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SOLIDARIEDADE
Uma obra-prima da dança Thereza
Aguilar festeja dez anos do Dançando para Não Dançar Debora
Ghivelder Dilmar
Cavalher/Strana
 | | Thereza
e as alunas:
futuro com sapatilhas
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Ela
tinha um par de sapatilhas e uma idéia na cabeça. A bailarina Thereza
Aguilar queria, por meio da dança, garantir um futuro melhor para crianças
carentes. Sem dinheiro, subiu o Morro do Cantagalo/Pavão-Pavãozinho
para ensinar pliés. Tinha 45 alunos e uma salinha. O projeto de
Thereza, Dançando para Não Dançar, completa dez anos e festeja
a data com o espetáculo Suíte Bela, que ocupará nos
dias 17 e 18 o Teatro João Caetano. Também lança um livro,
escrito por Luis Pimentel e ilustrado por Nani, sobre a trajetória vitoriosa
do projeto. O Dançando cuida de 450 crianças de onze comunidades.
Há cinco anos recebe da Petrobras cerca de 400 000 reais por ano, além
de apoio da Lufthansa e da Videofilmes. Thereza
é inquieta. Não fosse assim, não teria trocado Copacabana
pela Ballet Schuller Berlin (Escola de Balé de Berlim), no início
dos anos 80. De lá, seguiu para Cuba e atuou no Ballet de Camaguey. A experiência
foi especial. Ela dançava e participava (era praxe) de ações
sociais do governo. Numa dessas vezes, foi colher mandioca no campo com Antonio
Gades e Cristina Hoyos. A famosa dupla espanhola resolveu dançar para os
camponeses no meio da colheita. "Foi mágico. O povo adorou", lembra Thereza,
que viu nascer ali a idéia do Dançando para Não Dançar.
Os dez anos do projeto mostraram a Thereza que dançar não é
suficiente. Hoje o projeto ensina balé, oferece médico, dentista,
fonoaudióloga, assistência social e psicológica. Passou a
cuidar das mães das meninas. O Dançando em Família garante
escolaridade a vinte mães de bailarinas. "Temos de fazer a família
acompanhar a criança", diz Thereza, que sonha em ter uma escola parecida
com aquela em que estudou na Alemanha. "É um internato, onde se estuda
tudo", conta ela, que já levou quinze meninas para se apresentar na escola
alemã. Uma de suas alunas, Bárbara Melo, passou por lá e
atualmente é bailarina em Rostock. Márcia Freire está no
Balé Stagium de São Paulo e Francisca Emiliano Soares dançou
na Alemanha, é professora do projeto e cursa dança da UniverCidade.
"Temos umas oitenta crianças na escola de formação do Municipal,
a Maria Olenewa", comemora Paulo Rodrigues, primeiro-bailarino do Municipal e
professor no Dançando. Ele assina com Thereza a direção do
Suíte Bela, baseado em A Bela Adormecida. "Não temos
a pretensão de fazer uma suíte do balé A Bela Adormecida",
diz ele. Paulo conta com as estrelas do Municipal Márcia Jaqueline e Vítor
Luís nos papéis principais do balé. A Bela Adormecida
é uma história perfeita para marcar os dez anos do Dançando.
Thereza e sua equipe entendem de despertar princesas. |