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7 de março de 2007

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COMIDINHAS

Sabores de verão

As novidades que aquecem o
mercado de sorvetes

Fernanda Thedim

Ricardo Fasanello/Strana

Gelati no Gero (à esq.); e Onesima, dos Sorvetes Cairu

É obra dos chineses. Estudiosos afirmam que o sorvete surgiu nas montanhas da China, há mais de 2.000 anos, tendo como base a neve, que era misturada a suco de frutas e mel. Uma das teses sobre sua disseminação na Europa é atribuída ao navegador veneziano Marco Polo, que voltou do Oriente em 1292 cheio de novidades na bagagem. Entre elas, o sorvete, o macarrão e o arroz. Da Itália, onde o leite foi incluído na mistura que ganhou fama mundo afora, foi para a Inglaterra, até ser levado pelos colonizadores para os Estados Unidos, hoje os maiores consumidores. O mesmo caminho percorreu até aportar no Brasil com os portugueses. O clima não poderia ser mais propício para que o sorvete se estabelecesse nesta cidade como uma iguaria. Os registros mostram que a primeira fábrica de grande porte do Brasil foi fundada aqui, em 1941. Era a U.S. Harkson, que dezoito anos mais tarde mudou seu nome para Kibon.

Nesta época do ano não faltam novidades para entreter o paladar de uma clientela que cresce em média 30% durante o verão. Novidade nas praias do Rio, os Sorvetes Cairu já são sucesso de público e crítica. A marca chegou ao Rio pelas mãos de Onesima Laiun, paraense de Belém, que veio morar na cidade cinco anos atrás e começou a vender o sorvete que sua família fabrica há 44 anos. No Pará, a marca tem dezesseis lojas e faz parte do circuito turístico local. No Rio, por enquanto, ela distribui para restaurantes como Brasserie Rosário e Academia da Cachaça e mantém dois vendedores ambulantes que percorrem as areias de Leblon e Ipanema. No fim de semana do Carnaval, foram 1.500 copinhos vendidos. "Mais da metade deles, de tapioca. É o carro-chefe, feito com coco ralado na mão e leite de coco artesanal. E sem nenhum tipo de gordura hidrogenada", detalha. Por dia são produzidos 200 litros de sorvete de mais de oitenta sabores, que agora começam a ser vendidos também em São Paulo.

Dizem que dom Pedro II idolatrava o de pitanga, sabor que no verão é o campeão de vendas da sorveteria Mil Frutas. A rede acabou de inaugurar sua nona filial, no Shopping Leblon, e planeja levar a marca até o fim do ano para São Paulo. Nos últimos três meses foram vendidos 15.000 litros de sorvete, incluindo novidades como o de limão siciliano com casquinha de laranja, que anda fazendo muito sucesso. O paraibano Aragão, que aprendeu a preparar sorvete com um chef francês do BB Lanches há trinta anos, também fez novos sabores para o Sorvete Brasil. Bem refrescantes, como pitanga, frutas vermelhas e água-de-coco com hortelã. Para fazer jus à fama dos gelati italianos, Rogério Fasano renovou a maquinaria do Gero. Importou o top de linha da Carpigiani, empresa que produz as melhores máquinas da Itália. "O sorvete fica com características artesanais", diz o maître Nicola Giorgio. "É como se fosse uma Ferrari, se estivéssemos falando de carros", brinca.

     
  
   

 

 
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