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ARTE
O
Brasil de Debret
Gravuras
do artista
inspiram livro e mostra
Isabel
Butcher
Divulgação
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| O
cotidiano brasileiro em aquarela de 1828: Passo do Rio de São
Gonçalo faz parte da coleção comprada por Castro Maya |
O
ano de 1939 não foi dos mais propícios para um passeio
pela Europa. Estourava a II Guerra Mundial quando um empresário
e mecenas nascido na França, mas brasileiro de coração,
desembarcou em Paris para tratar de arte. A missão de Raymundo
Ottoni de Castro Maya (1894-1968) era trazer para o Brasil um conjunto
de gravuras do artista Jean-Baptiste Debret (1768-1848). Castro
Maya não considerava a arte um negócio. Era paixão,
um amor pelo qual fazia extravagâncias. Uma delas foi esta:
encontrou-se com madame Mouriz, sobrinha-bisneta de Debret, e arrematou
as 564 gravuras e aquarelas reunidas sob o título Voyage
Pittoresque et Historique au Brésil (Viagem Pitoresca e Histórica
ao Brasil).
Divulgação
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| Tribo
Guaiacuru em Busca de Novas Pastagens: Brasil selvagem registrado
em aquarela |
O
primeiro volume das obras de Debret foi editado em 1834. O terceiro,
e último, saiu em 1839. "Foi um fracasso editorial", conta
Júlio Bandeira, historiador e curador do Museu Chácara
do Céu e do Museu do Açude, outros belos legados de
Castro Maya. O registro fiel de paisagens e personagens selvagens
chocou a sociedade. "O brasileiro não queria se ver do jeito
que Debret o retratou", conta Bandeira. O conjunto de gravuras,
precioso documento de uma época, reencontra o público
em duas frentes. Uma é o livro Castro Maya Colecionador
de Debret, 264 páginas, da Editora Capivara, publicado
com patrocínio da Bradesco Seguros. A obra, que chega às
livrarias no dia 15, reúne todas as imagens desta que é
a maior coleção conhecida do artista, além
de textos de especialistas, como Júlio Bandeira, Vera Beatriz
Cordeiro Siqueira, professora do Instituto de Arte da Uerj, Rafael
Cardoso, professor do departamento de arte da PUC, e Pedro Corrêa
do Lago, presidente da Biblioteca Nacional e editor do livro.
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O lançamento
da obra acontece na quinta-feira (8), na Chácara do Céu,
em Santa Teresa, com coquetel para convidados. Lá, a partir
do dia seguinte, o público poderá conferir a exposição
que leva o nome do livro, com 149 trabalhos do artista francês.
Para o carioca, as obras de Jean-Baptiste Debret têm valor
inestimável, principalmente, pela importância documental.
O artista francês ficou em solo brasileiro durante quinze
anos de 1816 a 1831. Daqui, acompanhou profundas mudanças
na sociedade brasileira, da abertura dos portos à abdicação
do trono por dom Pedro I e sua volta para Portugal.
Fotos divulgação
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gação
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| Vida
mansa: meio de transporte exportado para o Oriente |
Botica,
de 1823: uma típica farmácia do século XIX |
Debret
captou personagens do Brasil e seus cenários em pinturas,
aquarelas, desenhos e gravuras. A população escrava
aparece em obras como Volta à Cidade de um Proprietário
de Chácara, aquarela de 1822 que retrata um fidalgo viajando
preguiçosamente deitado na rede. "Exportamos essa tecnologia
para o Oriente. A circulação de informação
e de produtos era muito grande entre as colônias portuguesas",
ensina Julio Bandeira. Índios e paisagens aparecem em aquarelas
como Tribo Guaiacuru em Busca de Novas Pastagens (1823) e
Passo do Rio de São Gonçalo (1828). Em outra
fase, surgiam as roupas francesas e os manufaturados ingleses. Era
o início da formação de uma identidade nacional
bem mais ao gosto da elite na época. Debret cumpriu no Brasil
um exílio voluntário. Bonapartista, viu-se em perigo
depois que o período napoleônico se encerrou na Europa.
Com a morte do único filho, optou por respirar outros ares.
Desembarcou com a Missão Francesa, excursão de pintores,
escultores e arquitetos incumbidos de criar a Academia de Artes
e Ofícios. Debret foi além. Fundou a própria
academia e, produzindo incessantemente, formulou um rico acervo
de documentação do país, especialmente do Rio
de Janeiro. Acervo que, graças a Castro Maya, pode mais uma
vez ser visitado em livro e exposição.
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O
acervo carioca do artista
Grande
parte da obra de Jean-Baptiste Debret no país foi concentrada
pelo colecionador Castro Maya, mas tem mais para ver. O Museu
do Itamaraty, no Palácio do Itamaraty, e o Museu Histórico
da Cidade, no Parque da Cidade, guardam, cada um, uma pintura
do artista. Mais obras se encontram no Museu Nacional de Belas-Artes.
Há quatro pinturas de Debret na Galeria do Século
XIX em permanente exibição, doadas pelo diplomata
José Ribeiro da Silva. "Foram produzidas durante a
permanência do artista no Rio", conta a responsável
pela coleção de pintura estrangeira Zuzana Paternostro.
Uma quinta está na reserva técnica: Morte
de Germânico é uma curiosa cópia feita
por Debret de pintura do artista neoclássico Nicolas
Poussin. Entre os trabalhos do Belas-Artes, o mais antigo
é Retrato de D. João VI, de 1817. Há
também Desembarque da Imperatriz no Brasil, O Imperador
Dom Pedro I Jurando a Constituição do Império
e A Aclamação de Dom Pedro I no Campo
de Santana. As telas de Debret contam a história
do Brasil.
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