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7 de dezembro de 2005

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Uma obra-prima da dança

Thereza Aguilar festeja dez anos do Dançando para Não Dançar

Debora Ghivelder

 

Dilmar Cavalher/Strana
Thereza e as alunas: futuro com sapatilhas

Ela tinha um par de sapatilhas e uma idéia na cabeça. A bailarina Thereza Aguilar queria, por meio da dança, garantir um futuro melhor para crianças carentes. Sem dinheiro, subiu o Morro do Cantagalo/Pavão-Pavãozinho para ensinar pliés. Tinha 45 alunos e uma salinha. O projeto de Thereza, Dançando para Não Dançar, completa dez anos e festeja a data com o espetáculo Suíte Bela, que ocupará nos dias 17 e 18 o Teatro João Caetano. Também lança um livro, escrito por Luis Pimentel e ilustrado por Nani, sobre a trajetória vitoriosa do projeto. O Dançando cuida de 450 crianças de onze comunidades. Há cinco anos recebe da Petrobras cerca de 400 000 reais por ano, além de apoio da Lufthansa e da Videofilmes.

Thereza é inquieta. Não fosse assim, não teria trocado Copacabana pela Ballet Schuller Berlin (Escola de Balé de Berlim), no início dos anos 80. De lá, seguiu para Cuba e atuou no Ballet de Camaguey. A experiência foi especial. Ela dançava e participava (era praxe) de ações sociais do governo. Numa dessas vezes, foi colher mandioca no campo com Antonio Gades e Cristina Hoyos. A famosa dupla espanhola resolveu dançar para os camponeses no meio da colheita. "Foi mágico. O povo adorou", lembra Thereza, que viu nascer ali a idéia do Dançando para Não Dançar. Os dez anos do projeto mostraram a Thereza que dançar não é suficiente. Hoje o projeto ensina balé, oferece médico, dentista, fonoaudióloga, assistência social e psicológica. Passou a cuidar das mães das meninas. O Dançando em Família garante escolaridade a vinte mães de bailarinas. "Temos de fazer a família acompanhar a criança", diz Thereza, que sonha em ter uma escola parecida com aquela em que estudou na Alemanha. "É um internato, onde se estuda tudo", conta ela, que já levou quinze meninas para se apresentar na escola alemã. Uma de suas alunas, Bárbara Melo, passou por lá e atualmente é bailarina em Rostock. Márcia Freire está no Balé Stagium de São Paulo e Francisca Emiliano Soares dançou na Alemanha, é professora do projeto e cursa dança da UniverCidade. "Temos umas oitenta crianças na escola de formação do Municipal, a Maria Olenewa", comemora Paulo Rodrigues, primeiro-bailarino do Municipal e professor no Dançando. Ele assina com Thereza a direção do Suíte Bela, baseado em A Bela Adormecida. "Não temos a pretensão de fazer uma suíte do balé A Bela Adormecida", diz ele. Paulo conta com as estrelas do Municipal Márcia Jaqueline e Vítor Luís nos papéis principais do balé. A Bela Adormecida é uma história perfeita para marcar os dez anos do Dançando. Thereza e sua equipe entendem de despertar princesas.

     
  
   

 

 
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