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7 de maio de 2003
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CIDADE

Tradição remodelada

Feira de São Cristóvão muda-se
para o Pavilhão

Fátima Sá


Fotos Mirian Monteiro/Strana
ana
Solo nordestino: o novo Pavilhão terá barracas, palcos e praças (à dir.)

Desta vez o carioca pode acreditar. Depois de mais de vinte anos de promessas e outros tantos de abandono, o Pavilhão de São Cristóvão vai enfim reabrir as portas. Novinho em folha. No primeiro fim de semana de julho, começa a funcionar ali o Centro de Tradições Nordestinas – a nova versão da Feira de São Cristóvão, que irá deixar as calçadas do bairro e se transferir para o pavilhão. Ao todo serão 32 000 metros quadrados dedicados a culinária, música, artesanato e danças típicas do Nordeste. Um espaço ocupado por 664 barracas de tamanhos variados, dois palcos para shows, alojamento para artistas convidados, praças, banco, posto de saúde e posto policial. Além de 128 banheiros e quase 800 vagas de estacionamento. Somando a reforma do pavilhão, mais as obras ao redor da construção e o custo das barracas, o novo centro é fruto de um investimento de mais de 20 milhões de reais. E deve ser inaugurado com uma festa de arromba. "Queremos um show da Elba Ramalho, que é nossa madrinha. Coisa para 200.000 pessoas", sonha o cearense Agamenon de Almeida, presidente da cooperativa de feirantes.

Com ou sem a madrinha, a nova feira vai surpreender quem se habituou ao improviso. A começar pela apresentação. Para garantirem um lugar ao sol, os feirantes têm de comprar as barracas padronizadas da prefeitura, financiadas por um fundo municipal. "Aos poucos, eles vão saindo da clandestinidade e dando o primeiro passo para virar microempresários", diz Emir Bechepeche, administrador da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, encarregado de acompanhar a criação do centro. Os feirantes também deverão se adaptar a novas normas. Os açougues, por exemplo, ficarão concentrados numa mesma área, em boxes. Todos terão frigorífico para armazenar as carnes e selo da Vigilância Sanitária. "Vamos fazer uma feira organizada. Com estrutura, mas sem frescura", pondera Agamenon.

O novo centro, espera-se, deve resolver três problemas. De um lado, acolhe os feirantes, que há mais de quinze anos reivindicam o uso do espaço. De outro, põe fim ao tumulto da feira, que já foi alvo de muita briga com os moradores de São Cristóvão. E ainda dá um destino ao pavilhão. Erguido em 1959 a partir de um projeto premiado do arquiteto Sérgio Bernardes, o local foi palco de feiras, festivais de música e até concursos de miss. Depois, abrigou um ginásio de esportes, virou barracão de escolas de samba e terminou abandonado. Projetos nunca faltaram. Quiseram transformá-lo em camelódromo, gafieira, rodoviária, centro cultural, shopping para pequenos empresários e até numa versão carioca do Madison Square Garden.

 

O novo Pavilhão

Ao todo, 20 milhões de reais foram investidos nos
32 000
metros quadrados do local

Serão 664 barracas, trinta boxes, dois palcos, 128 banheiros e quase 800 vagas de estacionamento

Hoje, a Feira de São Cristóvão atrai 80 000 visitantes por fim de semana. Dentro do Pavilhão, estima-se que reunirá 180 000

         
     
 
 
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