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REPORTAGEM DE CAPA
Volta ao mundo em 400 filmes A programação do 14º Anima Mundi
exibe a produção de quarenta países Rogério Durst Divulgação
 | Minuscule:
série francesa sobre o universo
de criaturas minúsculas é
uma das atrações do festival |
A
joaninha acima é a adorável protagonista de um episódio de
Minuscule, série de desenhos do francês Thomas Szabo. Atração
do Anima Mundi deste ano, Minuscule retrata o cotidiano de diminutas criaturas
num universo, claro, minúsculo. Tudo muito diferente das proporções
que o festival internacional de animação assumiu nos últimos
anos. Depois de receber 60 112 espectadores no Rio no ano passado, o evento chega
à edição 2006, a 14ª, na sexta (14), e, ao longo de
dez dias, vai exibir 433 filmes de quarenta países, selecionados entre
1 270 títulos inscritos. Divulgação
 | BANQUISE
de
Cédric Louis e Claude Barras. Suíça, 2006. Estação
Botafogo 1, sexta (14),
18h. |
Entre
as atrações escaladas há grandes nomes da animação
internacional, como o americano Bill Plympton, cujo amalucado personagem do curta
Guide Dog é símbolo do Anima Mundi 2006; a inglesa Joanna
Quinn, que comparece com Dreams and Desires Family Ties; e os estúdios
Aardman, Disney e Dreamworks. Ian Mackinon, responsável pelos bonecos do
longa A Noiva-Cadáver, de Tim Burton, é convidado para uma
sessão de filmes e bate-papo no dia 17 e promete trazer uma de suas criaturas.
Para ver isso tudo, o público tem disponíveis seis espaços
de exibição, as salas de cinema e vídeo e o Teatro 2 do CCBB,
a sala 1 do Estação Botafogo, o enorme Odeon, com 600 lugares, a
festiva tenda da Praça Animada, no Centro Cultural Correios, e a Casa França-Brasil
funcionando como sede de oficinas e eventos (veja
programação em Cinemas). Para os aficionados, o Anima Mundi
é como uma Copa do Mundo que acontece todo ano logo ali no Centro da cidade.
Só que aqui o Brasil tem participação maiúscula, com
66 filmes selecionados para a final. Do lote nacional se destaca a produção
do Rio de Janeiro (veja na reportagem O
pólo carioca), com dezoito títulos, incluindo o esperado
novo curta de Allan Sieber, Santa de Casa. Divulgação
 | TEM
UM DRAGÃO NO MEU BAÚ de
Rosaria. Brasil, 2005. Sala de Cinema, CCBB, sábado
(15), 14h. |
O
Anima Mundi já foi ainda maior, pelo menos em número de filmes exibidos
chegou a 612 em 2004. Há dois anos, os diretores decidiram tornar
mais rigorosa a seleção, mostrar menos títulos e investir
na qualidade das programações e na infra-estrutura de exibição.
"Desistimos de exibir por exibir", conta César Coelho, responsável
pelo festival ao lado de três outros veteranos da animação,
Aida Queiroz, Léa Zagury e Marcos Magalhães. "Foi o que ocorreu
neste ano com a mostra de longas. A oferta foi mais fraca que em anos anteriores,
e decidimos exibir apenas três filmes novos fora de competição
e alguns outros títulos em sessões-homenagem." Os longas-metragens
selecionados são o infantil nacional Brichos, o dinamarquês
Terkel in Trouble e o também nacional, nada infantil, ainda inédito
mas já badalado, Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock'n'Roll,
desenho de Otto Guerra baseado nos quadrinhos de Angeli que já rendeu até
prêmio de melhor atriz coadjuvante para Rita Lee, dublando a personagem
Rê Bordosa. Divulgação
 | O
PRIMEIRO JOÃO de
André Castelão. Brasil, 2006. Praça Animada,
Centro Cultural Correios,
sexta (14), 13h. |
Nunca
é demais frisar que, com seu grande universo de bichinhos em movimento,
o Anima Mundi não é coisa de criança. O objetivo do festival
é exibir o que há de mais significativo na produção
internacional atual de animação, e boa parte disso é de trabalhos
com temática para lá de adulta, incluindo sexo, drogas e violência.
Mas os menores não têm do que reclamar, já que a edição
de 2006 traz uma das melhores seleções infantis dos últimos
anos. Entre os internacionais, um grande destaque é o belo e tristíssimo
A Vendedora de Fósforos, adaptação do conto de Andersen
e canto do cisne do núcleo de animação em 2D (aquela técnica
dos desenhos animados tradicionais) dos Estúdios Disney, que está
para ser desativado. Entre os brasileiros chama atenção o singelo,
e extremamente bem-acabado, primeiro trabalho de Rosaria, Tem um Dragão
no Meu Baú. Fora da programação exclusivamente infantil,
e recomendadíssimo para as crianças, é obrigatório
ver um gracioso exercício de computação gráfica da
Dreamworks chamado First Flight, no qual um burocrata infeliz ensina um
filhote de passarinho a voar. Divulgação
 | SANTA
DE CASA de
Allan Sieber. Brasil, 2006. Praça Animada, Centro
Cultural Correios, sexta (14), 11h. |
O
já citado Santa de Casa, de Allan Sieber, é uma superprodução,
que demorou mais de três anos para ficar pronta, baseada em conto de Aldir
Blanc, que participa do "elenco" do curta ao lado de outros personagens cariocas,
como Jaguar e Fausto Wolff. Além desses três, que fazem as respectivas
vozes, o filme traz na dublagem os atores Tonico Pereira, Antônio Grassi,
Stephan Nercessian e Paulo César Pereio e mostra um sofisticadíssimo
trabalho na animação de um divertido bloco carnavalesco. Santa
de Casa é um dos destaques da seleção nacional deste
ano. Há outros, como o ótimo trabalho de estréia de André
Castelão, O Primeiro João, sobre um "causo" da juventude
do jogador Mané Garrincha, e a impressionante mistura de técnicas,
incluindo manipulação de bonecos, de Tyger, de Guilherme
Marcondes. Carlos Eduardo Nogueira, destaque em 2004 com Desirella, comparece
com um comprido curta, a colorida computação gráfica Yansan.
Divulgação
 | KEIN
PLATZ FÜR GEROLD de
Daniel Nocke. Alemanha, 2006. Odeon, sexta (14), 15h30. |
Vitrine
e ponto de encontro dos profissionais brasileiros, que vêm em peso para
o evento e fazem a festa na Rua Visconde de Itaboraí, aquela que fica entre
o CCBB e a Casa França-Brasil, o Anima Mundi é, na opinião
de boa parte desses animadores, acima de tudo uma oportunidade única de
assistir a produções internacionais que não passam em nenhum
outro lugar. Filmes como a produção francesa realizada pela portuguesa
Regina Pessoa História Trágica com Final Feliz. Premiado
no último festival de animação de Anecy, o mais importante
da Europa, o curta em tristonho preto-e-branco conta a história de uma
menina com coração e alma de pássaro. A Alemanha comparece
com dois daqueles títulos que fazem da animação muito mais
do que um programa infantil. Em Kein Platz für Gerold (Não
Há Lugar para Gerold), de Nocke, quatro amigos que dividem um apartamento,
um rinoceronte, um hipopótamo, um jacaré e uma corça animados
por computador, discutem a relação na mesa da cozinha. Já
Mr. Schwartz, Mr. Hazen & Mr. Horlocker, de Stefan Mueller, é
um hilariante flagrante de sadomasoquismo, tráfico e consumo de drogas
num pacato prédio de apartamentos. Divulgação
 | YANSAN
de Carlos Eduardo
Nogueira. Brasil, 2006. Estação Botafogo 1, sexta (14), 16h.
|
Também
vem da Alemanha o esquisitão Apple on a Tree, de Astrid Rieger e
Zeljko Vidovic, em que atores inseridos no computador fazem o papel de nuvens,
árvores, grama e frutas. Da Suíça vem Banquise, de
Cédric Louis e Claude Barras, delicada animação de recorte
em computador na qual uma menina sonha viver num lugar frio. O sueco Never
Like the First Time! (Aldrig Som Först a Gângen!), de Jonas Odell,
é um incomum documentário em que pessoas contam sua experiência
com a primeira relação sexual, uma aventurosa, uma violenta, uma
melancólica e uma romântica, que são animadas cada uma com
forma e técnica diferentes. Strom, produção da República
Checa realizada por David Sukup, é um dos vários filmes deste ano
que revivem uma técnica até pouco tempo atrás quase em desuso,
o pixilation, ou seja, animação quadro a quadro de atores.
Uma comédia maluca em que dois lenhadores disputam o direito de cortar
uma árvore. Divulgação
 | A
VENDEDORA DE FÓSFOROS de
Roger Allers. EUA, 2006. Praça Animada, Centro Cultural
Correios, sexta
(14), 15h. |
Para
os curiosos, outra forma de aproveitar o festival é conferir a produção
de países sem tradição na área que têm
presença significativa neste ano. É o caso do México, que
traz como maior atração El Octavo Dia, la Creación,
de Juan J. Medina e Rita Basulto, produção do diretor de cinema
Guillermo del Toro (de Blade 2 e Hellboy). Bem ao estilo que caracteriza
o diretor, a história de animação de bonecos traz um deus
bizarro dando vida a monstros no início da criação. A Estônia,
ex-república da URSS, comparece com três filmes, incluindo o simpático
infantil A Cobrinha Míope. Divulgação
 | DREAMS
AND DESIRES FAMILY
TIES de
Joanna Quinn. Inglaterra,
2006. Odeon, sexta (14), 12 horas. |
E,
como já é tradição, o Anima Mundi mostra a fita vencedora
do Oscar de curta-metragem do ano passado, The Moon and the Son, de Jonh
Canemaker e Peggy Stern. "Desde o primeiro festival, em 1993, sempre conseguimos
exibir o vencedor do Oscar de curta e outros indicados ao prêmio", conta
o diretor César Coelho." Às vezes, também, o Anima Mundi
dá ao espectador o privilégio de assistir a um filme antes de seu
estouro mundo afora. Foi o caso, logo na primeira edição, de Wallace
& Gromit in Wrong Trousers, que ganhou o Oscar no ano seguinte. A situação
se repetiu em 2001 com For the Birds, premiado no festival e ganhador do
Oscar em 2002. Será que o vencedor do Oscar de 2007 está no próximo
Anima Mundi? "A Vendedora de Fósforos, da Disney, e First Flight,
da Dreamworks, têm grande chance. Mas, como Oscar de curtas de animação
não é tão politizado como o de longa e, normalmente, o resultado
se baseia mais em qualidade, eu preferiria apostar minhas fichas nos ótimos
História Trágica com Final Feliz, da portuguesa Regina Pessoa,
e Dreams and Desires Family Ties, da britânica Joanna Quinn",
diz César. Bom programa. Divulgação
 | TYGER
de Guilherme Marcondes.
Brasil, 2006. Estação Botafogo 1, sexta (14), 18 horas.
| Divulgação
 | MR.
SCHWARTZ, MR. HAZEN & MR. HORLOCKER de
Stefan Mueller. Alemanha, 2006. Estação Botafogo 1, sexta (14),
20 horas. |
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