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10 de janeiro de 2007

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CARNAVAL

Uma noite para cair na folia

A Cidade do Samba vira point
pré-carnavalesco às quintas,
com show, fantasias e minidesfile

Fátima Sá

 
Fotos André Valentim/Strana
O espaço amplo (no alto) atrai cariocas e turistas, como as irmãs suecas Louise, Anna e Christina (acima), que foram ver o caprichado musical (abaixo): uma noite por dentro do Carnaval

O festeiro Bruno Chateaubriand já esteve quatro vezes por lá. O ator Erik Marmo descobriu o lugar pouco antes do Natal. E a sueca Christina Norrlin saiu dali encantada. A um mês e meio do Carnaval, turistas estrangeiros e cariocas de todas as idades têm enchido a Cidade do Samba nas noites de quinta. "Desde que abrimos para o público, em setembro, tem sido um sucesso. Outro dia recebemos 1.200 pessoas", comemora o carnavalesco Milton Cunha, mestre-de-cerimônias da noite. O programa, batizado de Cidadão Samba, inclui um caprichado musical, com coreografias do dançarino Carlinhos de Jesus e figurinos do carnavalesco Milton Cunha, e um apoteótico minidesfile, em que os visitantes encarnam foliões, sobem em carros alegóricos e saem sambando ao lado da bateria. O ambiente é organizado, o clima, familiar, e o ingresso (80 reais o inteiro e 40 reais para moradores do Rio) inclui bufê com dezenove opções frias e quentes, além de bebidas (refrigerante, cerveja e caipirinha) durante toda a noite. "É um ótimo programa. Um espaço incrível, com grande estrutura e boa música", comemorava o jornalista Fernando Gimenes, 27 anos, que esteve por lá pela primeira vez no fim do ano passado.

Na noite em que Fernando foi conhecer a Cidade do Samba, o ambiente era tão familiar que o ator Erik Marmo se divertia numa mesa, entre tios e primos, quando foi reconhecido por uma ex-professora de escola. Depois de posar para fotos ao lado dela, Erik derramou-se em elogios ao lugar: "O que mais me impressionou foi a organização. Tem estacionamento fácil, as pessoas são atenciosas. E não é aquele ambiente de azaração. É um clima família", dizia o ator. Perto dele, três irmãs suecas aproveitavam a noite para comemorar o aniversário da mãe. "Soubemos do show pelo agente de viagens e pelo hotel. Achei a música fantástica e todo mundo parece bonito e feliz", contou Christina Norrlin, fisioterapeuta, 21 anos. Os estrangeiros, ao contrário do que se possa imaginar, são minoria. "A gente calcula que 30% do nosso público venha do exterior. Estou impressionado mesmo é com a grande quantidade de pessoas da terceira idade. Outro dia tinha uma senhora de 94 anos bebendo cerveja a noite toda", diverte-se Milton Cunha.

A turma mais velha começa a chegar cedo, pouco depois das 20 horas, quando são abertos os portões. O público passeia pela Cidade do Samba e depois se acomoda nas mesinhas diante do palco. Às 21 horas, o grupo Pirraça entra em cena tocando uma variada seleção de sambas, músicas populares e pagodes, enquanto são distribuídos chapéus e outros pedaços de fantasia aos visitantes para que entrem no clima. Uma hora depois, as luzes se apagam e começa o show propriamente dito. O musical, bem-cuidado, apresenta ao público os diferentes personagens que passam pela Sapucaí num desfile de escola de samba: do ritmista tocando agogô aos emplumados destaques, passando por baianas, passistas, porta-bandeiras. O repertório inclui canções como O Mestre-Sala dos Mares, de João Bosco e Aldir Blanc, e sambas-enredo como Contos de Areia, da Portela. Ao fim do espetáculo, como acontece na Sapucaí, uma sirene anuncia o início do desfile. Músicos e dançarinos descem do palco e convocam a platéia, já equipada com seus pedaços de fantasia, a seguir para o pátio. Lá, carros alegóricos estão a postos, para um minidesfile pela Cidade do Samba. "Eu me acabo. Na Sapucaí, ninguém relaxa. O desfile é a sério, conta ponto. Aqui, o ponto é a alegria. Você incorpora a fantasia do Carnaval. É muito mais divertido", diz Bruno Chateaubriand. O programa termina por volta das 23h30, mas muita gente, como o aposentado Mário Oliveira Guimarães, de 72 anos, sai de lá jurando que volta. Quando? "A toda hora", anuncia Mário.

Cidadão Samba. Cidade do Samba, Rua Rivadávia Corrêa, 60, Gamboa, 2213-2546. Qui., 21h. R$ 80,00 (inteira) e R$ 40,00 (moradores do Rio com comprovante de residência). Estacionamento coberto: R$ 5,00 (na hora do show).

     
   

 

 
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