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8 de agosto de 2007

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CELEBRIDADES

Convidados profissionais

Artistas cobram até 50 000 reais para
prestigiar inaugurações, lançamentos
e festas patrocinadas por empresas

Marina Caruso e Fátima Sá

 
Marcos Ribolli
Os requisitadíssimos Bruno Gagliasso e Camila Rodrigues marcam presença no salão de beleza Mye, de São Paulo, ao lado de Fernanda Souza (à esq.)

Ag. News
Carregados de sacolas
e mimos,...
...deixam a ótica Lunetterie, após o lançamento dos óculos Diesel

Divulgação
Sempre solícito, o casal veste a camisa e posa para fotos com os donos do salão Prima Qualitá, em Ipanema, Domenico e Raquel Giordano

Fred Pontes/Divulgação
Durante o show da banda
Motumbá,...
...no Hotel Othon, em Salvador, os dois atraem a atenção de sites e colunas para o evento

É só folhear as revistas de celebridades. Ou dar uma espiada nas colunas sociais. De inauguração de loja a lançamento de óculos, passando pelas mais disputadas festas da cidade, há sempre algum artista badalando por aí. O script é mais ou menos este: o famoso bate papo com o anfitrião, dá autógrafo para o fã, posa para o fotógrafo e, se gostar da música, arrisca uns passinhos. Tudo muito natural, não fosse um detalhe: o agito é apenas mais um compromisso profissional na agenda da celebridade. Por mais espontâneo que isso possa parecer, boa parte dos chamados vips que marcam presença nos eventos cariocas só está ali por dinheiro. E dos bons. Aparições-relâmpago em lojas, salões de beleza, academias de ginástica, eventos patrocinados pelas mais variadas empresas e o que mais tiver conotação comercial rendem cachês de 2 000 a 50 000 reais. Tudo isso por, no máximo, duas horas de permanência no local.

A presença vip, como a prática tornou-se conhecida no mercado, é regida por um contrato como outro qualquer. Assim, o casal Bruno Gagliasso e Camila Rodrigues – prováveis recordistas de eventos neste ano – pede entre 10 000 e 20 000 reais para dar o ar da graça, segundo agentes e promoters cariocas (veja quadro). Juliana Paes, a mais disputada do momento, não sai de casa por menos de 30 000 reais. E Reynaldo Gianecchini, o favorito entre os homens, chega a cobrar 45 000 reais por aparição, mas recusa a maioria dos convites. "É um mercado que não pára de crescer", aposta a promoter Patrícia Brandão.

Mauricio Melo
Cleo Pires, em um lançamento da loja de acessórios Avec Nuance, no Shopping Leblon: bolsas de presente


Nem sempre os artistas pedem dinheiro. Muitos fazem questão de ir – de graça – quando acham a ocasião bacana, são amigos de quem convida ou têm algum interesse em estar no evento. "Se o agito é legal, as pessoas não cobram, vão porque querem", conta a promoter Fernanda Barbosa, que tem como clientes as grifes Cartier, Louis Vuitton e Dior. "Mas, se o convite é comercial, as pessoas cobram, sim." A explicação de todos é a mesma. O convidado vip – ainda que contratado – aumenta o status do evento e atrai colunas sociais, revistas de celebridades, sites de fofocas. No fim das contas, o anfitrião e sua marca acabam pegando carona e faturam com a visibilidade do famoso.

Como em qualquer negociação, porém, o preço inicial nem sempre corresponde ao valor final. "Muita gente diz que cobra caro, mas fecha pela metade quando o empresário finca pé em uma proposta menor", revela um agente que prefere não se identificar. "Se o convite for para alguma roubada, jogo o preço lá em cima para não fechar mesmo", afirma outro. O valor pago depende, primeiro, da fama do artista. Depois, do poder de fogo de quem quer contratá-lo. E, por fim, da habilidade de quem o representa. "Quem sabe negociar consegue levar dois artistas valorizados por 15 000 reais", gaba-se a executiva de uma grife.

 
Bob Paulino
Gianecchini, animando a festa do sabonete Lux, há quatro anos: como vai a poucos eventos, o cachê é de 45 000 reais

Aqui nem tudo é dinheiro. O contratante, na maioria das vezes, prefere encher o convidado de presentes de sua marca a pagar cachê. É nessa hora que entra em cena a promoter. "O bom profissional faz o meio de campo entre o que o artista quer receber e o que o empresário pode pagar", diz Carol Sampaio, contratada pela Oi para levar nomes conhecidos aos Jogos Pan-Americanos. Para ela, raras são as missões impossíveis. Recentemente, convenceu Fernanda Lima, Letícia Birkheuer e Cleo Pires a comparecer à inauguração da loja de acessórios Avec Nuance, no Shopping Leblon. "Não tinha dinheiro na jogada", garante. Nem precisava. Cada bolsinha Marc Jacobs ou Luella à venda na loja custa em torno de 5 000 reais. Cleo Pires – há testemunhas – saiu com quatro modelos a tiracolo.

Tem quem cobre muito, quem negocie bem e quem fature pela rotatividade. Diego Gasques, o Alemão do Big Brother, faz até três aparições pagas por dia. "Desde que ele saiu do programa, não parou um segundo", diz Fernanda Gasques, irmã e assessora do ex-BBB. "Em sessenta dias, foi para 24 estados. Cada contrato, assinado antes do evento, define que a permanência não passe de quarenta minutos." Apesar do pouco tempo, Fabiana Dalmaso, sócia da rede de lojas Myth, que recentemente contratou o rapaz para a abertura de sua décima filial, na Tijuca, acredita que ele "vale cada real". É fácil entender por quê. "O shopping inteiro parou diante da minha loja e, dias depois, a mãe dele apareceu na televisão usando uma blusa nossa." Tanto a irmã do ex-BBB quanto a dona da loja desconversam quando o assunto é cachê. Mas um empresário que já contratou Alemão declara ter pago 15 000 reais pela aparição.

 
Leonardo Marinho
Juliana Paes e Suzana Vieira, na academia A!Body Tech: presença retribui cortesia na malhação

Em se tratando de celebridades instantâneas, o melhor é realmente aproveitar enquanto a fama dura. Como em todo ramo da economia, esse mercado está sujeito a flutuações. Protagonistas de novela valem mais. Ao sair do ar, lógico, o valor do cachê cai. E mesmo quem está no auge precisa ter cuidado com o excesso de convites. "Não podemos aceitar todos os pedidos, senão viramos arroz-de-festa", pondera Guilherme Abreu, agente de Thiago Lacerda, Luciano Szafir e Gustavo Leão, entre outros. Ou seja, quem só pensa em engordar o cofrinho hoje corre o risco de esvaziá-lo amanhã. Estrelismos e pitis derrubam a cotação. Vera Fischer já foi o sonho de consumo de muitos empresários, chegando a receber 50 000 reais para borboletear por uma festa em Copacabana. Hoje, muitos preferem não arriscar. "Mesmo com cachê, na hora H ela pode não aparecer", entrega uma promoter conhecida na ponte Rio–São Paulo.

Ike Cruz, responsável pelo contrato de beldades como Juliana Paes, Deborah Secco e Joana Balaguer, conhece bem o dilema dos convites. Todo dia o agente recebe propostas. "Quanto mais criteriosa for a escolha, mais natural será a presença", afirma. Acontece que parte do jogo de cena é justamente fazer com que o famoso (mesmo recebendo dinheiro) pareça um convidado normal, que está ali para prestigiar o anfitrião. Cauteloso, Ike costuma dar preferência a clientes do segmento de moda e beleza. "Trabalho com mulheres lindas, faz sentido vê-las em festas fashion", diz. Para o mercado, entretanto, faz sentido vê-las em toda parte. "Já me ofereceram um boi – um não, o melhor boi de uma criação – para que uma das minhas atrizes aparecesse em um rodeio", lembra.

 
Divulgação
Alemão, na abertura da loja Myth: o ex-BBB chega a embolsar 15 000 reais por quarenta minutos de aparição

Ele não é o único que torce o nariz para propostas sem cachê. A atriz Karina Bacchi jura que não aceita jabá em troca da presença. "As pessoas esqueceram que o tempo do escambo já era", diz. Saias, vestidos e colares – ela avisa – não a fazem sair de casa. "Não estou montando um brechó. Minha participação vale dinheiro. Se quiser roupa, vou lá e compro", argumenta. O cantor Dudu Nobre não parece pensar da mesma forma. "Toda a roupa que estou vestindo (boné Kangoo, camisa Lacoste e calça Diesel) ganhei de presente das grifes", ele assumiu no coquetel de lançamento de um tênis da Nike, um mês e meio atrás. "A Lacoste me dá um crédito de 3 000 reais por coleção. Vou à loja e escolho o que quero", alardeia. "É mais barato contratar o Dudu Nobre para uma festa do que sua banda, de 25 músicos, para um show", diz, sobre si mesmo.

Bolsa, dinheiro, celular. Pouco importa. "Quem quer que sua festa saia nas revistas tem de estar disposto a pagar e a mimar os globais", afirma a promoter paulistana Ana Carvalho Pinto. E isso não ocorre apenas no eixo Rio–São Paulo. "Em Paris, Nova York e Milão também é assim. Todos os anfitriões querem a celebridade como a cereja do bolo que servem." Para evitar frustrações, antes de fechar qualquer negócio, Ana costuma ser enfática: "Se não estiver disposto a pagar pelo vip, esqueça o retorno de mídia". Em algumas situações, é preciso até pagar hora extra caso a aparição extrapole o tempo previamente estipulado. "Há cláusulas como pagamento à vista, em dinheiro e um dia antes do evento", detalha Acquiles Araújo, diretor do departamento de talentos da L'Equipe, um braço da agência de modelos criado para cuidar de novos atores. "Quando a ocasião exige deslocamento para outra cidade, pedimos passagem e hospedagem para o ator e um acompanhante." A propósito, chovem convites para trabalhos fora do Rio. "Os cariocas estão acostumados com artistas e cantores, mas em outros estados isso dá um tititi enorme", reconhece Regina Matina, diretora de criação e marketing da grife mineira DTA.

 
Wagner Santos
Karina Bacchi com Grazi Massafera em evento da Lacoste: "Minha participação vale dinheiro"

O potencial econômico que ronda os famosos é tanto que, há dez anos, a agência de modelos Ford criou um setor específico para tratar desses negócios. Pioneira no país, a Ford Celebrities fica com 20% do valor dos contratos. "Quando a celebridade não é nossa, mas a presença foi prospectada pela agência, dividimos a comissão com quem representa o artista", explica Lícia Astorino, uma das assessoras da agência. No fim, todo mundo ganha: o empresário fica bonito na foto, o intermediário embolsa sua parte e o artista engrossa o orçamento. "O que me mantém são os eventos e as fotos para publicidade", reconhece a aspirante a atriz Ellen Roche. "Mas não faço tudo. Promover o consumo de cigarro, por exemplo, não topo." Do mesmo jeito, existem empresários que se recusam a pagar. "Há anos contratamos atrizes para estrelar nossas campanhas", diz Anderson Birman, dono da marca de sapatos Arezzo. "Convidamos uma série delas para todos os nossos eventos, mas não pago por isso nem faço permuta. Acho uma asneira." Quem vai por livre e espontânea vontade, sem o meeeenor interesse em nada, é claro, tem a consideração recompensada. Dificilmente sai de mãos, ou melhor, de pés abanando.

 

QUANTO ELES COBRAM?

De 5 000 a 10 000 reais
Rômulo Arantes Neto, Luma Costa, Juliana Baroni, gêmeas do Pan

De 10 000 a 15 000 reais
Camila Rodrigues, Bruno Gagliasso, Siri e Cauã Reymond

De 15 000 a 20 000 reais
Daniella Cicarelli, Diego Alemão, Cleo Pires e Gustavo Leão  

De 20 000 a 30 000 reais
Deborah Secco, Fernanda Lima, Alinne Moraes

De 30 000 a 40 000 reais
Juliana Paes e Camila Pitanga

De 40 000 a 50 000 reais
Reynaldo Gianecchini, Rodrigo Santoro e apresentadores como Ana Maria Braga e Luciano Huck



EM ALTA

  EM BAIXA

Reynaldo Gianecchini
Rodrigo Santoro
Juliana Paes

Grazi Massafera
(lindos, simpáticos e profissionais)
Camila Pitanga

(é a bela da vez, mas raramente aceita convites)

 

Vera Fischer
(pode furar em cima da hora)
Carolina Dieckmann
(tem personalidade difícil)
Daniella Cicarelli
Raica

(sem Ronaldo Fenômeno,
perderam prestígio)

         
     

 

 
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