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CIDADE
Maracană O jogo dos 7 erros Por que ir ao estádio virou
uma aventura e o que pode ser feito para acabar com isso
Fabio Brisolla
Alexandre Cassiano/Ag. O Globo e Julio Cesar Guimarães/Lancepress
 | | Pancadaria
entre PMs e torcedores na
Copa do Brasil: insegurança |
Seja
qual for o resultado do jogo, a ida ao Maracanã tem causado péssimas
recordações ao torcedor. O administrador Márcio Machado ainda
tem hematomas das pancadas desferidas por PMs quando tentava entrar na decisão
da Copa do Brasil, há duas semanas. Ele seria um dos justos, como definiu
um comandante da corporação, que "pagam pelos pecadores". Márcio
foi alvo de spray de pimenta na fila e, após passar pela roleta, foi atingido
por um policial de cassetete. Aquele Vasco versus Flamengo foi uma vitrine da
aventura que é freqüentar o ex-maior do mundo. Caos na chegada, violência
na arquibancada, obras intermináveis, megainvasão de campo após
o apito final e estado precário de banheiros e acessos são alguns
dos reveses do estádio. O vira-lata que invadiu o vestiário rubro-negro
é um símbolo de toda a bagunça. Veja Rio foi ao Maracanã
na semana passada e constatou os principais problemas e o que pode ser feito para
tornar o estádio novamente um programa seguro e agradável.
Acessos.
São 24 catracas em cada uma das duas entradas (rampas do Bellini e da Uerj).
Segundo o presidente da Suderj, Sérgio Emilião, se meia hora antes
do jogo houver mais de 10.000 pessoas para entrar, o tumulto é certo. Ele
afirma que as obras de duplicação das roletas nos dois acessos começarão
em setembro, com previsão de conclusão para novembro. "Vamos acabar
com aquelas baias, e todas as roletas serão visíveis a distância.
Isso facilitará o controle", prevê. Mesmo com a mudança, é
recomendável que o torcedor chegue pelo menos uma hora antes ao estádio.
Outro transtorno no acesso é o déficit de vagas para veículos.
O Maracanã tem 1 400 vagas, dois terços delas destinados aos torcedores.
Muito pouco. Com a reforma, esse número será ampliado para 6.000.
Daryan Dornelles
 | | Que
feio: vazamento de água no anel
de acesso à arquibancada |
Infra-estrutura.
A manutenção é um problema crônico, como constatou
a equipe da revista presente no jogo Fluminense versus Botafogo, no domingo passado.
Nos banheiros, boa parte dos vasos sanitários está sem tampa e as
poças d'água são uma constante. No anel de acesso à
arquibancada, havia vazamento de água. Nas arquibancadas, principalmente
no setor verde, onde ficam as torcidas organizadas, muitas cadeiras estavam danificadas.
A Suderj argumenta que é praticamente impossível realizar a manutenção
na mesma velocidade com que se depredam os assentos.
Invasões.
O apito final da decisão da Copa do Brasil foi uma espécie de sinal
de largada para a invasão do gramado. A poucos minutos do fim, uma multidão
já se misturava a profissionais à beira do campo. A Suderj e a Federação
de Futebol do Estado do Rio informam que o Flamengo foi o causador da bagunça,
ao abrir seu vestiário a um sem-número de torcedores. O clube alega
que a invasão antes do jogo se deu pelo túnel central, a cargo da
Suderj. O acesso ao vestiário é controlado exclusivamente pelos
clubes. A solução é fazer credenciamento para aquelas dependências
do estádio e limitar as credenciais. Em jogos concorridos, é comum,
também, a invasão de torcedores nas cadeiras perpétuas, situadas
no nível da arquibancada. Bombas.
O explosivo mais usado pelos baderneiros é um artefato conhecido nas festas
juninas como cabeção-de-nego. Ele entra no estádio escondido
em cuecas ou tênis. As autoridades ainda não sabem como detectar
100% dessas bombinhas na revista feita na rampa. Em nota, o comando da Polícia
Militar afirma que a solução é a "conscientização
do torcedor, principalmente com relação aos seus deveres, lembrando
que a segurança não é apenas obrigação da polícia,
mas um dever do cidadão". Mas não há nenhuma campanha de
conscientização do torcedor no estádio.
Fotos Daryan Dornelles
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 | | Quadro
geral: a construção do
novo setor, a platéia inferior,
em andamento (abaixo,
à esq.); as roletas (abaixo, à dir.) serão
ampliadas; assentos são
alvo de vândalos (acima, à esq.); a
revista dos torcedores é
outro problema (acima, à dir.) |  |  |
Torcidas
organizadas. A violência praticada por esses torcedores é decisiva
para o caos nos estádios. As brigas dentro do Maracanã geralmente
são iniciadas por facções. Antes de a torcida organizada
entrar no estádio, os policiais revistam instrumentos de percussão
e bandeiras. Após a passagem pelo portão, uma segunda revista é
feita na subida da rampa. Na semana passada, ainda eram visíveis os restos
de bambus de bandeira que serviram de arma na briga ocorrida na arquibancada verde,
no lado da torcida do Flamengo. Cabe à polícia identificar os vândalos
e detê-los; à Justiça, puni-los; e aos clubes, não
se submeter a eles. No jogo Vasco versus Flamengo, cinqüenta torcedores foram
detidos e responderão a processo. Obras.
O Maracanã está funcionando, mas com uma grande obra em andamento
na faixa onde era a geral. Ali está em construção um novo
setor de cadeiras, a platéia inferior. A obra se arrasta há meses,
e a direção da Suderj prevê a conclusão para dezembro.
O novo setor surge com um problema: como proteger a turma da platéia inferior
de objetos arremessados da arquibancada? O jeito é isolar os primeiros
degraus da arquibancada e interditá-los ao público, criando uma
faixa de segurança. Se, ainda assim, algum objeto for arremessado, cabe
ao policial deter o torcedor. Policiamento.
Em entrevista ao jornal O Globo, o comandante do 6º BPM, o coronel
Álvaro Garcia, afirmou que "o justo paga pelo pecador", para justificar
a ação truculenta da Polícia Militar contra os torcedores
na entrada de Vasco versus Flamengo. Em nota a Veja Rio, o comando da PM
frisou que não houve exagero por parte dos policiais. "A Polícia
Militar agiu de forma reativa, separando uma briga de torcedores." No fim do jogo,
quem perdeu foi o torcedor, a principal vítima no confronto entre policiais
e os brigões das organizadas. |