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Dez
perguntas para...
...o presidente do Comitê
Olímpico Brasileiro
Sérgio Garcia
Fernando Lemos
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| Nuzman, presidente do COB: "O Rio merece
as Olimpíadas" |
Depois de quase um mês enclausurado num hotel, envolvido apenas
com os Jogos Pan-Americanos, na terça-feira passada o presidente
do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman,
voltou para casa. Nesta entrevista a Veja Rio, ele afirma
que a cidade passou no vestibular para realizar grandes competições
e se diz otimista em trazer as Olimpíadas para o Rio.
1. E agora?
Vamos pensar para a frente. Quando eu disse no encerramento do Pan
que a missão estava cumprida é porque se acabava um
trabalho de seis anos. No ano passado já começamos
a campanha para as Olimpíadas no Rio. Estivemos na Inglaterra
com pessoas que trabalharam para Londres 2012.
2. O Pan será um reforço
nessa campanha?
Ele foi classificado pelo presidente da Odepa, Mario Vázquez
Raña, como o melhor Pan-Americano da história. O próprio
presidente do Comitê Olímpico Internacional disse que
o Rio é um candidato forte. Precisávamos disso. Foi
como se tivéssemos passado no vestibular.
3. Mas organizar uma
Olimpíada não é bem mais complicado e muito
mais caro?
Ela é mais complexa, mas há certas vantagens. O comitê
organizador recebe um cheque de direito de TV e de marketing, em
torno de 1 bilhão de dólares. No Pan não tivemos
isso. E partimos em vantagem, pois as instalações
esportivas já estão prontas.
4. Quais são os maiores
desafios nesse projeto?
Trabalhamos com três orçamentos. Um do comitê
organizador, outro das instalações esportivas e o
terceiro relativo à infra-estrutura. Esse terceiro ponto
depende dos governos. São ajustes nas áreas de segurança
e transporte, além de meio ambiente e hotelaria.
5. O senhor está otimista?
Sim, pela repercussão internacional e pelo que mostramos
em organização. Nossa candidatura agora é da
população. O Rio merece as Olimpíadas, e chegou
o momento de elas irem para outras regiões do mundo.
6. As 54 medalhas de ouro ganhas
pelo Brasil criaram uma grande expectativa em relação
a Pequim 2008. Isso não é vender ilusões?
Temos de ter os pés no chão. As Olimpíadas
são muito diferentes do Pan. Basta ver o desempenho dos Estados
Unidos e de Cuba numa disputa e na outra.
7. O Pan não é
uma competição de nível técnico inferior?
Olha, os Jogos Asiáticos também são, os Africanos,
o da Juventude Européia... A disputa pan-americana é
o segundo maior evento esportivo do mundo. Foram 123 recordes batidos
(nenhum mundial), e dez modalidades se classificaram para
Pequim.
8. A venda de ingressos
foi muito criticada. Em certas competições, os bilhetes
se esgotaram, mas havia vazios na platéia. Por quê?
Tratava-se da primeira operação de venda de ingressos
desse porte no Brasil. O resultado foi muito bom. Os problemas se
deram em 0,3% dos bilhetes vendidos, de um total de mais de 1 milhão.
Os lugares vazios ou foram comprados por patrocinadores e não
utilizados ou estavam reservados a confederações e
comitês.
9. E o estouro do orçamento,
que pulou de cerca de 400 milhões para perto de 4 bilhões
de reais?
O valor inicial foi feito em real e transformado em dólar.
Se corrigirmos essa quantia para os valores de hoje, teremos outro
total. A hora em que se faz um projeto é diferente de quando
se entra na realidade. O comitê organizador é a entidade
mais fiscalizada do país. Somos fiscalizados por TCM, TCE,
TCU...
10. O que o Pan teve de melhor?
O segredo de uma boa realização passa por três
fatores: a vila, a alimentação e o transporte. São
três pontos-chave em que obtivemos rasgados elogios.
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