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Ricardo Fasanello/Strana
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NELSON SARGENTO
Sambista
"Não
sou praiano, não vou à areia, mas gosto de ver
a praia. E adoro Copacabana. Vivo há quinze anos no
bairro. Para mim é assim: Brasil,
Rio de Janeiro. Capital, Copacabana. Não
preciso cruzar nenhum túnel. Tenho tudo aqui. Com todas
as mutilações que sofreu, o bairro continua
bonito. Em Copacabana gosto de ir ao restaurante Lucas, na
Avenida Atlântica, e ao Mon Chique, na Nossa Senhora
de Copacabana. Tenho mesa cativa. Também gosto muito
do bar Bip-Bip, na Rua Almirante Gonçalves, que é
um ponto de encontro sem compromisso. É para conversar,
cantar, mostrar música nova. Mas meu Rio é feito
de muitas coisas que já terminaram ou que mudaram.
Sou saudosista, mas tenho de ter na consciência que
estou no Rio de 2001 e não posso viver como se estivesse
no Rio de 1965. Não adianta ter saudade do que não
se pode reviver. E é possível achar beleza e
romantismo no Rio de hoje. Este Rio imenso, que a gente ama.&
romantismo no Rio de hoje. Este Rio imenso, que a gente ama."
MARIO LAGO
Ator e compositor
"Nasci
na Rua do Resende,
em 1911, e
na infância e na juventude
minha vida se
limitava ao Centro da cidade.
Se me perguntassem àquela
época como era a Tijuca
ou Copacabana, eu não saberia responder. Meu pedaço
nos anos 20 era a Avenida Rio Branco. Lá, as mocinhas
faziam footing à tarde e os gabirus ficavam na calçada
vendo a movimentação.
O
melhor ponto era entre as ruas Sete de Setembro e Assembléia.
Ficava assim de gente. Puxávamos conversa com as moças.
'Você é a nora que meu pai queria' era uma das
cantadas. Era uma coisa ingênua. Ao esbarrar em alguém,
pedia-se logo desculpa. Às vezes eu ficava na rua até
as 4 da manhã. Um dia minha mãe me perguntou
o que eu fazia fora de casa até essa hora. 'A senhora
quer que eu minta ou que eu lhe falte com o respeito?' Na
Rio Branco vi nascer a Cinelândia. Meu avô me
levava para ver o que ele chamava de 'nascimento de um bairro'.
Ele era um radical pelo progresso. Em 1922, aos domingos,
eu ia com ele acompanhar o desmonte do Morro do Castelo, feito
com técnica moderna de demolição a jatos
d'água. Nos anos 40 freqüentei a Lapa. Fiz amizades
com malandros de então, como Elias Naval, Miguelzinho
da Lapa e Felipe Bonitinho. Fiz o que pude. Não foi
uma vida jogada fora. Fui feliz, sou feliz e continuarei feliz."
André Nazareth/Strana
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OSCAR SCHMIDT
Jogador de basquete
"Até
vir jogar pelo Flamengo, há um ano e meio, vinha ao
Rio vez ou outra e só conhecia Ipanema e Copacabana.
A maioria dos meus companheiros de time mora na Barra, mas
fiz questão de ficar no Leblon. Na primeira caminhada
na praia fui até o mirante no comecinho da Niemeyer.
Fiquei apaixonado por aquilo lá. Tenho essa paisagem
fantástica todo dia. Quando tenho tempo de andar no
calçadão, passo sempre lá pelo mirante
para beber água-de-coco. O Leblon é um bairro
romântico. Saio à noite a pé com minha
mulher para jantar, uma novidade em minha vida. Costumo dizer
que o melhor lugar do mundo é o meu quarto, mas o Rio
é melhor ainda."
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