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7 de dezembro de 2005

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Carioca por adoção

Wagner Tiso comemora 60 anos no Municipal

Gustavo Autran

 

Bruno Veiga/Strana
O pianista mineiro no Arpoador: balanço de 45 anos de carreira

Às vésperas do golpe de 1964, o pianista e arranjador mineiro Wagner Tiso veio ao Rio pela primeira vez para participar de uma gravação com o grupo do compositor Pacífico Mascarenhas. Ao avistar a orla de Copacabana, o músico ficou tão maravilhado que encheu uma garrafa com a água do mar só para levar de recordação. "Naquela noite eu não dormi. Bati perna no Beco das Garrafas e parti com a certeza de que iria voltar", recorda Wagner. Dito e feito. No ano seguinte, ele já estava batalhando por um lugar no piano dos enfumaçados nightclubs de Copacabana. "Dormi nos bancos da Praça do Lido e morei em vaga até conseguir um emprego na Boate Drink, que era administrada pelo Cauby Peixoto", conta. Os sessenta anos de vida, que se completam no dia 12 de dezembro, e os 45 de profissão ganham comemoração de gala no Theatro Municipal com o concerto que será realizado neste sábado (10), a partir das 20h (leia mais na coluna Shows).

Wagner vai revisitar os momentos mais significativos de sua carreira, ao lado da Orquestra Petrobras Sinfônica e de personagens relevantes em sua trajetória. A lista de convidados é extensa e inclui Gal Costa, Milton Nascimento, Cauby Peixoto, Paulo Moura, os integrantes do conjunto Uakti e alguns músicos que fizeram parte do grupo Som Imaginário, no início dos anos 70. Wagner, que assina todos os arranjos do repertório, vai tocar piano, acordeão e também atuará como regente da orquestra. A abertura será com componentes do Som Imaginário, escalados para tocar temas instrumentais do disco Matança do Porco, lançado em 1973. Parceiro de longa data, o clarinetista Paulo Moura subirá ao palco para interpretar a clássica Da Cor do Pecado e o samba-choro Choro Samba Quebra, composto pelo anfitrião. Cauby Peixoto vai mostrar, entre outras, a inédita A Flor do Cais, música escrita por Wagner que ganhou letra de Geraldinho Carneiro.

Em seguida, Gal Costa cantará dois clássicos gravados no CD Acústico MTV (1997) – Camisa Amarela, de Ary Barroso, e Sua Estupidez, da dupla Roberto e Erasmo Carlos. "Eu e Gal nos conhecemos na época do show Milton Nascimento, Ah, e O Som Imaginário. Ela curtiu bastante o nosso som e quis trabalhar com a gente no ato", recorda Wagner. A parceria da cantora com o antigo grupo do músico mineiro resultou no espetáculo Deixa Sangrar, que ficou em cartaz no Teatro Opinião bem no princípio dos anos 70. "Minha identificação com o Wagner foi instantânea. Tanto que até hoje trabalhamos juntos, em shows ou no estúdio. Além de combinarmos musicalmente, nos damos muito bem. Wagner é uma pessoa muito amorosa e doce", elogia a cantora. Outra presença da noite, Milton vai interpretar Castigo, de Dolores Duran, e o sucesso Coração de Estudante. Ele encerrará sua participação no concerto ao lado de Gal Costa, na música Solar. "Vou comemorar meu aniversário rodeado pelos bons e velhos amigos. Quer coisa melhor?", comemora o músico.

     
  
   

 

 
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