organiza a feira. Uma das melhorias é a ampliação da área de estacionamento, que em edições anteriores não dava vazão ao público nos fins de semana. Haverá, inclusive, uma área vip com manobrista (R$ 14,00). Outra facilidade herdada do Pan é a linha de ônibus entre o terminal Alvorada, na Barra, e o Riocentro. "É incrível como a Bienal consegue tirar um monte de gente da praia para ir a um ambiente fechado, e ainda achar bacana", diz o humorista Hélio de La Peña, do grupo Casseta & Planeta. Ou como observa o cartunista Chico Caruso: "Além de ser uma oportunidade de estar em contato com os escritores e trocar idéias, é um lugar onde se pode conhecer gente jovem e bonita, não só por seus corpinhos, mas por suas idéias".

XIII Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Avenida Salvador Allende, 6555 (Riocentro), Jacarepaguá,
2431-4000. De 13 a 23 de setembro. 9h/22h (sáb. e dom. abre 10h; sex. e sáb. até 23h). R$ 10,00. Cc.: todos. Cd.: todos. Pontos-de-venda: Posto BR Charanga Plus, Avenida Rui Barbosa, s/nº, Flamengo: 8h/21h; Posto BR Piraquê, Avenida Borges de Medeiros, Lagoa: 8h/21h; Posto BR Bougainville, Rua Uruguai com Maxwell: 8h/21h. Venda na internet em www.ingresso.com.br. Estac. (R$ 10,00). www.bienaldolivro.com.br. Abertura prevista para quinta (13) às 12h.

 

Atrações internacionais

Fotos Divulgação
A americana Cecily von Ziegesar: sucesso com a série Gossip Girl

Markus Zusak: autor de A Menina que Roubava Livros lança seu segundo título no país

Deborah Rodriguez: a cabeleireira de Cabul fala da vida sob o regime talibã


O que tem o shopping literário

364 editoras e 950 expositores

20 milhões de reais em investimento, com faturamento esperado de 42 milhões de reais

600 000 pessoas é a expectativa de público

100 000 títulos estarão disponíveis – 1 000 deles em lançamento

2 milhões é a quantidade de livros nos estandes no primeiro dia. Durante a feira, eles serão repostos

2 milhões de exemplares é a estimativa de vendas

326 autores integram a programação oficial, sendo 21 estrangeiros

55 000 metros quadrados de área, em 3 pavilhões

600 metros quadrados tem o maior estande, da Associação Brasileira de Editoras Universitárias (Abeu)



Um pequeno guia para seis tipos de visitante

Se você quer apenas bisbilhotar lançamentos e raridades ou se vai ao Riocentro em busca da badalação de ver e ouvir autores famosos, saiba como aproveitar da melhor maneira a festa das letrinhas.

O FUÇADOR

Ilustrações Negreiros


Os garimpeiros de raridades vão se divertir na Bienal, especialmente nos primeiros dias. Para eles, o horário mais indicado é o fim da tarde, depois da partida dos ônibus escolares, que devem levar à feira 170 000 alunos. "Não há melhor hora para revirar as estantes", afirma o jornalista Arthur Dapieve, que recomenda os estandes de sebos. Mesmo nas grandes editoras podem-se pinçar obras dificilmente encontradas nas lojas, porque na feira elas colocam à venda boa parte de seus catálogos.

O BADALADOR

O grande momento para fazer uma social é nas tardes dos fins de semana, quando os pavilhões fervilham. Nesse período, a programação tem seu ponto alto, com alguns dos convidados mais esperados. Entre eles, os brasileiros Luis Fernando Verissimo, João Ubaldo Ribeiro e Lygia Fagundes Telles, o australiano Markus Zusak (A Menina que Roubava Livros) e a gossip girl americana Cecily von Ziegesar. Chegue cedo para garantir a senha de acesso às palestras, distribuídas uma hora antes da sessão. Trata-se do lugar ideal para ver e ser visto.

O FAMÍLIA

Para não padecer no paraíso, os pais acompanhados dos filhos devem optar pelas manhãs de sábado ou domingo. A programação oficial tem poucas atividades para as crianças, ao contrário das editoras voltadas para o nicho infanto-juvenil, que oferecem oficinas de arte, contação de histórias e encontros com autores. É o caso da Ática, que montou uma movimentada agenda nos fins de semana, das 10h às 20h. Ou da Ediouro, que exibirá em seu estande curiosidades anunciadas como os maiores jogos de caça-palavras (18 000 letras) e de palavras cruzadas do mundo. Para evitar o stress das filas nos restaurantes, procure fazer a refeição em torno do meio-dia.

O CAÇADOR DE AUTÓGRAFOS

Quem é do tipo que não se importa em passar horas na fila para garantir o jamegão de seu autor favorito pode ir preparando o livro e o coração. Há sessões de dedicatórias nas editoras e na Praça de Autógrafos. Ziraldo, um recordista no assunto, diz que chegou a assinar mais de 2 000 exemplares em 1995. Ele estará no espaço da Melhoramentos nos fins de semana, às 15h. Lya Luft, na quinta (13), às 20h, e Tony Bellotto, na sexta (20), às 19h, são duas atrações da Praça de Autógrafos. Cada autor estabelece seu limite de dedicatórias.

O ESTREANTE

Para os que vão à Bienal pela primeira vez, é aconselhável planejar a visita, tendo nas mãos a programação e um mapa. Afinal, a feira ocupa três pavilhões do centro de convenções, com centenas de atrações. "O barato é ir sem hora para voltar", sugere o músico e escritor Tony Bellotto. "E passear, ver um debate, fuçar as prateleiras, encontrar coisas que nem imaginava que existiam." Como se pode caminhar quilômetros pelos corredores, vá com calçados confortáveis. Outro aviso aos novatos: nos fins de semana nublados ou de chuva, o Riocentro enche de gente já pela ma-nhã.

O SOSSEGADO

Os espíritos mais sensíveis à agitação, que adoram literatura mas detestam algazarra, devem ir ao Riocentro nos dias de semana, logo depois das 17h. No intervalo entre a tarde e o começo da noite, o movimento é mais calmo pelos corredores, justamente porque os estudantes já foram embora e ainda não deu tempo de a turma que vai direto do trabalho chegar. Evite as áreas socioculturais, como Café Literário, Botequim Filosófico e Praça de Autógrafos.



Vinte debates que prometem

A verdade sobre Cabul – Palestra com Deborah Rodriguez (A Cabeleireira de Cabul), Shah Muhammad Rais (o livreiro de Cabul que inspirou o best-seller de Asne Seierstad) e Yasmina Khadra (As Sirenas de Cabul). Auditório Machado de Assis, quinta (13), às 18h.

A dor: o homem está menos preparado para a perda? – Lya Luft (Perdas e Danos) abre o novíssimo Botequim Filosófico. Quinta (13), às 19h

Amigos para sempre – Os integrantes do Casseta & Planeta prometem lembrar o humorista Bussunda, sem perder a graça. Café Literário, quinta (13), às 20h.

O que é melhor: estudar ou trabalhar? – O cartunista Chico Caruso e o jornalista Zeca Camargo examinam o dilema na série interativa da Esquina do Autor. Sexta (14), às 18h.

Ariano Suassuna – Homenagem ao escritor, que promete estar presente. Auditório Machado de Assis, sexta (14), às 18h.

Gossip girl – Autora da série que terá seu sétimo volume lançado na Bienal, a americana Cecily von Ziegesar bate um papo com o público. Um prato cheio para as adolescentes. Esquina do Leitor, sábado (15), às 16h.

Markus Zusak – O australiano criador do best-seller A Menina que Roubava Livros é uma das atrações da feira. Auditório Clarice Lispector, sábado (15), às 17h.

Pessoas e personagens – Adriana Lisboa e Luis Fernando Verissimo desfiam a relação entre o autor e seus protagonistas. Café Literário, sábado (15), às 19h.

As mil encarnações do Brasil – Debate que reúne o poeta Geraldo Carneiro e João Ubaldo Ribeiro. Café Literário, domingo (16), às 16h.

Encontro de mestres – Com a presença dos arquitetos Oscar Niemeyer e Ricardo Legorreta, mexicano. Auditório Machado de Assis, terça (18), às 17h.

Paralamas do Sucesso – Para badalar a biografia da banda, escrita por Arthur Dapieve e Maurício Valladares, os músicos Herbert Vianna, João Barone e Bi Ribeiro conversam com a platéia e fazem um pocket-show. Auditório Machado de Assis, quarta (19), às 19h.

Na pista dos culpados: o romance policial – Escritores especialistas no tema, Cláudia Mattos, Luiz Alfredo Garcia-Roza e Tony Bellotto discutem a renovação do gênero. Café Literário, sexta (21), às 18h.

Gabriel García Márquez – Cássia Kiss, Eric Nepomuceno e Ruy Guerra lêem trechos das obras do escritor colombiano. Auditório Machado de Assis, sexta (21), às 18h.

Brincando com personagens: Ziraldo e sua turma – Um dos autores infanto-juvenis mais populares do país encontra seu público de todas as idades. Esquina do Leitor, sábado (22), às 15h.

Cinema e literatura – Debate com os cineastas Cacá Diegues e Daniel Filho e os críticos Luiz Carlos Merten e Rodrigo Fonseca. Fórum de Debates, sábado (22), às 15h.

Lirismo e memória – Lygia Fagundes Telles é garantia de boas tiradas, na companhia do poeta português Manuel Alegre. Esquina do Leitor, sábado (22), às 17h.

A arte do espetáculo: escrever para a TV – Às vésperas do fim de Paraíso Tropical, Gilberto Braga une-se a Silvio de Abreu para falar sobre o ofício de fazer novela. Café Literário, sábado (22), às 20h.

Amigos para sempre – Biógrafo do falecido poeta, o jornalista José Castello aborda vida e obra de João Cabral de Melo Neto. Café Literário, domingo (23), às 13h.

O Império contra-ataca: 200 anos da chegada da família real – Alberto da Costa e Silva, Laurentino Gomes, Clóvis Bulcão e Lilia Schwarcz são alguns dos autores que falam sobre a vinda da corte portuguesa para o Rio. Auditório Clarice Lispector, domingo (23), às 14h.

As vozes da cidade: os tipos do Rio – João Carlos Rodrigues, Joaquim Ferreira dos Santos, Scarlet Moon e Zuenir Ventura retratam personagens cariocas. Café Literário, domingo (23), às 16h.

         
     

 

 
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