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7 de janeiro de 2004
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EDUCAÇÃO

Os campeões do ensino

São Bento e CAp UFRJ
lideram avaliação do Enem

Fátima Sá


Fotos Bruno Veiga/Strana
O reitor dom Tadeu com alguns dos campeões do Colégio São Bento: melhor média do Enem em todo o Brasil

São Bento
Fundação: 1858
Turmas: da 1ª série do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio
Ingresso: por concurso
Diferenciais: comandado por monges beneditinos, é exclusivo para meninos e prima pela formação cultural e moral dos alunos. São, no máximo, 35 alunos por turma. Da 1ª à 4ª série funciona em semi-internato obrigatório. No currículo, cultura clássica, música, história da arte, filosofia, duas línguas estrangeiras e ensino religioso. Mensalidade de 647 reais (externato, da 5ª à 8ª) a 1 268 reais (semi-internato, da 5ª à 8ª)
Em sala de aula: 1 150 alunos e 110 professores
Média no Enem: 84,53. A média geral das escolas particulares foi 64,32

O melhor ensino médio do país está no Rio. Fica nas mãos de monges beneditinos, é oferecido exclusivamente a meninos e custa, no mínimo, 647 reais por mês. Com um currículo que ultrapassa, e muito, as exigências do Ministério da Educação, o Colégio São Bento, no centro da cidade, desbancou concorrentes de todo o Brasil e obteve as melhores notas no Enem, o Exame Nacional de Ensino Médio, realizado em agosto do ano passado em 605 municípios. Enquanto a média geral das escolas privadas ficou em 64,32 (máximo de 100), a do São Bento foi de 84,53. Mas não é a única boa notícia para os cariocas. Também fica no Rio a melhor escola pública de ensino médio. Famoso por estimular o senso crítico e a criatividade de seus alunos, o Colégio de Aplicação (CAp) da UFRJ, na Lagoa, conseguiu as melhores notas do Enem na categoria. Registrou média de 78,17 pontos, diante da média geral de 48,78 das demais escolas públicas do país. Que ninguém pense em ranking. Avesso a comparações desse tipo, o Inep, instituto que aplica o Enem, não divulga a lista completa.

Em sua sexta edição, o Enem 2003 contou com a participação de 1,3 milhão de alunos, que se submeteram a provas de múltipla escolha e redação. Ao todo, 2.111 escolas, entre públicas e privadas, tiveram mais de 90% de participação dos alunos. Considerado um modelo de avaliação, o Enem funciona como raio X do ensino médio do país, equivalente ao antigo 2º grau. Em 2003, ele mostrou que a excelência pode estar em filosofias de ensino bem diferentes. O CAp UFRJ lucra com a proposta de escola aberta ao diálogo, estimulando a reflexão e o questionamento, da alfabetização ao 3º ano do ensino médio. Cumpre o currículo básico, mas também investe em aulas de artes cênicas e música. Tem, em média, 35 alunos em sala, e o corpo docente é um de seus diferenciais. Por ser um colégio de aplicação, o CAp forma os alunos de licenciatura da UFRJ. "Nossos professores são formadores de professores. Então, estão sempre se atualizando", afirma a diretora, Militza Bakich Putziger. Para ingressar no CAp, onde estudaram Villa-Lobos e Jô Soares, até 1998 era necessário passar em concurso. Hoje, as vagas são sorteadas, e em determinadas séries também é preciso teste de nivelamento. "A escola ficou mais democrática", conta a diretora. A boa colocação do CAp UFRJ desafia ainda a crise por que passa o ensino federal. Com 710 alunos, a melhor escola pública do país luta contra verbas minguadas, instalações precárias e quadro de funcionários incompleto.

Os professores do Colégio de Aplicação da UFRJ: líderes nacionais no ensino público

Colégio de Aplicação da UFRJ
Fundação: 1948
Turmas: da alfabetização ao 3º ano do ensino médio
Ingresso: por sorteio
Diferenciais: a filosofia do colégio é formar alunos reflexivos, com senso crítico apurado e criatividade estimulada. O currículo inclui aulas de artes plásticas, música, artes cênicas e de duas línguas estrangeiras. São, em média, 30 alunos por sala. Os professores também formam alunos de licenciatura da UFRJ, portanto estão em permanente atualização
Em sala de aula: 710 alunos e 78 professores efetivos e 30 substitutos
Média no Enem: 78,17. A média geral das escolas públicas foi 48,78

Do outro lado da cidade, o Colégio São Bento tem como trunfo o princípio de que não basta ensinar matemática, história, português. É preciso investir numa formação ampla do aluno. Inclusive moral. Por isso, a grade curricular conta com aulas de cultura clássica, apreciação musical e religião, claro. A marca beneditina é a disciplina, com episódios polêmicos de proibições a cabelos compridos e brincos. Por ora, a porta continua fechada às meninas. Dom Matias Fonseca Medeiros, reitor que tomou posse em 2001 anunciando seu desejo de tornar o colégio misto, deixou o cargo em 2003. Há menos de dois meses, o cauteloso vice-reitor dom Tadeu de Albuquerque Lopes assumiu a função. O colégio aceitará meninas? "Talvez a partir de 2005", pondera ele, lembrando que é necessária uma série de adaptações para que isso aconteça. Os alunos fazem piada. Dizem que a média da escola vai cair com o ingresso das garotas. Manter a escola fechada, porém, todos sabem, é remar contra a correnteza. "Muitos pais solicitam a abertura", argumenta dom Tadeu.

Outra aposta do São Bento é o tempo de permanência do aluno na escola. No ensino fundamental, até a 4ª série a escola funciona apenas como semi-internato, e da 5ª à 8ª série o semi-internato é opcional. A partir daí, no ensino médio, há apenas externato. "Muitos alunos passam o tempo livre na própria escola", conta Luiz Leal Ferraz, professor de biologia e coordenador do ensino médio do São Bento. O que talvez explique o bom rendimento nos concursos. "Há dez anos somos primeiro lugar no vestibular da UFRJ", lembra Ferraz. Apesar do resultado mantido, os tempos não são os mesmos. Há dez anos, o colégio podia dar-se ao luxo de abrir e fechar suas inscrições no mesmo dia. Havia sempre quatro, cinco vezes mais interessados do que vagas. A perda de poder aquisitivo da classe média, obrigada a cortar gastos até em áreas essenciais como educação, deixou sua marca na escola. Hoje, o número de inscritos é apenas 50% maior que o número de vagas. "Mas mantemos o nível de ensino", afirma dom Tadeu.

Na ponta do lápis
• O Enem avalia estudantes do 3º ano do ensino médio com provas de múltipla escolha e redação
1,3 milhão de estudantes de 605 municípios fizeram as provas
2 111 escolas tiveram mais de 90% de participação. Estão entre elas, em geral, as melhores escolas do país. Foram 1 662 estabelecimentos privados, 41 municipais, 370 estaduais e 38 federais

 

         
     
 
 
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