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PAN
O grande campeão
O sucesso dos Jogos mostra que
o
Rio é maior do que seus problemas
Sofia Cerqueira
Marcelo Carnaval/Ag. O Globo
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Ivo Gonzalez/Ag. O Globo
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Michel Filho/Ag. O Globo
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| Três momentos da festa que
encheu a cidade de orgulho:
o encerramento no Maracanã; a moderna
Arena Multiuso, futuro palco de shows e eventos;
e o esquema policial, com 18 000 homens, responsável
por maior segurança nas ruas |
Depois de dezessete
dias de competições, o grande vencedor dos Jogos Pan-Americanos
é o Rio de Janeiro. O custo foi alto 3,8 bilhões
de reais, muito acima de todas as previsões iniciais ,
ocorreram tropeços, mas o fato é que a cidade comprovou
sua competência como anfitriã, melhorou a própria
imagem no exterior e aumentou a auto-estima de seus moradores. Fazia
muito que não se via o carioca tão orgulhoso. "O Pan
deu esperanças de que é possível ser feliz
no Rio", diz a colunista Danuza Leão. "Confesso que achava
que seria um desastre total, com desorganização e
congestionamentos caóticos", conta ela, que durante o evento
pisou pela primeira vez numa arena de vôlei. "Havia um clima
gostoso e alegre nas ruas", observa o cineasta Cacá Diegues,
responsável pela curadoria de uma mostra de filmes na orla,
no mesmo período. Para o sucesso, contribuiu o fato de os
dois grandes temores da organização o trânsito
e a violência não terem se concretizado. "Mais
uma vez ficou claro que basta vontade política para o Rio
mostrar do que é capaz e passar na prova com louvor", afirma
a atriz Fernanda Montenegro.
E agora, com o fim do Pan? O
destino do aparato policial, que resultou na redução
de 60% na criminalidade nos dias do evento, começou a ser
definido. "Ficou demonstrado que a violência pode ser controlada
com o reforço nas ruas", diz Olavo Monteiro de Carvalho,
presidente da Associação Comercial do Rio. No Pan,
a cidade foi vigiada por 18 000 homens, 9 000 de outros estados.
"Os resultados na segurança e na organização
elevaram o status do Rio como anfitrião internacional", acredita
o governador Sérgio Cabral. "Isso nos credencia à
candidatura para as Olimpíadas de 2016." Ele insistirá
com o governo federal na necessidade da presença das Forças
Armadas nas ruas. Por enquanto, está confirmada a permanência
de 2 400 agentes da Força Nacional de Segurança no
Rio. "O pedido é que eles fiquem até o fim do ano,
quando serão incorporados 2 000 policiais concursados", explica
o secretário de Segurança Pública, José
Mariano Beltrame. Luiz Fernando Corrêa, secretário
nacional de Segurança Pública, afirmou que a desmobilização
será gradativa. O Rio herdou o Centro de Comando e Controle,
interligado a 300 órgãos e de onde se monitoram 1
500 câmeras espalhadas pela cidade, que custou 161 milhões
de reais. Ficará com 550 dos 1 800 carros utilizados na segurança
da competição, todos equipados com GPS e rádios
criptografados (emitem chiados se interceptados). Será mantido
aqui o Centro de Inteligência, montado pela Agência
Brasileira de Inteligência (Abin). O futuro dos equipamentos
esportivos usados no Pan também está sendo traçado.
Fracassou, é verdade,
a tentativa de privatizar a Arena Multiuso. Não houve interessados.
O Complexo do Autódromo, que inclui ainda o parque aquático
e o velódromo, ficará sob a responsabilidade da prefeitura.
Para administrar o Estádio João Havelange, o Engenhão,
só o Botafogo apresentou proposta, mas o edital de privatização
ainda depende de aprovação do Tribunal de Contas do
Município. O Maracanãzinho, estadual, será
igualmente privatizado. "Uma consultoria internacional está
criando um modelo de gestão para o Maracanã", adianta
o secretário estadual de Esporte, Turismo e Lazer, Eduardo
Paes. Alguns setores do estádio sua manutenção
custa 600 000 reais por mês devem ser terceirizados.
"Embora tenham alardeado o fracasso
do Pan antes de ele começar, o Rio provou o que sempre foi",
diz o escritor e jornalista Ruy Castro, que num artigo publicado
na semana passada no jornal Folha de S.Paulo sugeriu aos
críticos dos Jogos, não-cariocas sobretudo, a aplicação
de uma pomada anestésica no cotovelo. "É uma cidade
maravilhosa, centralizadora e capaz de realizar qualquer evento."
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