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7 de abril de 2004
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Roberta Marquez vira estrela do Royal Ballet

Debora Ghivelder


André Nazareth/Strana

Roberta: talento que encantou Makarova e o Royal

A bailarina Roberta Marquez lembra como se fosse ontem os dias tensos de 2001, quando ensaiava O Lago dos Cisnes com a dama Natalia Makarova, em montagem para o Theatro Municipal. Na época, ela despontava como promessa. Três anos depois, aos 26 anos, Roberta é parte do primeiro time da dança mundial. E acaba de aceitar o convite da todo-poderosa Monica Mason, diretora do Royal Ballet, para entrar para a companhia londrina como primeira-bailarina. "Parece um sonho", deslumbra-se Roberta, que deu o "sim" a Mrs. Mason há pouco mais de uma semana, em reunião com a presença de Dalal Achcar, ex-diretora do Theatro Municipal e atualmente empresária de Roberta. Como boa prima donna, impôs condições: quer dançar com outras companhias e com o Municipal, quando for convidada. Condições aceitas. Roberta se muda para Londres em julho, a tempo de participar de uma turnê pelos Estados Unidos. Antes disso, faz seu début no palco do Metropolitan Opera House, em Nova York, dançando La Bayadère, com o American Ballet Theatre.

 

Dilmar Cavalher/Strana
Thiago Soares: solista em Londres

O namoro de Roberta com o Royal Ballet começou faz um ano. Graças a recomendações de Makarova, ela foi convidada para dançar o papel principal de A Bela Adormecida. Seguiram-se convites para participar de montagens de La Bayadère, Giselle e O Lago dos Cisnes. "Roberta foi aplaudida em cena aberta", conta Dalal. O crítico Clement Crisp, do Financial Times, por exemplo, considerou marcante e comovente sua interpretação de Giselle. Dalal foi a primeira a investir no talento da moça, mandando-a para Moscou, em 2001, para participar de uma competição internacional de dança. Voltou com a medalha de prata. Seu partner, o brasileiro Thiago Soares, ficou com o ouro. Thiago também integra os quadros do Royal: acaba de ser promovido a solista da companhia. Nos primeiros tempos, a bailarina vai ficar sozinha na Inglaterra. O marido, o bailarino do Municipal André Valadão, com quem está casada há dois anos, permanece no Rio. "Vou morrer de saudade, mas estou tranqüila", afirma. Ela garante que o marido é seu maior incentivador. "Conquistei algo que nenhuma brasileira formada no país conseguiu: ser convidada para primeira-bailarina de uma grande companhia", diz. A saída do Theatro Municipal foi recebida com simpatia. "Tenho orgulho de ter uma bailarina formada aqui dançando com o Royal Ballet", garante Helena Severo, diretora do Municipal.

         
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