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COMIDINHAS Sabores
de verão As
novidades que aquecem o mercado de sorvetes Fernanda
Thedim Ricardo
Fasanello/Strana
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no Gero (à esq.); e Onesima,
dos Sorvetes Cairu |
É
obra dos chineses. Estudiosos afirmam que o sorvete surgiu nas montanhas da China,
há mais de 2.000 anos, tendo como base a neve, que era misturada a suco
de frutas e mel. Uma das teses sobre sua disseminação na Europa
é atribuída ao navegador veneziano Marco Polo, que voltou do Oriente
em 1292 cheio de novidades na bagagem. Entre elas, o sorvete, o macarrão
e o arroz. Da Itália, onde o leite foi incluído na mistura que ganhou
fama mundo afora, foi para a Inglaterra, até ser levado pelos colonizadores
para os Estados Unidos, hoje os maiores consumidores. O mesmo caminho percorreu
até aportar no Brasil com os portugueses. O clima não poderia ser
mais propício para que o sorvete se estabelecesse nesta cidade como uma
iguaria. Os registros mostram que a primeira fábrica de grande porte do
Brasil foi fundada aqui, em 1941. Era a U.S. Harkson, que dezoito anos mais tarde
mudou seu nome para Kibon. Nesta
época do ano não faltam novidades para entreter o paladar de uma
clientela que cresce em média 30% durante o verão. Novidade nas
praias do Rio, os Sorvetes Cairu já são sucesso de público
e crítica. A marca chegou ao Rio pelas mãos de Onesima Laiun, paraense
de Belém, que veio morar na cidade cinco anos atrás e começou
a vender o sorvete que sua família fabrica há 44 anos. No Pará,
a marca tem dezesseis lojas e faz parte do circuito turístico local. No
Rio, por enquanto, ela distribui para restaurantes como Brasserie Rosário
e Academia da Cachaça e mantém dois vendedores ambulantes que percorrem
as areias de Leblon e Ipanema. No fim de semana do Carnaval, foram 1.500 copinhos
vendidos. "Mais da metade deles, de tapioca. É o carro-chefe, feito com
coco ralado na mão e leite de coco artesanal. E sem nenhum tipo de gordura
hidrogenada", detalha. Por dia são produzidos 200 litros de sorvete de
mais de oitenta sabores, que agora começam a ser vendidos também
em São Paulo. Dizem
que dom Pedro II idolatrava o de pitanga, sabor que no verão é o
campeão de vendas da sorveteria Mil Frutas. A rede acabou de inaugurar
sua nona filial, no Shopping Leblon, e planeja levar a marca até o fim
do ano para São Paulo. Nos últimos três meses foram vendidos
15.000 litros de sorvete, incluindo novidades como o de limão siciliano
com casquinha de laranja, que anda fazendo muito sucesso. O paraibano Aragão,
que aprendeu a preparar sorvete com um chef francês do BB Lanches há
trinta anos, também fez novos sabores para o Sorvete Brasil. Bem refrescantes,
como pitanga, frutas vermelhas e água-de-coco com hortelã. Para
fazer jus à fama dos gelati italianos, Rogério Fasano renovou
a maquinaria do Gero. Importou o top de linha da Carpigiani, empresa que produz
as melhores máquinas da Itália. "O sorvete fica com características
artesanais", diz o maître Nicola Giorgio. "É como se fosse uma Ferrari,
se estivéssemos falando de carros", brinca. |