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EDUCAÇÃO
Os
campeões do ensino
São
Bento e CAp UFRJ
lideram avaliação do Enem
Fátima
Sá
Fotos Bruno Veiga/Strana
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| O
reitor dom Tadeu com alguns dos campeões do Colégio
São Bento: melhor média do Enem em todo o Brasil |

| São
Bento |
| Fundação:
1858 |
| Turmas:
da 1ª série do ensino fundamental ao 3º
ano do ensino médio |
| Ingresso:
por concurso |
| Diferenciais:
comandado por monges beneditinos, é exclusivo para
meninos e prima pela formação cultural e
moral dos alunos. São, no máximo, 35 alunos
por turma. Da 1ª à 4ª série funciona
em semi-internato obrigatório. No currículo,
cultura clássica, música, história
da arte, filosofia, duas línguas estrangeiras e
ensino religioso. Mensalidade de 647 reais (externato,
da 5ª à 8ª) a 1 268 reais (semi-internato,
da 5ª à 8ª) |
| Em
sala de aula: 1 150 alunos e 110 professores |
| Média
no Enem: 84,53. A média geral das escolas particulares
foi 64,32 |
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O melhor
ensino médio do país está no Rio. Fica nas
mãos de monges beneditinos, é oferecido exclusivamente
a meninos e custa, no mínimo, 647 reais por mês. Com
um currículo que ultrapassa, e muito, as exigências
do Ministério da Educação, o Colégio
São Bento, no centro da cidade, desbancou concorrentes de
todo o Brasil e obteve as melhores notas no Enem, o Exame Nacional
de Ensino Médio, realizado em agosto do ano passado em 605
municípios. Enquanto a média geral das escolas privadas
ficou em 64,32 (máximo de 100), a do São Bento foi
de 84,53. Mas não é a única boa notícia
para os cariocas. Também fica no Rio a melhor escola pública
de ensino médio. Famoso por estimular o senso crítico
e a criatividade de seus alunos, o Colégio de Aplicação
(CAp) da UFRJ, na Lagoa, conseguiu as melhores notas do Enem na
categoria. Registrou média de 78,17 pontos, diante da média
geral de 48,78 das demais escolas públicas do país.
Que ninguém pense em ranking. Avesso a comparações
desse tipo, o Inep, instituto que aplica o Enem, não divulga
a lista completa.
Em
sua sexta edição, o Enem 2003 contou com a participação
de 1,3 milhão de alunos, que se submeteram a provas de múltipla
escolha e redação. Ao todo, 2.111 escolas, entre públicas
e privadas, tiveram mais de 90% de participação dos
alunos. Considerado um modelo de avaliação, o Enem
funciona como raio X do ensino médio do país, equivalente
ao antigo 2º grau. Em 2003, ele mostrou que a excelência
pode estar em filosofias de ensino bem diferentes. O CAp UFRJ lucra
com a proposta de escola aberta ao diálogo, estimulando a
reflexão e o questionamento, da alfabetização
ao 3º ano do ensino médio. Cumpre o currículo
básico, mas também investe em aulas de artes cênicas
e música. Tem, em média, 35 alunos em sala, e o corpo
docente é um de seus diferenciais. Por ser um colégio
de aplicação, o CAp forma os alunos de licenciatura
da UFRJ. "Nossos professores são formadores de professores.
Então, estão sempre se atualizando", afirma a diretora,
Militza Bakich Putziger. Para ingressar no CAp, onde estudaram Villa-Lobos
e Jô Soares, até 1998 era necessário passar
em concurso. Hoje, as vagas são sorteadas, e em determinadas
séries também é preciso teste de nivelamento.
"A escola ficou mais democrática", conta a diretora. A boa
colocação do CAp UFRJ desafia ainda a crise por que
passa o ensino federal. Com 710 alunos, a melhor escola pública
do país luta contra verbas minguadas, instalações
precárias e quadro de funcionários incompleto.
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| Os
professores do Colégio de Aplicação da UFRJ: líderes nacionais
no ensino público |

| Colégio
de Aplicação da UFRJ |
| Fundação:
1948 |
| Turmas:
da alfabetização ao 3º ano do ensino médio |
| Ingresso:
por sorteio |
| Diferenciais:
a filosofia do colégio é formar alunos reflexivos, com
senso crítico apurado e criatividade estimulada. O currículo
inclui aulas de artes plásticas, música, artes cênicas
e de duas línguas estrangeiras. São, em média, 30 alunos
por sala. Os professores também formam alunos de licenciatura
da UFRJ, portanto estão em permanente atualização |
| Em
sala de aula: 710 alunos e 78 professores efetivos
e 30 substitutos |
| Média
no Enem: 78,17. A média geral das escolas públicas
foi 48,78 |
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Do
outro lado da cidade, o Colégio São Bento tem como
trunfo o princípio de que não basta ensinar matemática,
história, português. É preciso investir numa
formação ampla do aluno. Inclusive moral. Por isso,
a grade curricular conta com aulas de cultura clássica, apreciação
musical e religião, claro. A marca beneditina é a
disciplina, com episódios polêmicos de proibições
a cabelos compridos e brincos. Por ora, a porta continua fechada
às meninas. Dom Matias Fonseca Medeiros, reitor que tomou
posse em 2001 anunciando seu desejo de tornar o colégio misto,
deixou o cargo em 2003. Há menos de dois meses, o cauteloso
vice-reitor dom Tadeu de Albuquerque Lopes assumiu a função.
O colégio aceitará meninas? "Talvez a partir de 2005",
pondera ele, lembrando que é necessária uma série
de adaptações para que isso aconteça. Os alunos
fazem piada. Dizem que a média da escola vai cair com o ingresso
das garotas. Manter a escola fechada, porém, todos sabem,
é remar contra a correnteza. "Muitos pais solicitam a abertura",
argumenta dom Tadeu.
Outra
aposta do São Bento é o tempo de permanência
do aluno na escola. No ensino fundamental, até a 4ª
série a escola funciona apenas como semi-internato, e da
5ª à 8ª série o semi-internato é
opcional. A partir daí, no ensino médio, há
apenas externato. "Muitos alunos passam o tempo livre na própria
escola", conta Luiz Leal Ferraz, professor de biologia e coordenador
do ensino médio do São Bento. O que talvez explique
o bom rendimento nos concursos. "Há dez anos somos primeiro
lugar no vestibular da UFRJ", lembra Ferraz. Apesar do resultado
mantido, os tempos não são os mesmos. Há dez
anos, o colégio podia dar-se ao luxo de abrir e fechar suas
inscrições no mesmo dia. Havia sempre quatro, cinco
vezes mais interessados do que vagas. A perda de poder aquisitivo
da classe média, obrigada a cortar gastos até em áreas
essenciais como educação, deixou sua marca na escola.
Hoje, o número de inscritos é apenas 50% maior que
o número de vagas. "Mas mantemos o nível de ensino",
afirma dom Tadeu.
| Na
ponta do lápis |
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O Enem avalia estudantes do 3º ano do ensino médio
com provas de múltipla escolha e redação |
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1,3 milhão de estudantes de 605
municípios fizeram as provas |
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2 111 escolas tiveram mais de 90% de participação.
Estão entre elas, em geral, as melhores escolas do país.
Foram 1 662 estabelecimentos
privados, 41 municipais,
370 estaduais e 38
federais |
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