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12 de julho de 2006

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REPORTAGEM DE CAPA

Volta ao mundo em 400 filmes

A programação do 14º Anima Mundi exibe a produção de quarenta países

Rogério Durst

 
Divulgação

Minuscule: série francesa sobre o universo de criaturas minúsculas é uma das atrações do festival


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O pólo carioca

A joaninha acima é a adorável protagonista de um episódio de Minuscule, série de desenhos do francês Thomas Szabo. Atração do Anima Mundi deste ano, Minuscule retrata o cotidiano de diminutas criaturas num universo, claro, minúsculo. Tudo muito diferente das proporções que o festival internacional de animação assumiu nos últimos anos. Depois de receber 60 112 espectadores no Rio no ano passado, o evento chega à edição 2006, a 14ª, na sexta (14), e, ao longo de dez dias, vai exibir 433 filmes de quarenta países, selecionados entre 1 270 títulos inscritos.

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BANQUISE de Cédric Louis e Claude Barras. Suíça, 2006.
Estação Botafogo 1,
sexta (14), 18h.

Entre as atrações escaladas há grandes nomes da animação internacional, como o americano Bill Plympton, cujo amalucado personagem do curta Guide Dog é símbolo do Anima Mundi 2006; a inglesa Joanna Quinn, que comparece com Dreams and Desires – Family Ties; e os estúdios Aardman, Disney e Dreamworks. Ian Mackinon, responsável pelos bonecos do longa A Noiva-Cadáver, de Tim Burton, é convidado para uma sessão de filmes e bate-papo no dia 17 e promete trazer uma de suas criaturas. Para ver isso tudo, o público tem disponíveis seis espaços de exibição, as salas de cinema e vídeo e o Teatro 2 do CCBB, a sala 1 do Estação Botafogo, o enorme Odeon, com 600 lugares, a festiva tenda da Praça Animada, no Centro Cultural Correios, e a Casa França-Brasil funcionando como sede de oficinas e eventos (veja programação em Cinemas). Para os aficionados, o Anima Mundi é como uma Copa do Mundo que acontece todo ano logo ali no Centro da cidade. Só que aqui o Brasil tem participação maiúscula, com 66 filmes selecionados para a final. Do lote nacional se destaca a produção do Rio de Janeiro (veja na reportagem O pólo carioca), com dezoito títulos, incluindo o esperado novo curta de Allan Sieber, Santa de Casa.

 
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TEM UM DRAGÃO NO MEU BAÚ de Rosaria. Brasil, 2005.
Sala de Cinema, CCBB,
sábado (15), 14h.

O Anima Mundi já foi ainda maior, pelo menos em número de filmes exibidos – chegou a 612 em 2004. Há dois anos, os diretores decidiram tornar mais rigorosa a seleção, mostrar menos títulos e investir na qualidade das programações e na infra-estrutura de exibição. "Desistimos de exibir por exibir", conta César Coelho, responsável pelo festival ao lado de três outros veteranos da animação, Aida Queiroz, Léa Zagury e Marcos Magalhães. "Foi o que ocorreu neste ano com a mostra de longas. A oferta foi mais fraca que em anos anteriores, e decidimos exibir apenas três filmes novos fora de competição e alguns outros títulos em sessões-homenagem." Os longas-metragens selecionados são o infantil nacional Brichos, o dinamarquês Terkel in Trouble e o também nacional, nada infantil, ainda inédito mas já badalado, Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock'n'Roll, desenho de Otto Guerra baseado nos quadrinhos de Angeli que já rendeu até prêmio de melhor atriz coadjuvante para Rita Lee, dublando a personagem Rê Bordosa.

 
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O PRIMEIRO JOÃO de André Castelão. Brasil, 2006.
Praça Animada,
Centro Cultural Correios, sexta (14), 13h.

Nunca é demais frisar que, com seu grande universo de bichinhos em movimento, o Anima Mundi não é coisa de criança. O objetivo do festival é exibir o que há de mais significativo na produção internacional atual de animação, e boa parte disso é de trabalhos com temática para lá de adulta, incluindo sexo, drogas e violência. Mas os menores não têm do que reclamar, já que a edição de 2006 traz uma das melhores seleções infantis dos últimos anos. Entre os internacionais, um grande destaque é o belo e tristíssimo A Vendedora de Fósforos, adaptação do conto de Andersen e canto do cisne do núcleo de animação em 2D (aquela técnica dos desenhos animados tradicionais) dos Estúdios Disney, que está para ser desativado. Entre os brasileiros chama atenção o singelo, e extremamente bem-acabado, primeiro trabalho de Rosaria, Tem um Dragão no Meu Baú. Fora da programação exclusivamente infantil, e recomendadíssimo para as crianças, é obrigatório ver um gracioso exercício de computação gráfica da Dreamworks chamado First Flight, no qual um burocrata infeliz ensina um filhote de passarinho a voar.

 
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SANTA DE CASA de Allan Sieber. Brasil, 2006.
Praça Animada,
Centro Cultural Correios, sexta (14), 11h.

O já citado Santa de Casa, de Allan Sieber, é uma superprodução, que demorou mais de três anos para ficar pronta, baseada em conto de Aldir Blanc, que participa do "elenco" do curta ao lado de outros personagens cariocas, como Jaguar e Fausto Wolff. Além desses três, que fazem as respectivas vozes, o filme traz na dublagem os atores Tonico Pereira, Antônio Grassi, Stephan Nercessian e Paulo César Pereio e mostra um sofisticadíssimo trabalho na animação de um divertido bloco carnavalesco. Santa de Casa é um dos destaques da seleção nacional deste ano. Há outros, como o ótimo trabalho de estréia de André Castelão, O Primeiro João, sobre um "causo" da juventude do jogador Mané Garrincha, e a impressionante mistura de técnicas, incluindo manipulação de bonecos, de Tyger, de Guilherme Marcondes. Carlos Eduardo Nogueira, destaque em 2004 com Desirella, comparece com um comprido curta, a colorida computação gráfica Yansan.

 
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KEIN PLATZ FÜR GEROLD de Daniel Nocke.
Alemanha, 2006. Odeon, sexta (14), 15h30.

Vitrine e ponto de encontro dos profissionais brasileiros, que vêm em peso para o evento e fazem a festa na Rua Visconde de Itaboraí, aquela que fica entre o CCBB e a Casa França-Brasil, o Anima Mundi é, na opinião de boa parte desses animadores, acima de tudo uma oportunidade única de assistir a produções internacionais que não passam em nenhum outro lugar. Filmes como a produção francesa realizada pela portuguesa Regina Pessoa História Trágica com Final Feliz. Premiado no último festival de animação de Anecy, o mais importante da Europa, o curta em tristonho preto-e-branco conta a história de uma menina com coração e alma de pássaro. A Alemanha comparece com dois daqueles títulos que fazem da animação muito mais do que um programa infantil. Em Kein Platz für Gerold (Não Há Lugar para Gerold), de Nocke, quatro amigos que dividem um apartamento, um rinoceronte, um hipopótamo, um jacaré e uma corça animados por computador, discutem a relação na mesa da cozinha. Já Mr. Schwartz, Mr. Hazen & Mr. Horlocker, de Stefan Mueller, é um hilariante flagrante de sadomasoquismo, tráfico e consumo de drogas num pacato prédio de apartamentos.

 
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YANSAN de Carlos Eduardo Nogueira. Brasil, 2006.
Estação Botafogo 1, sexta (14), 16h.

Também vem da Alemanha o esquisitão Apple on a Tree, de Astrid Rieger e Zeljko Vidovic, em que atores inseridos no computador fazem o papel de nuvens, árvores, grama e frutas. Da Suíça vem Banquise, de Cédric Louis e Claude Barras, delicada animação de recorte em computador na qual uma menina sonha viver num lugar frio. O sueco Never Like the First Time! (Aldrig Som Först a Gângen!), de Jonas Odell, é um incomum documentário em que pessoas contam sua experiência com a primeira relação sexual, uma aventurosa, uma violenta, uma melancólica e uma romântica, que são animadas cada uma com forma e técnica diferentes. Strom, produção da República Checa realizada por David Sukup, é um dos vários filmes deste ano que revivem uma técnica até pouco tempo atrás quase em desuso, o pixilation, ou seja, animação quadro a quadro de atores. Uma comédia maluca em que dois lenhadores disputam o direito de cortar uma árvore.

 

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A VENDEDORA DE FÓSFOROS de Roger Allers. EUA, 2006.
Praça Animada, Centro
Cultural Correios, sexta (14), 15h.

Para os curiosos, outra forma de aproveitar o festival é conferir a produção de países sem tradição na área – que têm presença significativa neste ano. É o caso do México, que traz como maior atração El Octavo Dia, la Creación, de Juan J. Medina e Rita Basulto, produção do diretor de cinema Guillermo del Toro (de Blade 2 e Hellboy). Bem ao estilo que caracteriza o diretor, a história de animação de bonecos traz um deus bizarro dando vida a monstros no início da criação. A Estônia, ex-república da URSS, comparece com três filmes, incluindo o simpático infantil A Cobrinha Míope.

 
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DREAMS AND DESIRES – FAMILY TIES de Joanna Quinn. Inglaterra, 2006.
Odeon, sexta (14), 12 horas.

E, como já é tradição, o Anima Mundi mostra a fita vencedora do Oscar de curta-metragem do ano passado, The Moon and the Son, de Jonh Canemaker e Peggy Stern. "Desde o primeiro festival, em 1993, sempre conseguimos exibir o vencedor do Oscar de curta e outros indicados ao prêmio", conta o diretor César Coelho." Às vezes, também, o Anima Mundi dá ao espectador o privilégio de assistir a um filme antes de seu estouro mundo afora. Foi o caso, logo na primeira edição, de Wallace & Gromit in Wrong Trousers, que ganhou o Oscar no ano seguinte. A situação se repetiu em 2001 com For the Birds, premiado no festival e ganhador do Oscar em 2002. Será que o vencedor do Oscar de 2007 está no próximo Anima Mundi? "A Vendedora de Fósforos, da Disney, e First Flight, da Dreamworks, têm grande chance. Mas, como Oscar de curtas de animação não é tão politizado como o de longa e, normalmente, o resultado se baseia mais em qualidade, eu preferiria apostar minhas fichas nos ótimos História Trágica com Final Feliz, da portuguesa Regina Pessoa, e Dreams and Desires – Family Ties, da britânica Joanna Quinn", diz César. Bom programa.

 
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TYGER de Guilherme Marcondes. Brasil, 2006.
Estação Botafogo 1, sexta (14), 18 horas.

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MR. SCHWARTZ, MR. HAZEN & MR. HORLOCKER de Stefan Mueller. Alemanha, 2006.
Estação Botafogo 1, sexta (14), 20 horas.

 

     
   

 

 
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