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11 de junho de 2003
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POLÊMICA

A questão Guggenheim

Filial do museu depende de decisão da Justiça

Sérgio Garcia

É o início de uma história que pode ser longa. Na terça-feira (3), o juiz João Marcos Fantinato, da 8ª Vara de Fazenda Pública, encaminhou uma carta rogatória à Justiça de Nova York. Ela informa a direção da Fundação Solomon sobre a liminar que tornou sem efeito os termos do contrato para a construção da filial carioca do museu, no píer da Praça Mauá. A história começou duas semanas antes. A dez dias de vencer a primeira parcela de 9,55 milhões de dólares que a prefeitura do Rio pagaria à Fundação pelo uso da marca Guggenheim, em 30 de maio, o juiz Fantinato concedeu a liminar no processo da ação popular para a anulação do contrato. Oito dias depois, o desembargador Ademir Pimentel, da 13ª Câmara Cível, manteve a decisão. Na tarde seguinte, o prefeito Cesar Maia baixou um decreto que atrela as obras de revitalização da Zona Portuária à licitação para a construção do Guggenheim-Rio.

O juiz foi taxativo nas justificativas para a concessão da liminar. Ele apontou a necessidade de incluir a previsão de despesas no plano plurianual, pelo fato de as obrigações financeiras ultrapassarem o mandato da atual administração, questionou os dispositivos do contrato sujeitos às leis americanas e criticou a cláusula de sigilo prevista no contrato e a possibilidade de rescisão unilateral sem obrigatoriedade para a Fundação Guggenheim. "Na verdade, ele interroga e diz que seria melhor discutir o mérito por falta de informação. Quando essas informações chegarem se verá que todos os pontos estão cobertos. A construção do museu é um ato interno. A licença de marca é outro ato, este, externo", argumenta o prefeito, por e-mail. "O Guggenheim é algo recente no projeto de revitalização da Zona Portuária, que é de 1987. Não é ser contra o museu, mas contra a forma como o processo está sendo feito", censura o vereador Eliomar Coelho (PT), autor da ação popular para a suspensão do contrato. "Esta é uma oportunidade ímpar que a cidade tem de recuperar sua centralidade cultural, que saiu para São Paulo com o Masp, de potencializar sua identidade internacional e revitalizar pelo efeito âncora a área portuária", pondera Cesar Maia, com esperança de resolver os impasses jurídicos até o fim do mês. Façam suas apostas.

 

CRONOLOGIA

12 de dezembro de 2001 O conselho da Fundação Solomon Guggenheim ratifica o acordo para o estudo de viabilidade do museu, assinado três semanas antes pelo procurador-geral do Rio, Júlio Horta, e pelo presidente do museu, Thomas Krens.

14 de janeiro de 2002 Krens, Cesar Maia e o arquiteto Jean Nouvel visitam a Zona Portuária e o prefeito anuncia que dispõe de 120 milhões de dólares para erguer o museu.

21 de novembro de 2002 O prefeito e o secretário das Culturas, Ricardo Macieira, apresentam o estudo de viabilidade do museu.

30 de abril 2003 – Cesar Maia assina em Nova York contrato com a fundação para a construção.

20 de maio de 2003 – O juiz da 8ª Vara de Fazenda Pública, João Marcos Fantinato, concede liminar suspendendo os efeitos do contrato.

28 de maio de 2003 – O desembargador Ademir Pimentel, da 13ª Câmara Cível, mantém a liminar que suspende o contrato.

29 de maio de 2003 – O prefeito expede decreto condicionando a revitalização da Zona Portuária à licitação da construção do museu.

         
     
 
 
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