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CULTURA
O
orgulho da favela
O
Morro do Pavão ergue teatro
para 400 pessoas
Karla Monteiro
Fotos André Valentim/Strana
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teatro, com capacidade para 400
pessoas na arquibancada e eficaz
sistema de iluminação: erguido
no Pavão-Pavãozinho |
O
prédio de alvenaria se destaca em meio ao entorno, com seus
500 metros quadrados de área útil. Antes mesmo de
inaugurado, ele já é o orgulho da vizinhança,
que enche o peito para chamá-lo de "o maior teatro erguido
numa favela carioca". Encarapitado na Rua Saint Roman, na porta
de entrada do Morro Pavão-Pavãozinho, em Copacabana,
o Teatro Solar Meninos da Luz enche de orgulho também sua
idealizadora, Iolanda Maltaroli. Criadora da ONG que dá nome
ao novo endereço cultural da cidade, ela levantou 860.000
reais para a construção do imóvel verba
obtida com o BNDES, a Fundação Vitae e a Light ,
que tem capacidade para 400 pessoas, tábuas corridas no palco,
cortinão encarnado e sistema de iluminação
que não fica nada a dever às salas cariocas. Faltam
os retoques finais no tratamento acústico, no equipamento
de refrigeração e na fachada para a grande inauguração
ainda sem data definida , que terá a presença
dos sessenta músicos da ala jovem da Orquestra Sinfônica
Brasileira, espetáculo do bailarino David Parson e batucada
do Monobloco.
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| Iolanda:
idealizadora do
novo teatro |
A
história do teatro remete às vésperas do Natal
de 1983. De seu apartamento, na Rua Sá Ferreira, Iolanda
ouvira a noite inteira gritos vindos do morro. Soube, de manhã,
que uma caixa-d'água tinha despencado, causando a morte de
doze pessoas. A professora convocou seus quatro filhos e foi à
favela prestar socorro. Nascia, assim, a ONG Solar Meninos de Luz,
que estreitou a relação da família com os 15
000 habitantes do lugar. No primeiro momento, Iolanda reunia um
grupo de 150 vítimas da tragédia. "Levava contadores
de histórias e médicos e fazia campanhas para doação
de remédios, roupas e alimentos." Depois de quatro anos de
batalha, em 1987 a entidade ergueu sua primeira sede na favela.
Simultaneamente, surgiu a idéia de levar a OSB para se apresentar
no local. "Fiquei com esse desejo. Na época tentei, mas não
tínhamos um lugar nem dinheiro. Seria preciso um helicóptero
para trazer o piano de cauda para cá", diz ela, que agora
obteve o instrumento graças à doação
do Hotel Caesar Park.
Hoje
a ONG tem uma escola que atende 400 crianças, do berçário
ao ensino fundamental no total são 2.400 beneficiados.
"Formamos a primeira turma no ano passado. Muitos entraram na universidade
e outros já estão no mercado de trabalho", celebra.
As crianças têm aulas de balé, sapateado, coral,
flauta, capoeira, línguas e culinária. Há ainda
um centro de saúde, com pediatria, ginecologia, clínica
geral e medicina alternativa. A derradeira luta de Iolanda visa
a conseguir 250.000 reais, que é o custo dos acabamentos.
Mas a Orquestra Sinfônica Brasileira já pode afinar
os instrumentos.
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