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8 de agosto de 2007

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PAN

O grande campeão

O sucesso dos Jogos mostra que o
Rio é maior do que seus problemas

Sofia Cerqueira

 
Marcelo Carnaval/Ag. O Globo
Ivo Gonzalez/Ag. O Globo
Michel Filho/Ag. O Globo
Três momentos da festa que encheu a cidade de orgulho: o encerramento no Maracanã; a moderna Arena Multiuso, futuro palco de shows e eventos; e o esquema policial, com 18 000 homens, responsável por maior segurança nas ruas

Depois de dezessete dias de competições, o grande vencedor dos Jogos Pan-Americanos é o Rio de Janeiro. O custo foi alto – 3,8 bilhões de reais, muito acima de todas as previsões iniciais –, ocorreram tropeços, mas o fato é que a cidade comprovou sua competência como anfitriã, melhorou a própria imagem no exterior e aumentou a auto-estima de seus moradores. Fazia muito que não se via o carioca tão orgulhoso. "O Pan deu esperanças de que é possível ser feliz no Rio", diz a colunista Danuza Leão. "Confesso que achava que seria um desastre total, com desorganização e congestionamentos caóticos", conta ela, que durante o evento pisou pela primeira vez numa arena de vôlei. "Havia um clima gostoso e alegre nas ruas", observa o cineasta Cacá Diegues, responsável pela curadoria de uma mostra de filmes na orla, no mesmo período. Para o sucesso, contribuiu o fato de os dois grandes temores da organização – o trânsito e a violência – não terem se concretizado. "Mais uma vez ficou claro que basta vontade política para o Rio mostrar do que é capaz e passar na prova com louvor", afirma a atriz Fernanda Montenegro.

E agora, com o fim do Pan? O destino do aparato policial, que resultou na redução de 60% na criminalidade nos dias do evento, começou a ser definido. "Ficou demonstrado que a violência pode ser controlada com o reforço nas ruas", diz Olavo Monteiro de Carvalho, presidente da Associação Comercial do Rio. No Pan, a cidade foi vigiada por 18 000 homens, 9 000 de outros estados. "Os resultados na segurança e na organização elevaram o status do Rio como anfitrião internacional", acredita o governador Sérgio Cabral. "Isso nos credencia à candidatura para as Olimpíadas de 2016." Ele insistirá com o governo federal na necessidade da presença das Forças Armadas nas ruas. Por enquanto, está confirmada a permanência de 2 400 agentes da Força Nacional de Segurança no Rio. "O pedido é que eles fiquem até o fim do ano, quando serão incorporados 2 000 policiais concursados", explica o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. Luiz Fernando Corrêa, secretário nacional de Segurança Pública, afirmou que a desmobilização será gradativa. O Rio herdou o Centro de Comando e Controle, interligado a 300 órgãos e de onde se monitoram 1 500 câmeras espalhadas pela cidade, que custou 161 milhões de reais. Ficará com 550 dos 1 800 carros utilizados na segurança da competição, todos equipados com GPS e rádios criptografados (emitem chiados se interceptados). Será mantido aqui o Centro de Inteligência, montado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O futuro dos equipamentos esportivos usados no Pan também está sendo traçado.

Fracassou, é verdade, a tentativa de privatizar a Arena Multiuso. Não houve interessados. O Complexo do Autódromo, que inclui ainda o parque aquático e o velódromo, ficará sob a responsabilidade da prefeitura. Para administrar o Estádio João Havelange, o Engenhão, só o Botafogo apresentou proposta, mas o edital de privatização ainda depende de aprovação do Tribunal de Contas do Município. O Maracanãzinho, estadual, será igualmente privatizado. "Uma consultoria internacional está criando um modelo de gestão para o Maracanã", adianta o secretário estadual de Esporte, Turismo e Lazer, Eduardo Paes. Alguns setores do estádio – sua manutenção custa 600 000 reais por mês – devem ser terceirizados.

"Embora tenham alardeado o fracasso do Pan antes de ele começar, o Rio provou o que sempre foi", diz o escritor e jornalista Ruy Castro, que num artigo publicado na semana passada no jornal Folha de S.Paulo sugeriu aos críticos dos Jogos, não-cariocas sobretudo, a aplicação de uma pomada anestésica no cotovelo. "É uma cidade maravilhosa, centralizadora e capaz de realizar qualquer evento."

         
     

 

 
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