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8 de agosto de 2007

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Dez perguntas para...

...o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro

Sérgio Garcia

Fernando Lemos
Nuzman, presidente do COB: "O Rio merece as Olimpíadas"


Depois de quase um mês enclausurado num hotel, envolvido apenas com os Jogos Pan-Americanos, na terça-feira passada o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, voltou para casa. Nesta entrevista a Veja Rio, ele afirma que a cidade passou no vestibular para realizar grandes competições e se diz otimista em trazer as Olimpíadas para o Rio.

1. E agora?
Vamos pensar para a frente. Quando eu disse no encerramento do Pan que a missão estava cumprida é porque se acabava um trabalho de seis anos. No ano passado já começamos a campanha para as Olimpíadas no Rio. Estivemos na Inglaterra com pessoas que trabalharam para Londres 2012.

2. O Pan será um reforço nessa campanha?
Ele foi classificado pelo presidente da Odepa, Mario Vázquez Raña, como o melhor Pan-Americano da história. O próprio presidente do Comitê Olímpico Internacional disse que o Rio é um candidato forte. Precisávamos disso. Foi como se tivéssemos passado no vestibular.

3. Mas organizar uma Olimpíada não é bem mais complicado e muito mais caro?
Ela é mais complexa, mas há certas vantagens. O comitê organizador recebe um cheque de direito de TV e de marketing, em torno de 1 bilhão de dólares. No Pan não tivemos isso. E partimos em vantagem, pois as instalações esportivas já estão prontas.

4. Quais são os maiores desafios nesse projeto?
Trabalhamos com três orçamentos. Um do comitê organizador, outro das instalações esportivas e o terceiro relativo à infra-estrutura. Esse terceiro ponto depende dos governos. São ajustes nas áreas de segurança e transporte, além de meio ambiente e hotelaria.

5. O senhor está otimista?
Sim, pela repercussão internacional e pelo que mostramos em organização. Nossa candidatura agora é da população. O Rio merece as Olimpíadas, e chegou o momento de elas irem para outras regiões do mundo.

6. As 54 medalhas de ouro ganhas pelo Brasil criaram uma grande expectativa em relação a Pequim 2008. Isso não é vender ilusões?
Temos de ter os pés no chão. As Olimpíadas são muito diferentes do Pan. Basta ver o desempenho dos Estados Unidos e de Cuba numa disputa e na outra.

7. O Pan não é uma competição de nível técnico inferior?
Olha, os Jogos Asiáticos também são, os Africanos, o da Juventude Européia... A disputa pan-americana é o segundo maior evento esportivo do mundo. Foram 123 recordes batidos (nenhum mundial), e dez modalidades se classificaram para Pequim.

8. A venda de ingressos foi muito criticada. Em certas competições, os bilhetes se esgotaram, mas havia vazios na platéia. Por quê?
Tratava-se da primeira operação de venda de ingressos desse porte no Brasil. O resultado foi muito bom. Os problemas se deram em 0,3% dos bilhetes vendidos, de um total de mais de 1 milhão. Os lugares vazios ou foram comprados por patrocinadores e não utilizados ou estavam reservados a confederações e comitês.

9. E o estouro do orçamento, que pulou de cerca de 400 milhões para perto de 4 bilhões de reais?
O valor inicial foi feito em real e transformado em dólar. Se corrigirmos essa quantia para os valores de hoje, teremos outro total. A hora em que se faz um projeto é diferente de quando se entra na realidade. O comitê organizador é a entidade mais fiscalizada do país. Somos fiscalizados por TCM, TCE, TCU...

10. O que o Pan teve de melhor?
O segredo de uma boa realização passa por três fatores: a vila, a alimentação e o transporte. São três pontos-chave em que obtivemos rasgados elogios.

         
     

 

 
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