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CIDADE
Tesouros para todos Real Gabinete facilita acesso a seu
acervo Sofia Cerqueira Fernando
Lemos/Strana
 | Bia
Parreiras
 | | Real
Gabinete: investimento
de 400 000
reais para informatizar acervo
de 350.000
volumes |
Histórias
não faltam, seja impressas nas obras que cobrem as paredes com 40 metros
de altura, seja no próprio passado do imponente prédio em estilo
neomanuelino, inaugurado em 1887. Machado de Assis presidiu ali as primeiras sessões
solenes da Academia Brasileira de Letras. O poeta Olavo Bilac e o escritor João
do Rio também eram freqüentadores do local. Mais recentemente, a escritora
Ana Miranda foi buscar naquele acervo minuciosos detalhes para seu romance de
estréia, Boca do Inferno. O Real Gabinete Português de Leitura,
no Centro do Rio, que guarda a maior e mais valiosa biblioteca de obras portuguesas
fora da terrinha, porém, não é restrito a grandes autores
ou a lusitanos. Está acessível a qualquer pessoa. E melhor: todas
as informações sobre seu acervo, com cerca de 350.000 volumes, foram
informatizadas. Um processo que consumiu 400.000 reais e que permite que, em poucos
minutos, se localize qualquer obra pelo nome do autor, título do livro
ou assunto. Mas só uma ida ao majestoso salão de leitura, com uma
enorme clarabóia no centro, móveis de jacarandá talhado e
paredes repletas de volumes, já vale o passeio.
 | | Preciosidade:
belas imagens
e relação
de obras raras
estão no livro
|
Foi
justamente sua beleza arquitetônica, somada à incontestável
riqueza bibliográfica, que inspirou o livro O Real Gabinete Português
de Leitura do Rio de Janeiro, lançado pela Dezembro Editorial. A publicação,
com fotos de Valentino Fialdini e textos da professora brasileira Beatriz Berrini
e da pesquisadora portuguesa Regina Anacleto, a maior especialista no estilo arquitetônico
neomanuelino, só estará à venda no Rio na Fnac (58 reais).
"É a primeira vez que se faz um livro de arte sobre o Real Gabinete", diz
o presidente da instituição, Antônio Gomes da Costa. Além
de imagens do interior da construção assinada pelo arquiteto português
Raphael da Silva e Castro, a publicação destaca algumas obras e
peças raras do acervo. O Real Gabinete possui, entre outros, um exemplar
de Os Lusíadas, de 1572; Ordenações de Dom Manuel
(rei de Portugal na época do descobrimento do Brasil), editadas em
1521; e mais de 1.000 manuscritos, como o Dicionário da Língua
Tupy, de Gonçalves Dias. Vale ressaltar também as importantes
coleções camoniana (de Luís de Camões) e camiliana
(de Camilo Castelo Branco). "Somos a única instituição fora
de Portugal que recebe um exemplar de todos os livros publicados no país",
acrescenta o presidente do Real Gabinete. Dedicada
principalmente à história e à literatura portuguesas, a biblioteca
tem obras completas de nomes como Eça de Queirós, Alexandre Herculano
e Gil Vicente, um respeitável acervo de autores contemporâneos e
publicações em inglês, latim, hebraico, espanhol e até
em egípcio. Só de Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de
Cervantes, são cinqüenta edições. Os imponentes salões
do Real Gabinete ainda guardam muitos bustos, uma coleção numismática,
pinturas assinadas por artistas como José Malhoa e Eduardo Malta e peças
de prata e marfim. O enorme acervo, porém, não tem garantido expressiva
visitação: apenas 150 pessoas por dia. Para atrair um número
maior de visitantes e também despertar o interesse dos jovens, a direção
da instituição está montando no prédio anexo um espaço
multimídia, que deverá ser aberto até o fim do ano. É
aguardar e torcer. |