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9 de agosto de 2006

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CIDADE

Maracană
O jogo dos 7 erros

Por que ir ao estádio virou uma aventura e o que pode ser feito para acabar com isso

Fabio Brisolla

 
Alexandre Cassiano/Ag. O Globo e Julio Cesar Guimarães/Lancepress
Pancadaria entre PMs e torcedores na Copa do Brasil: insegurança

Seja qual for o resultado do jogo, a ida ao Maracanã tem causado péssimas recordações ao torcedor. O administrador Márcio Machado ainda tem hematomas das pancadas desferidas por PMs quando tentava entrar na decisão da Copa do Brasil, há duas semanas. Ele seria um dos justos, como definiu um comandante da corporação, que "pagam pelos pecadores". Márcio foi alvo de spray de pimenta na fila e, após passar pela roleta, foi atingido por um policial de cassetete. Aquele Vasco versus Flamengo foi uma vitrine da aventura que é freqüentar o ex-maior do mundo. Caos na chegada, violência na arquibancada, obras intermináveis, megainvasão de campo após o apito final e estado precário de banheiros e acessos são alguns dos reveses do estádio. O vira-lata que invadiu o vestiário rubro-negro é um símbolo de toda a bagunça. Veja Rio foi ao Maracanã na semana passada e constatou os principais problemas e o que pode ser feito para tornar o estádio novamente um programa seguro e agradável.

Acessos. São 24 catracas em cada uma das duas entradas (rampas do Bellini e da Uerj). Segundo o presidente da Suderj, Sérgio Emilião, se meia hora antes do jogo houver mais de 10.000 pessoas para entrar, o tumulto é certo. Ele afirma que as obras de duplicação das roletas nos dois acessos começarão em setembro, com previsão de conclusão para novembro. "Vamos acabar com aquelas baias, e todas as roletas serão visíveis a distância. Isso facilitará o controle", prevê. Mesmo com a mudança, é recomendável que o torcedor chegue pelo menos uma hora antes ao estádio. Outro transtorno no acesso é o déficit de vagas para veículos. O Maracanã tem 1 400 vagas, dois terços delas destinados aos torcedores. Muito pouco. Com a reforma, esse número será ampliado para 6.000.

 
Daryan Dornelles
Que feio: vazamento de água no anel de acesso à arquibancada

Infra-estrutura. A manutenção é um problema crônico, como constatou a equipe da revista presente no jogo Fluminense versus Botafogo, no domingo passado. Nos banheiros, boa parte dos vasos sanitários está sem tampa e as poças d'água são uma constante. No anel de acesso à arquibancada, havia vazamento de água. Nas arquibancadas, principalmente no setor verde, onde ficam as torcidas organizadas, muitas cadeiras estavam danificadas. A Suderj argumenta que é praticamente impossível realizar a manutenção na mesma velocidade com que se depredam os assentos.

Invasões. O apito final da decisão da Copa do Brasil foi uma espécie de sinal de largada para a invasão do gramado. A poucos minutos do fim, uma multidão já se misturava a profissionais à beira do campo. A Suderj e a Federação de Futebol do Estado do Rio informam que o Flamengo foi o causador da bagunça, ao abrir seu vestiário a um sem-número de torcedores. O clube alega que a invasão antes do jogo se deu pelo túnel central, a cargo da Suderj. O acesso ao vestiário é controlado exclusivamente pelos clubes. A solução é fazer credenciamento para aquelas dependências do estádio e limitar as credenciais. Em jogos concorridos, é comum, também, a invasão de torcedores nas cadeiras perpétuas, situadas no nível da arquibancada.

Bombas. O explosivo mais usado pelos baderneiros é um artefato conhecido nas festas juninas como cabeção-de-nego. Ele entra no estádio escondido em cuecas ou tênis. As autoridades ainda não sabem como detectar 100% dessas bombinhas na revista feita na rampa. Em nota, o comando da Polícia Militar afirma que a solução é a "conscientização do torcedor, principalmente com relação aos seus deveres, lembrando que a segurança não é apenas obrigação da polícia, mas um dever do cidadão". Mas não há nenhuma campanha de conscientização do torcedor no estádio.

 
Fotos Daryan Dornelles

Quadro geral: a construção do novo setor, a platéia inferior, em andamento (abaixo, à esq.); as roletas (abaixo, à dir.) serão ampliadas; assentos são alvo de vândalos (acima, à esq.); a revista dos torcedores é outro problema (acima, à dir.)

Torcidas organizadas. A violência praticada por esses torcedores é decisiva para o caos nos estádios. As brigas dentro do Maracanã geralmente são iniciadas por facções. Antes de a torcida organizada entrar no estádio, os policiais revistam instrumentos de percussão e bandeiras. Após a passagem pelo portão, uma segunda revista é feita na subida da rampa. Na semana passada, ainda eram visíveis os restos de bambus de bandeira que serviram de arma na briga ocorrida na arquibancada verde, no lado da torcida do Flamengo. Cabe à polícia identificar os vândalos e detê-los; à Justiça, puni-los; e aos clubes, não se submeter a eles. No jogo Vasco versus Flamengo, cinqüenta torcedores foram detidos e responderão a processo.

Obras. O Maracanã está funcionando, mas com uma grande obra em andamento na faixa onde era a geral. Ali está em construção um novo setor de cadeiras, a platéia inferior. A obra se arrasta há meses, e a direção da Suderj prevê a conclusão para dezembro. O novo setor surge com um problema: como proteger a turma da platéia inferior de objetos arremessados da arquibancada? O jeito é isolar os primeiros degraus da arquibancada e interditá-los ao público, criando uma faixa de segurança. Se, ainda assim, algum objeto for arremessado, cabe ao policial deter o torcedor.

Policiamento. Em entrevista ao jornal O Globo, o comandante do 6º BPM, o coronel Álvaro Garcia, afirmou que "o justo paga pelo pecador", para justificar a ação truculenta da Polícia Militar contra os torcedores na entrada de Vasco versus Flamengo. Em nota a Veja Rio, o comando da PM frisou que não houve exagero por parte dos policiais. "A Polícia Militar agiu de forma reativa, separando uma briga de torcedores." No fim do jogo, quem perdeu foi o torcedor, a principal vítima no confronto entre policiais e os brigões das organizadas.

     
   

 

 
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