| |
| |  | |
PERFIL
Carioca por adoção Wagner
Tiso comemora 60 anos no Municipal Gustavo
Autran Bruno
Veiga/Strana
 | | O
pianista mineiro no Arpoador: balanço de 45 anos de carreira
|
Às
vésperas do golpe de 1964, o pianista e arranjador mineiro Wagner Tiso
veio ao Rio pela primeira vez para participar de uma gravação com
o grupo do compositor Pacífico Mascarenhas. Ao avistar a orla de Copacabana,
o músico ficou tão maravilhado que encheu uma garrafa com a água
do mar só para levar de recordação. "Naquela noite eu não
dormi. Bati perna no Beco das Garrafas e parti com a certeza de que iria voltar",
recorda Wagner. Dito e feito. No ano seguinte, ele já estava batalhando
por um lugar no piano dos enfumaçados nightclubs de Copacabana. "Dormi
nos bancos da Praça do Lido e morei em vaga até conseguir um emprego
na Boate Drink, que era administrada pelo Cauby Peixoto", conta. Os sessenta anos
de vida, que se completam no dia 12 de dezembro, e os 45 de profissão ganham
comemoração de gala no Theatro Municipal com o concerto que será
realizado neste sábado (10), a partir das 20h (leia mais na coluna Shows).
Wagner
vai revisitar os momentos mais significativos de sua carreira, ao lado da Orquestra
Petrobras Sinfônica e de personagens relevantes em sua trajetória.
A lista de convidados é extensa e inclui Gal Costa, Milton Nascimento,
Cauby Peixoto, Paulo Moura, os integrantes do conjunto Uakti e alguns músicos
que fizeram parte do grupo Som Imaginário, no início dos anos 70.
Wagner, que assina todos os arranjos do repertório, vai tocar piano, acordeão
e também atuará como regente da orquestra. A abertura será
com componentes do Som Imaginário, escalados para tocar temas instrumentais
do disco Matança do Porco, lançado em 1973. Parceiro de longa
data, o clarinetista Paulo Moura subirá ao palco para interpretar a clássica
Da Cor do Pecado e o samba-choro Choro Samba Quebra, composto pelo
anfitrião. Cauby Peixoto vai mostrar, entre outras, a inédita A
Flor do Cais, música escrita por Wagner que ganhou letra de Geraldinho
Carneiro. Em
seguida, Gal Costa cantará dois clássicos gravados no CD Acústico
MTV (1997) Camisa Amarela, de Ary Barroso, e Sua Estupidez,
da dupla Roberto e Erasmo Carlos. "Eu e Gal nos conhecemos na época do
show Milton Nascimento, Ah, e O Som Imaginário. Ela curtiu bastante
o nosso som e quis trabalhar com a gente no ato", recorda Wagner. A parceria da
cantora com o antigo grupo do músico mineiro resultou no espetáculo
Deixa Sangrar, que ficou em cartaz no Teatro Opinião bem no princípio
dos anos 70. "Minha identificação com o Wagner foi instantânea.
Tanto que até hoje trabalhamos juntos, em shows ou no estúdio. Além
de combinarmos musicalmente, nos damos muito bem. Wagner é uma pessoa muito
amorosa e doce", elogia a cantora. Outra presença da noite, Milton vai
interpretar Castigo, de Dolores Duran, e o sucesso Coração
de Estudante. Ele encerrará sua participação no concerto
ao lado de Gal Costa, na música Solar. "Vou comemorar meu aniversário
rodeado pelos bons e velhos amigos. Quer coisa melhor?", comemora o músico.
|