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REPORTAGEM
DE CAPA
Dedicação
integral ou
carreira profissional?
As
alegrias e as preocupações
de mães que optaram por
uma ou por outra solução
Sofia Cerqueira e Melissa Jannuzzi
Ricardo Fasanello/Strana
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Fernanda
Venturini
jogadora de vôlei
Para voltar às quadras, Fernanda fez um contrato especial
com o BCN de Osasco, especificando que poderia levar a filha,
Júlia, 1 ano e 4 meses, para todas as concentrações e jogos.
A menina se hospeda com a babá no mesmo hotel em que fica o
time. Presença freqüente nos estádios, Júlia já virou a mascote
das jogadoras. |
Não
existe regra. Algumas mulheres conseguem manter o mesmo ritmo de
antes, outras vivem buscando o tão sonhado equilíbrio
e há ainda aquelas que optam por abrir mão de tudo.
O sonho e a realização da maternidade vêm sempre
acompanhados de um grande dilema: como se dedicar aos filhos e,
ao mesmo tempo, crescer profissionalmente? A resposta não
é uma simples questão de certo ou errado. Cada mãe
encontra a própria fórmula. "Acho que filho vem para
somar. Ficaria muito infeliz se deixasse a minha profissão",
diz a atriz Claudia Raia, 36 anos, que trabalhou até duas
semanas antes de a pequena Sophia nascer e voltou às gravações
dois meses e meio depois. "Acho que ser mãe é ter
enorme vontade de acertar. O que é bom para mim pode não
ser para outra mulher", comenta a advogada Olga Antunes Maciel,
30 anos, que largou a promissora carreira no mercado financeiro
para cuidar de Laura, 1 ano e 2 meses. "No meu contrato exigi que
minha filha estivesse sempre comigo. Ela me acompanhou em todos
os jogos e virou a mascote do time", diz a jogadora de vôlei
Fernanda Venturini, 32 anos, mãe de Júlia, 1 ano e
4 meses, que acabou de ser campeã da Liga Nacional pelo BCN
de Osasco. Não tem jeito. As escolhas, por mais diferentes
que sejam, são sempre acompanhadas de momentos de incerteza.
"É importante a mãe ser uma mulher realizada, independentemente
de trabalhar ou não", avalia a psicanalista Márcia
Rodrigues Ganime, da Sociedade Brasileira de Psicanálise
no Rio. Pelo menos no próximo domingo, Dia das Mães,
todas vão ter um motivo especial para estar em casa.
Ricardo Fasanello/Strana
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Claudia Martins/Strana
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Claudia
Raia
atriz
Claudia estabeleceu condições para voltar ao trabalho apenas
dois meses e meio depois de dar à luz Sophia: só gravaria duas
horas por dia. Com o filho mais velho, Enzo, 6 anos, o retorno
foi depois de um ano e dois meses. Nos intervalos das cenas,
fugia para encontrá-lo mesmo que por pouco tempo. |
Olga
Antunes Maciel
dona-de-casa (ex-executiva do mercado financeiro)
Com
a carreira em ascensão, Olga tomou uma decisão radical: largou
tudo três semanas depois do fim da licença-maternidade. Ela
só pensava em voltar para casa. Sua agenda agora inclui apenas
cuidar de Laura, 1 ano e 2 meses, e do planejamento doméstico.
"Diria que hoje sou uma profissional muito realizada." |
Nem
que seja por pouco tempo. Daniela Maluf, 32 anos, executiva do Banco
Opportunity, vive numa eterna correria. Diariamente ela passa onze
horas longe das filhas Carolina, 9 anos, e Giovana, 6. "Elas sabem
que são o que tenho de mais importante. Se temos uma boa
vida, é porque trabalho muito", diz. O dia da executiva começa
às 5h20, quando malha por uma hora. "É o único
horário só para mim." Para coordenar crianças,
babá, empregada e motorista, Daniela lança mão
de bilhetes pela casa. "Isso dá segurança a todos.
Ainda assim ligo cinco vezes por dia", admite. Para compensar o
esforço de todos e, é claro, sua ausência, sempre
que recebe um bônus do banco, presenteia as filhas e os empregados.
Como Daniela, a publicitária Teresa Cicupira, 44 anos, sabe
muito bem o que é viver com a agenda lotada e o tempo contado.
Não agüentou. "Eu não soube dosar", diz ela,
que, como muitas mulheres bem-sucedidas, ao dar à luz os
gêmeos Maria Helena e Carlos, hoje com 8 anos, não
alterou sua carga de trabalho. Quando as crianças estavam
prestes a completar 4 anos, tomou uma decisão radical: largou
o cobiçado posto de diretora da conta da De Beers, a maior
mineradora de diamantes do mundo, na agência J.W. Thompson.
"Quando via uma mulher parar de trabalhar, achava que ela ia ficar
fora do mundo, só falando de babá e do feijão
que queimou", lembra Teresa. Seu expediente era de doze horas por
dia e ela fazia seis viagens internacionais por ano. Numa dessas
ausências por causa do trabalho, veio o estalo: "Meus filhos
estão crescendo, e um dia vou deparar com adultos que não
conheço". A publicitária virou mãe em tempo
integral.
Bruno Veiga/Strana
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Flávia
Bordallo
pediatra
A médica encontrou sua fórmula de conciliar carreira e maternidade:
reduziu os plantões a dois por semana. No resto do tempo, cuida
de Luísa, 5 anos, e de Fernanda, 5 meses. Tem a ajuda do marido,
que já passou por alguns sufocos. "Ele chegou até a botar uma
roupa minha quando Luísa era bebê para ver se ela se acalmava
com o cheiro." |
A
questão do tempo, de fato, é o problema que mais atormenta
as mães. Difícil encontrar alguma que não se
assombre com o pesadelo de que seus filhos se transformem em adultos
egoístas e inseguros por falta de dedicação
materna. "Quanto mais horas a mãe puder ficar com o filho,
melhor. Se o tempo é curto, o importante é a qualidade",
diz a psicanalista Márcia Ganime. "O tempo tem de ser só
para a criança. Não adianta dividir a atenção
com os afazeres da casa", completa. Estreante no papel de mãe,
a atriz Maria Ribeiro, 27 anos, faz planos para não desgrudar
do rebento quando voltar ao batente começa a ensaiar
uma peça em agosto. "Criança feliz é junto
da mãe. Prefiro ele mal-ajambrado num camarim a ser criado
por outra pessoa", diz Maria, casada com o ator Paulo Betti e mãe
de João, de 1 mês. A atriz, porém, nem pensa
em abrir mão da carreira. "Vou ser uma mãe melhor
se não deixar de fazer as coisas de que gosto", comenta ela.
Claudia Raia, mãe de Enzo, 6 anos, e de Sophia, 3 meses,
também acredita que é possível conciliar as
funções de mãe e de profissional. Desde que
o filho era bem pequeno, sempre dava a mesma explicação
ao sair de casa: Mamãe vai trabalhar, mas volta. "Estou muito
feliz por exercer a profissão que amo", confessa Claudia.
Sophia, no entanto, conheceu ainda mais cedo a rotina da mãe.
Claudia soube que estava grávida quando ia começar
a gravar a novela O Beijo do Vampiro e o autor, Antônio
Calmon, adaptou a história da vampira infértil ao
estado interessante da atriz. De volta aos estúdios, com
a filha recém-nascida em casa, não escapou dos sufocos.
"Só gravava duas horas por dia. Mesmo assim, uma vez peguei
um engarrafamento e o Edson (Celulari) teve de levar a Sophia, que
chorava sem parar, até o meio do caminho para ser amamentada."
Bruno Veiga/Strana
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Cláudia Martins/Strana
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Teresa
Cicupira
dona-de-casa (ex-publicitária)
Ela foi até o limite: depois de ter os gêmeos Maria Helena e
Carlos, hoje com 8 anos, manteve o ritmo de doze horas de trabalho
por dia durante quatro anos. Os filhos ficavam com babás enquanto
ela fazia até seis viagens internacionais por ano. Optou por
largar a publicidade para acompanhar o crescimento das crianças.
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Maria
Ribeiro
atriz
Novata no papel de mãe, Maria, que há um mês teve João, pretende
voltar ao trabalho em agosto. Ela acredita que criança feliz
é criança ao lado da mãe. Mas nem por isso pensa em se afastar
dos palcos ou dos estúdios. "A vida toda vi outros artistas
carregando os filhos para as coxias. Pretendo fazer o mesmo
com meu filho." |
Improvisos
fazem parte da rotina das mães que vivem divididas entre
os cuidados com a família e a dedicação profissional.
Júlia, 1 ano e 4 meses, filha de Fernanda Venturini e do
técnico Bernardinho, já tem mais horas de vôo
do que muito adulto. "Em todas as concentrações, ficava
num quarto com a jogadora Virna e Júlia dividia outro em
frente com a babá. Foi a condição que impus
para voltar a jogar", conta Fernanda, que mora no Rio e nos últimos
meses, quando defendia o BCN de Osasco, se mudou para São
Paulo. Por causa da agenda de jogos da mãe, Júlia
não segue a rotina rígida dos bebês de sua idade.
"Você tem de montar uma estrutura de acordo com sua vida.
De que adianta ela dormir às 7 da noite se não vê
a mãe? Ela assiste a todos os meus jogos nos estádios",
orgulha-se. A menina virou o xodó das outras atletas. "Ela
tem de se acostumar com o barulho e o ritmo de vida dos pais." Fernanda,
que chegou a se despedir das quadras ao engravidar, voltou atrás
seduzida pelo desafio de mais um título. "Só entrei
em deprê quando o Bernardo ganhou o Mundial de Vôlei
e eu não estava ao lado dele. Eu me sentiria frustrada se
não voltasse a jogar", afirma. Para não correr o risco
de ficar dividida, a ex-executiva do Bank of America Olga Antunes
Maciel, 30 anos, decidiu deixar para trás as aspirações
profissionais. Largou a rotina de onze horas de trabalho diário
três semanas depois de voltar da licença-maternidade.
"Senti que não pertencia mais àquele lugar. As horas
se arrastavam, e minha cabeça estava em casa." Olga, mãe
da bochechuda Laura, 1 ano e 2 meses, está completamente
realizada numa rotina de sopinhas, fraldas, pracinha e supermercado.
"Quando me perguntam sobre a vida profissional, digo que hoje, sim,
sou muito realizada, mas como mãe", declara.
Fotos Ricardo Fasanello/Strana
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Daniela Maluf
executiva do Banco Opportunity
A correria de Daniela começa às 5h20, quando acorda para malhar.
Ela passa onze horas longe das filhas, Carolina, 9 anos, e Giovanna,
6, e administra a rotina doméstica com bilhetes e telefonemas.
"As meninas não reclamam porque sabem que não há opção. Sou
muito feliz, e elas sabem que são o que existe de mais importante
para mim", diz. |
Pôr
um freio na carreira e dedicar mais tempo à criação
dos filhos é uma decisão difícil. Nem começá-la,
então, mais ainda. "As pessoas se surpreendem quando descobrem
que nunca trabalhei e que optei por isso para cuidar dos filhos",
diz Andréa Marinho, 27 anos, mãe de Tiago, 5, e de
Felipe, 1. Casada com um consultor de informática, ela dedica
as 24 horas do dia às crianças. "Quando vejo alguma
mãe executiva nas reuniões de escola, não sinto
um pingo de inveja. Gosto da minha vida assim, estou realizada",
afirma. E enumera as vantagens: "Escutei a primeira palavra, vi
o primeiro passo, o primeiro dente nascer..." Como em qualquer opção,
a vida de mãe em tempo integral tem seus prós e contras.
"Se trabalhasse, sobraria mais dinheiro para viagens e diversão",
diz. A pediatra Flávia Bordallo, 36 anos, não cogitou
a hipótese de parar de trabalhar depois de ser mãe,
mas reduziu drasticamente sua carga horária. Até o
nascimento de Luísa, 5 anos, trabalhava sessenta horas semanais.
"Encontrei o meio-termo. Trabalho em minha área, mas não
faço mais tantos plantões", conta Flávia, que
tem ainda a pequena Fernanda, 5 meses, e duas vezes por semana dá
plantão de doze horas na UTI neonatal da Clínica Perinatal.
Mesmo assim, precisa da ajuda do marido, o advogado Marcelo Freire.
"Meu marido pegou o jeito com criança no tranco. Hoje troca
fralda, dá banho, mamadeira...", conta a médica, lembrando-se
do sufoco que Marcelo passou logo que ela voltou aos plantões
noturnos após o primeiro parto. "Ele ficou tão desesperado
com o choro da Luísa que vestiu uma roupa minha para ver
se ela sentia o cheiro e se acalmava", recorda, bem-humorada.
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Patrícia
Vasconcellos
executiva
da Shell
Os dias de semana são para o trabalho. Os fins de semana,
para os filhos. Patrícia conciliou o crescimento profissional
com a educação de Bruno (à esq.), 20 anos, Rafael,
19, e Lucas (à dir.), 17. Os meninos sempre estudaram
em período integral. "Não me sinto culpada. Apesar do pouco
tempo, sou uma mãezona."
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A
opção de se dedicar exclusivamente aos filhos, de
administrar a vida profissional e a educação da prole
ou de não alterar em nada o ritmo de trabalho, no entanto,
não impede que as mães vivam angústias e expectativas
semelhantes. "Apesar de ficar muito tempo fora, eu me considero
uma mãezona", diz Patrícia Vasconcellos, 50 anos,
diretora de vendas para grandes clientes da Shell. "Quando um filho
a impede de fazer o que gosta, você corre o risco de virar
uma chata e um dia acabar cobrando", acredita Claudia Raia. A executiva
da Shell fez desse pensamento sua cartilha. Teve os filhos Bruno,
20 anos, Rafael, 19, e Lucas, 17, no espaço de três
anos. Nem por isso diminuiu o ritmo ou deixou de investir na carreira.
Os filhos sempre estudaram em período integral e seus fins
de semana eram 200% dedicados a eles. É claro que, na correria
do dia-a-dia de uma executiva-mãe, não faltaram situações
atípicas. "Por falta de tempo, eles colecionaram vários
vales-presente em aniversários e Natais", lembra. "Mas ela
sempre estava presente nos momentos importantes", afaga o filho
Bruno. Não existe mesmo fórmula. Mãe é
sempre mãe.
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Andréa Marinho
dona-de-casa
Mãe à moda antiga, Andréa nunca trabalhou fora e se dedica 24
horas aos filhos Tiago, 5 anos, e Felipe, 1, e à casa. Sua opção
surpreende as pessoas. "Não sinto um pingo de inveja de quem
trabalha", diz. Por causa da escolha, o orçamento da família
fica prejudicado. "Não mudaria nada. Eu me sinto feliz assim."
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