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7 de fevereiro de 2007

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CULTURA

O orgulho da favela

O Morro do Pavão ergue teatro
para 400 pessoas

Karla Monteiro

 
Fotos André Valentim/Strana

O teatro, com capacidade para 400 pessoas na arquibancada e eficaz sistema de iluminação: erguido no Pavão-Pavãozinho

O prédio de alvenaria se destaca em meio ao entorno, com seus 500 metros quadrados de área útil. Antes mesmo de inaugurado, ele já é o orgulho da vizinhança, que enche o peito para chamá-lo de "o maior teatro erguido numa favela carioca". Encarapitado na Rua Saint Roman, na porta de entrada do Morro Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, o Teatro Solar Meninos da Luz enche de orgulho também sua idealizadora, Iolanda Maltaroli. Criadora da ONG que dá nome ao novo endereço cultural da cidade, ela levantou 860.000 reais para a construção do imóvel – verba obtida com o BNDES, a Fundação Vitae e a Light –, que tem capacidade para 400 pessoas, tábuas corridas no palco, cortinão encarnado e sistema de iluminação que não fica nada a dever às salas cariocas. Faltam os retoques finais no tratamento acústico, no equipamento de refrigeração e na fachada para a grande inauguração – ainda sem data definida –, que terá a presença dos sessenta músicos da ala jovem da Orquestra Sinfônica Brasileira, espetáculo do bailarino David Parson e batucada do Monobloco.

 
Iolanda: idealizadora do novo teatro

A história do teatro remete às vésperas do Natal de 1983. De seu apartamento, na Rua Sá Ferreira, Iolanda ouvira a noite inteira gritos vindos do morro. Soube, de manhã, que uma caixa-d'água tinha despencado, causando a morte de doze pessoas. A professora convocou seus quatro filhos e foi à favela prestar socorro. Nascia, assim, a ONG Solar Meninos de Luz, que estreitou a relação da família com os 15 000 habitantes do lugar. No primeiro momento, Iolanda reunia um grupo de 150 vítimas da tragédia. "Levava contadores de histórias e médicos e fazia campanhas para doação de remédios, roupas e alimentos." Depois de quatro anos de batalha, em 1987 a entidade ergueu sua primeira sede na favela. Simultaneamente, surgiu a idéia de levar a OSB para se apresentar no local. "Fiquei com esse desejo. Na época tentei, mas não tínhamos um lugar nem dinheiro. Seria preciso um helicóptero para trazer o piano de cauda para cá", diz ela, que agora obteve o instrumento graças à doação do Hotel Caesar Park.

Hoje a ONG tem uma escola que atende 400 crianças, do berçário ao ensino fundamental – no total são 2.400 beneficiados. "Formamos a primeira turma no ano passado. Muitos entraram na universidade e outros já estão no mercado de trabalho", celebra. As crianças têm aulas de balé, sapateado, coral, flauta, capoeira, línguas e culinária. Há ainda um centro de saúde, com pediatria, ginecologia, clínica geral e medicina alternativa. A derradeira luta de Iolanda visa a conseguir 250.000 reais, que é o custo dos acabamentos. Mas a Orquestra Sinfônica Brasileira já pode afinar os instrumentos.

     
   

 

 
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