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CELEBRIDADES
Convidados
profissionais
Artistas cobram até 50 000
reais para
prestigiar inaugurações, lançamentos
e festas patrocinadas por empresas
Marina Caruso e Fátima
Sá
Marcos Ribolli
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| Os requisitadíssimos Bruno Gagliasso
e Camila Rodrigues marcam presença no salão de
beleza Mye, de São Paulo, ao lado de Fernanda Souza (à
esq.) |
Ag. News
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Carregados de sacolas
e mimos,... |
...deixam a ótica Lunetterie, após
o lançamento dos óculos Diesel |
Divulgação
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| Sempre solícito, o casal veste
a camisa e posa para fotos com os donos do salão Prima
Qualitá, em Ipanema, Domenico e Raquel Giordano |
Fred Pontes/Divulgação
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Durante o show da banda
Motumbá,... |
...no Hotel Othon, em Salvador, os dois atraem
a atenção de sites e colunas para o evento
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É só
folhear as revistas de celebridades. Ou dar uma espiada nas colunas
sociais. De inauguração de loja a lançamento
de óculos, passando pelas mais disputadas festas da cidade,
há sempre algum artista badalando por aí. O script
é mais ou menos este: o famoso bate papo com o anfitrião,
dá autógrafo para o fã, posa para o fotógrafo
e, se gostar da música, arrisca uns passinhos. Tudo muito
natural, não fosse um detalhe: o agito é apenas mais
um compromisso profissional na agenda da celebridade. Por mais espontâneo
que isso possa parecer, boa parte dos chamados vips que marcam presença
nos eventos cariocas só está ali por dinheiro. E dos
bons. Aparições-relâmpago em lojas, salões
de beleza, academias de ginástica, eventos patrocinados pelas
mais variadas empresas e o que mais tiver conotação
comercial rendem cachês de 2 000 a 50 000 reais. Tudo isso
por, no máximo, duas horas de permanência no local.
A presença vip, como a
prática tornou-se conhecida no mercado, é regida por
um contrato como outro qualquer. Assim, o casal Bruno Gagliasso
e Camila Rodrigues prováveis recordistas de eventos
neste ano pede entre 10 000 e 20 000 reais para dar o ar
da graça, segundo agentes e promoters cariocas (veja
quadro). Juliana Paes, a mais disputada do momento, não
sai de casa por menos de 30 000 reais. E Reynaldo Gianecchini, o
favorito entre os homens, chega a cobrar 45 000 reais por aparição,
mas recusa a maioria dos convites. "É um mercado que não
pára de crescer", aposta a promoter Patrícia Brandão.
Mauricio Melo
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| Cleo Pires, em um lançamento da
loja de acessórios Avec Nuance, no Shopping Leblon: bolsas
de presente |
Nem sempre os artistas pedem dinheiro. Muitos fazem questão
de ir de graça quando acham a ocasião
bacana, são amigos de quem convida ou têm algum interesse
em estar no evento. "Se o agito é legal, as pessoas não
cobram, vão porque querem", conta a promoter Fernanda Barbosa,
que tem como clientes as grifes Cartier, Louis Vuitton e Dior. "Mas,
se o convite é comercial, as pessoas cobram, sim." A explicação
de todos é a mesma. O convidado vip ainda que contratado
aumenta o status do evento e atrai colunas sociais, revistas
de celebridades, sites de fofocas. No fim das contas, o anfitrião
e sua marca acabam pegando carona e faturam com a visibilidade do
famoso.
Como em qualquer negociação,
porém, o preço inicial nem sempre corresponde ao valor
final. "Muita gente diz que cobra caro, mas fecha pela metade quando
o empresário finca pé em uma proposta menor", revela
um agente que prefere não se identificar. "Se o convite for
para alguma roubada, jogo o preço lá em cima para
não fechar mesmo", afirma outro. O valor pago depende, primeiro,
da fama do artista. Depois, do poder de fogo de quem quer contratá-lo.
E, por fim, da habilidade de quem o representa. "Quem sabe negociar
consegue levar dois artistas valorizados por 15 000 reais", gaba-se
a executiva de uma grife.
Bob Paulino
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| Gianecchini, animando a festa do sabonete
Lux, há quatro anos: como vai a poucos eventos, o cachê
é de 45 000 reais |
Aqui nem tudo é dinheiro.
O contratante, na maioria das vezes, prefere encher o convidado
de presentes de sua marca a pagar cachê. É nessa hora
que entra em cena a promoter. "O bom profissional faz o meio de
campo entre o que o artista quer receber e o que o empresário
pode pagar", diz Carol Sampaio, contratada pela Oi para levar nomes
conhecidos aos Jogos Pan-Americanos. Para ela, raras são
as missões impossíveis. Recentemente, convenceu Fernanda
Lima, Letícia Birkheuer e Cleo Pires a comparecer à
inauguração da loja de acessórios Avec Nuance,
no Shopping Leblon. "Não tinha dinheiro na jogada", garante.
Nem precisava. Cada bolsinha Marc Jacobs ou Luella à venda
na loja custa em torno de 5 000 reais. Cleo Pires há
testemunhas saiu com quatro modelos a tiracolo.
Tem quem cobre muito, quem negocie
bem e quem fature pela rotatividade. Diego Gasques, o Alemão
do Big Brother, faz até três aparições
pagas por dia. "Desde que ele saiu do programa, não parou
um segundo", diz Fernanda Gasques, irmã e assessora do ex-BBB.
"Em sessenta dias, foi para 24 estados. Cada contrato, assinado
antes do evento, define que a permanência não passe
de quarenta minutos." Apesar do pouco tempo, Fabiana Dalmaso, sócia
da rede de lojas Myth, que recentemente contratou o rapaz para a
abertura de sua décima filial, na Tijuca, acredita que ele
"vale cada real". É fácil entender por quê.
"O shopping inteiro parou diante da minha loja e, dias depois, a
mãe dele apareceu na televisão usando uma blusa nossa."
Tanto a irmã do ex-BBB quanto a dona da loja desconversam
quando o assunto é cachê. Mas um empresário
que já contratou Alemão declara ter pago 15 000 reais
pela aparição.
Leonardo Marinho
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| Juliana Paes e Suzana Vieira, na academia
A!Body Tech: presença retribui cortesia na malhação
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Em se tratando de celebridades
instantâneas, o melhor é realmente aproveitar enquanto
a fama dura. Como em todo ramo da economia, esse mercado está
sujeito a flutuações. Protagonistas de novela valem
mais. Ao sair do ar, lógico, o valor do cachê cai.
E mesmo quem está no auge precisa ter cuidado com o excesso
de convites. "Não podemos aceitar todos os pedidos, senão
viramos arroz-de-festa", pondera Guilherme Abreu, agente de Thiago
Lacerda, Luciano Szafir e Gustavo Leão, entre outros. Ou
seja, quem só pensa em engordar o cofrinho hoje corre o risco
de esvaziá-lo amanhã. Estrelismos e pitis derrubam
a cotação. Vera Fischer já foi o sonho de consumo
de muitos empresários, chegando a receber 50 000 reais para
borboletear por uma festa em Copacabana. Hoje, muitos preferem não
arriscar. "Mesmo com cachê, na hora H ela pode não
aparecer", entrega uma promoter conhecida na ponte RioSão
Paulo.
Ike Cruz, responsável
pelo contrato de beldades como Juliana Paes, Deborah Secco e Joana
Balaguer, conhece bem o dilema dos convites. Todo dia o agente recebe
propostas. "Quanto mais criteriosa for a escolha, mais natural será
a presença", afirma. Acontece que parte do jogo de cena é
justamente fazer com que o famoso (mesmo recebendo dinheiro) pareça
um convidado normal, que está ali para prestigiar o anfitrião.
Cauteloso, Ike costuma dar preferência a clientes do segmento
de moda e beleza. "Trabalho com mulheres lindas, faz sentido vê-las
em festas fashion", diz. Para o mercado, entretanto, faz sentido
vê-las em toda parte. "Já me ofereceram um boi
um não, o melhor boi de uma criação
para que uma das minhas atrizes aparecesse em um rodeio", lembra.
Divulgação
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| Alemão, na abertura da loja Myth:
o ex-BBB chega a embolsar 15 000 reais por quarenta minutos
de aparição |
Ele não é o único
que torce o nariz para propostas sem cachê. A atriz Karina
Bacchi jura que não aceita jabá em troca da presença.
"As pessoas esqueceram que o tempo do escambo já era", diz.
Saias, vestidos e colares ela avisa não a fazem
sair de casa. "Não estou montando um brechó. Minha
participação vale dinheiro. Se quiser roupa, vou lá
e compro", argumenta. O cantor Dudu Nobre não parece pensar
da mesma forma. "Toda a roupa que estou vestindo (boné
Kangoo, camisa Lacoste e calça Diesel) ganhei de presente
das grifes", ele assumiu no coquetel de lançamento de um
tênis da Nike, um mês e meio atrás. "A Lacoste
me dá um crédito de 3 000 reais por coleção.
Vou à loja e escolho o que quero", alardeia. "É mais
barato contratar o Dudu Nobre para uma festa do que sua banda, de
25 músicos, para um show", diz, sobre si mesmo.
Bolsa, dinheiro, celular. Pouco
importa. "Quem quer que sua festa saia nas revistas tem de estar
disposto a pagar e a mimar os globais", afirma a promoter paulistana
Ana Carvalho Pinto. E isso não ocorre apenas no eixo RioSão
Paulo. "Em Paris, Nova York e Milão também é
assim. Todos os anfitriões querem a celebridade como a cereja
do bolo que servem." Para evitar frustrações, antes
de fechar qualquer negócio, Ana costuma ser enfática:
"Se não estiver disposto a pagar pelo vip, esqueça
o retorno de mídia". Em algumas situações,
é preciso até pagar hora extra caso a aparição
extrapole o tempo previamente estipulado. "Há cláusulas
como pagamento à vista, em dinheiro e um dia antes do evento",
detalha Acquiles Araújo, diretor do departamento de talentos
da L'Equipe, um braço da agência de modelos criado
para cuidar de novos atores. "Quando a ocasião exige deslocamento
para outra cidade, pedimos passagem e hospedagem para o ator e um
acompanhante." A propósito, chovem convites para trabalhos
fora do Rio. "Os cariocas estão acostumados com artistas
e cantores, mas em outros estados isso dá um tititi enorme",
reconhece Regina Matina, diretora de criação e marketing
da grife mineira DTA.
Wagner Santos
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| Karina Bacchi com Grazi Massafera em evento
da Lacoste: "Minha participação vale dinheiro"
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O potencial econômico que
ronda os famosos é tanto que, há dez anos, a agência
de modelos Ford criou um setor específico para tratar desses
negócios. Pioneira no país, a Ford Celebrities fica
com 20% do valor dos contratos. "Quando a celebridade não
é nossa, mas a presença foi prospectada pela agência,
dividimos a comissão com quem representa o artista", explica
Lícia Astorino, uma das assessoras da agência. No fim,
todo mundo ganha: o empresário fica bonito na foto, o intermediário
embolsa sua parte e o artista engrossa o orçamento. "O que
me mantém são os eventos e as fotos para publicidade",
reconhece a aspirante a atriz Ellen Roche. "Mas não faço
tudo. Promover o consumo de cigarro, por exemplo, não topo."
Do mesmo jeito, existem empresários que se recusam a pagar.
"Há anos contratamos atrizes para estrelar nossas campanhas",
diz Anderson Birman, dono da marca de sapatos Arezzo. "Convidamos
uma série delas para todos os nossos eventos, mas não
pago por isso nem faço permuta. Acho uma asneira." Quem vai
por livre e espontânea vontade, sem o meeeenor interesse
em nada, é claro, tem a consideração recompensada.
Dificilmente sai de mãos, ou melhor, de pés abanando.
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QUANTO
ELES COBRAM?
De 5 000 a 10 000 reais
Rômulo Arantes Neto,
Luma Costa, Juliana Baroni, gêmeas do Pan
De 10 000 a 15 000 reais
Camila Rodrigues, Bruno Gagliasso,
Siri e Cauã Reymond
De 15 000 a 20 000
reais
Daniella Cicarelli, Diego
Alemão, Cleo Pires e Gustavo Leão
De 20 000 a 30 000 reais
Deborah Secco, Fernanda Lima, Alinne Moraes
De 30 000 a 40 000
reais
Juliana Paes e Camila Pitanga
De 40 000 a 50 000 reais
Reynaldo Gianecchini, Rodrigo Santoro e apresentadores
como Ana Maria Braga e Luciano Huck
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EM ALTA
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EM BAIXA |
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Reynaldo Gianecchini
Rodrigo Santoro
Juliana Paes
Grazi Massafera
(lindos, simpáticos e profissionais)
Camila Pitanga
(é a bela da vez, mas raramente aceita convites)
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Vera Fischer
(pode furar em cima da
hora)
Carolina Dieckmann
(tem personalidade difícil)
Daniella Cicarelli
Raica
(sem Ronaldo Fenômeno,
perderam prestígio)
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