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9 de março de 2005
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Tesouros para todos

Real Gabinete facilita acesso a seu acervo

Sofia Cerqueira

Fernando Lemos/Strana
Bia Parreiras
Real Gabinete: investimento de 400 000 reais para informatizar acervo de 350.000 volumes

Histórias não faltam, seja impressas nas obras que cobrem as paredes com 40 metros de altura, seja no próprio passado do imponente prédio em estilo neomanuelino, inaugurado em 1887. Machado de Assis presidiu ali as primeiras sessões solenes da Academia Brasileira de Letras. O poeta Olavo Bilac e o escritor João do Rio também eram freqüentadores do local. Mais recentemente, a escritora Ana Miranda foi buscar naquele acervo minuciosos detalhes para seu romance de estréia, Boca do Inferno. O Real Gabinete Português de Leitura, no Centro do Rio, que guarda a maior e mais valiosa biblioteca de obras portuguesas fora da terrinha, porém, não é restrito a grandes autores ou a lusitanos. Está acessível a qualquer pessoa. E melhor: todas as informações sobre seu acervo, com cerca de 350.000 volumes, foram informatizadas. Um processo que consumiu 400.000 reais e que permite que, em poucos minutos, se localize qualquer obra pelo nome do autor, título do livro ou assunto. Mas só uma ida ao majestoso salão de leitura, com uma enorme clarabóia no centro, móveis de jacarandá talhado e paredes repletas de volumes, já vale o passeio.


Preciosidade: belas imagens e relação de obras raras estão no livro

Foi justamente sua beleza arquitetônica, somada à incontestável riqueza bibliográfica, que inspirou o livro O Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, lançado pela Dezembro Editorial. A publicação, com fotos de Valentino Fialdini e textos da professora brasileira Beatriz Berrini e da pesquisadora portuguesa Regina Anacleto, a maior especialista no estilo arquitetônico neomanuelino, só estará à venda no Rio na Fnac (58 reais). "É a primeira vez que se faz um livro de arte sobre o Real Gabinete", diz o presidente da instituição, Antônio Gomes da Costa. Além de imagens do interior da construção assinada pelo arquiteto português Raphael da Silva e Castro, a publicação destaca algumas obras e peças raras do acervo. O Real Gabinete possui, entre outros, um exemplar de Os Lusíadas, de 1572; Ordenações de Dom Manuel (rei de Portugal na época do descobrimento do Brasil), editadas em 1521; e mais de 1.000 manuscritos, como o Dicionário da Língua Tupy, de Gonçalves Dias. Vale ressaltar também as importantes coleções camoniana (de Luís de Camões) e camiliana (de Camilo Castelo Branco). "Somos a única instituição fora de Portugal que recebe um exemplar de todos os livros publicados no país", acrescenta o presidente do Real Gabinete.

Dedicada principalmente à história e à literatura portuguesas, a biblioteca tem obras completas de nomes como Eça de Queirós, Alexandre Herculano e Gil Vicente, um respeitável acervo de autores contemporâneos e publicações em inglês, latim, hebraico, espanhol e até em egípcio. Só de Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes, são cinqüenta edições. Os imponentes salões do Real Gabinete ainda guardam muitos bustos, uma coleção numismática, pinturas assinadas por artistas como José Malhoa e Eduardo Malta e peças de prata e marfim. O enorme acervo, porém, não tem garantido expressiva visitação: apenas 150 pessoas por dia. Para atrair um número maior de visitantes e também despertar o interesse dos jovens, a direção da instituição está montando no prédio anexo um espaço multimídia, que deverá ser aberto até o fim do ano. É aguardar e torcer.

     
  
   

 

 
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