| |
|
|
 |
|
REPORTAGEM DE
CAPA
O
homem de
10 milhões de dólares
Alexandre
Accioly centra seus
investimentos em lazer para os cariocas
Cristina
Grillo
André Nazareth/Strana
 |
| Accioly:
lembranças da adolescência viram grande negócio |
A idéia
lhe veio de estalo, quando sobrevoava o Pão de Açúcar
em seu helicóptero, um moderníssimo Helibrás
para seis passageiros, avaliado em 4 milhões de dólares.
A intenção do vôo era apenas exibir uma das maravilhas
cariocas a um grupo de amigos paulistas, mas imagens do fim da adolescência,
quando se espremia nas longas filas para pegar o bondinho rumo ao
Morro da Urca, lhe vieram à mente. Lembrou-se do dia em que
subiu o morro para a festa de lançamento de Thriller,
disco de Michael Jackson. "Foi naquele minuto que resolvi fazer de
tudo para reabrir o Noites Cariocas", conta o empresário Alexandre
Accioly, 41 anos. A reabertura, na sexta (9), da casa noturna criada
por Nelson Motta, pólo de badalação da cidade
nos anos 80, é apenas um dos investimentos que o empresário
pretende fazer em 2004 na área que é seu novo xodó:
o entretenimento.
 |
 |
| Noites
Cariocas ontem (acima) e hoje (abaixo): mais sofisticação |
Além
do Noites, Accioly está por trás do festival internacional
de hip hop que acontece na sexta (9) e no sábado no Riocentro,
com nomes do calibre de Snoop Dogg e Ja Rule (veja
programação). Prepara, ainda, um megaevento
para crianças que acontecerá em julho no Riocentro
e vai abrir pelo menos mais dois restaurantes na cidade: sócio
do Gero carioca, ele repete a parceria com a família Fasano
na Forneria Rio de Janeiro (versão carioca da sanduicheria
paulista Forneria San Paolo), a ser aberta no segundo semestre,
em Ipanema, e comprou a parte do chef José Hugo Celidônio
no restaurante Gourmet, que fecha em março para reformas
e reabre três meses depois. Não é só.
No dia 27 de janeiro, ele inaugura os novos estúdios de suas
duas emissoras de rádio, Jovem Pan e Paradiso, no terraço
do Shopping Rio Sul, com área para pequenos shows ao vivo
e um café para refeições rápidas. Há
poucas semanas teve mais uma idéia: resolveu que vai procurar
terrenos para espalhar campos de minigolfe pela cidade, a exemplo
do que costuma ver na International Drive, a rua principal de Orlando,
cidade da Flórida onde brilha a DisneyWorld. E, fora do Rio,
ele é um dos donos do Recifolia, Carnaval fora de época
que acontece na capital de Pernambuco.
Pelas
contas de Accioly, para implantar os projetos da área de
entretenimento serão gastos mais de 30 milhões de
reais. Nem tudo sai de seu bolso, claro. "Sem patrocínio
nada se viabiliza. Gosto muito de entretenimento, mas sou empresário
e não vou fazer tudo sozinho", diz. Accioly é bom
de conversa. Conseguiu, por exemplo, que duas empresas concorrentes
da área de telefonia patrocinassem eventos seus realizados
quase simultaneamente. O Noites Cariocas, por exemplo, recebeu da
Oi parte dos 8 milhões de reais investidos. Em troca, a nova
casa noturna se chamará Oi Noites Cariocas. Já o projeto
Rio de Verdade, série de shows na Marina da Glória
em que o músico Rogê recebe convidados e que virou
um dos mais badalados points de azaração do verão
carioca, chega a sua terceira edição com o patrocínio
da Claro. E com o nome mudado para Claro Rio de Verdade. Para bancar
parte dos 4,2 milhões de reais do festival de hip hop, Accioly
trouxe a Skol. Agora negocia o patrocínio para o Trip Trix,
o tal festival infantil previsto para julho no Riocentro, com custo
estimado em 20 milhões de reais. Um apoio importante o empresário
já conseguiu: o do prefeito Cesar Maia. "O apoio institucional
da prefeitura já está dado. Accioly acertou em cheio
quando identificou que o Rio tem uma vocação inigualável
para o entretenimento. A cidade vai ganhar muito e espero que ele
também, porque pode estar abrindo um ciclo de investimentos
em parques temáticos, em eventos e em novos espaços",
observa o prefeito.
Bruno Veiga/Strana
 |
"Accioly está empolgadíssimo com a área
de entretenimento. Estamos nisso há dois anos e já
trouxemos para cá grupos como o Coldplay e o The Calling."
Luis
André Calainho, sócio
do empresário no Oi Noites Cariocas e nas rádios
Jovem Pan e Paradiso |
A menina-dos-olhos
do empresário, no momento, é o Noites Cariocas. "Não
há carioca na minha faixa etária que não tenha
tentado subir pela trilha para entrar sem pagar", relembra. Daí
a idéia de criar uma versão um pouco diferente da
casa noturna. "Não vai ser para teens, o espírito
é outro. Um garotão de 18 anos pode até ir,
mas a idéia é criar algo para pessoas como eu. Os
quarentões não têm lugar para ir nesta cidade.
Há os bons restaurantes, mas você sai de lá
e vai para onde?" Para capturar esse público, ele aposta
no que chama de "serviço premium". A capacidade da casa,
que nos áureos tempos chegava a receber 4.000 pessoas por
noite, foi reduzida para 1.800. "As filas para pegar o bondinho
serão mínimas", garante Accioly. Um serviço
de manobristas evitará o aborrecimento de procurar vaga.
Os bares serão operados pelo Caroline Café e pelo
00, duas casas de sucesso na cidade. A produção musical
será de Luís André Calainho, sócio na
empreitada e durante dez anos diretor da Sony, com consultoria de
Nelson Motta. A casa abre com show do grupo Cidade Negra e já
estão agendadas, para janeiro, apresentações
de Jorge Ben Jor, Paralamas do Sucesso, Skank, Ed Motta e Frejat,
entre outros.
André Valentim/Strana
 |
"Ele
é muito irrequieto, está sempre checando tudo, inventando novidades.
Accioly me dá muito trabalho, mas é um amigão: se eu precisar
dele às 4 horas da manhã, ele vai estar pronto para me ajudar."
Abel
Gomes (ao lado com a mulher, Sheila),
cenógrafo
do Oi Noites Cariocas, do festival de hip hop e do Trip Trix |
No
alto do morro, a cenografia, de Abel Gomes, lembra o Sky Bar projetado
por Philippe Starck para o hotel Mondrian de Los Angeles. São
gigantescos colchões com diâmetro variando de 3 a 5
metros espalhados pela área externa, muitas velas, cobertura
transparente e, na área de shows, um teto móvel, que
nas noites estreladas será aberto. "Ele é fogo, irrequieto,
me dá um trabalho danado. Quer saber de todos os detalhes,
dá palpite em tudo", conta Abel, amigo do empresário
há vinte anos e responsável pela montagem, em 2002,
da famosa festa de seus 40 anos, que levou 1.500 convidados à
Ilha Fiscal. "Eu sou exigente e sou vaidoso. Quero tudo perfeito.
Minha festa foi a melhor que este país já viu e era
tudo boca-livre. Imagine o que farei agora que vou cobrar ingresso",
diz Accioly. Os ingressos, por sinal, custarão 45 reais.
"Accioly tem todas as qualidades para ser um grande empreendedor
na área de lazer. Eu já tive esse espírito, já animei muita
gente a sair de casa. Fico feliz de ter mais alguém assim no
Rio."
Ricardo
Amaral, sócio
de Accioly no Gourmet e nas incorporações da Agenco |
Dilmar Cavalher/Strana
 |
Foi
necessário muito empenho para convencer Maria Ercília
Leite de Castro, diretora-geral da Companhia Caminho Aéreo
Pão de Açúcar, a reabrir a casa noturna. "Era
preciso cuidado, porque essa área é um patrimônio
da cidade. O projeto dele me pareceu consistente", diz Ercília.
O contrato inicial é de um ano, renovável por mais
cinco. No primeiro momento, o Oi Noites Cariocas funciona apenas
em janeiro, para reabrir em maio. "Vamos avaliar o que funcionou
e se será preciso mudar alguma coisa", explica a diretora
do Pão de Açúcar. Os planos, no entanto, podem
ser mudados. "Já estamos pensando em reabrir em março,
porque tem muito artista querendo se apresentar lá", conta
o sócio Calainho.
Dilmar Cavalher/Strana
 |
"No início eu estava bastante cético sobre a reabertura do Noites,
mas, quando conheci o Accioly, gostei dele. Vou trazer novidades
para a casa. Se fosse para cuidar do dia-a-dia, eu não topava."
Nelson
Motta, consultor
do Oi Noites Cariocas |
Ao
mesmo tempo, Accioly dedica-se ao Trip Trix, festival com cinco
dias de duração. O evento espalhará por uma
área de 50.000 metros quadrados, no Riocentro, uma cidade
infantil, brinquedos do tradicional e singelo carrossel aos
mais avançados simuladores , área para shows,
apresentações de teatro e palestras, e uma cidade
do desenho animado, com 2.000 metros quadrados. Ali, Maurício
de Sousa e sua equipe mostrarão às crianças
como se faz uma história em quadrinhos. O empresário
arrendou o Riocentro no mês de julho pelos próximos
cinco anos menos em 2007, ano do Pan-Americano e vai
gastar 20 milhões de reais na brincadeira. "O Trip Trix é
uma maluquice que não tem fim, cada dia ele inventa mais
uma história. Eu juntei um pouco de tudo o que já
vi na Disney e mais um pouco dos musicais da Broadway e bolei esse
projeto para o Alexandre", diz Abel Gomes, que cuida do Trip Trix
ao lado da mulher, Sheila, e do filho, Flávio.
A fábrica
de projetos de Accioly não pára. Há quinze
dias, voltou de uma temporada em Nova York com Ricardo Amaral. Lá,
visitaram restaurantes para decidir o que fazer no Gourmet. Ele
sonha ainda trazer para o Rio os badalados restaurantes paulistas
Kosushi, de comida japonesa, e Rubayat, uma casa de carnes. "Eles
ainda não sabem do meu interesse, mas qualquer dia o telefone
deles toca e do outro lado vai estar o Accioly com uma proposta",
diz. Ricardo Amaral é um dos 42 sócios que o empresário
tem em suas dezesseis empresas há outros nomes de
peso, como Luciano Huck, João Paulo Diniz e Sergio Goldberg,
dono da construtora Agenco. Com Goldberg, Accioly virou incorporador
imobiliário. E, como tudo na vida de Accioly, os planos não
são modestos. É parceiro da Agenco na construção
da futura Vila do Pan-Americano, uma área de 420.000 metros
quadrados na Barra da Tijuca onde serão construídos
25 prédios, com um total de 2.000 apartamentos (de quarto
e sala a sala e quatro quartos). De início, os imóveis
hospedarão os atletas. Depois do Pan, serão postos
à venda.
 |
 |
| O
boneco Trip Trix (à esq.) e um dos cenários de Abel Gomes:
custo de 20 milhões |
Rei
da noite carioca desde os anos 70, Ricardo Amaral vê em Accioly
alguém com força para assumir o posto. "Ele tem disposição
para ser um animateur, alguém que incentiva as pessoas
a sair de casa. A vida toda eu tive essa capacidade, mas já
cumpri meu ciclo. Agora eu vou ser o animateur do animateur",
brinca Amaral. Nem é preciso fazer força para animar
Accioly. "Eu podia ficar parado, curtindo a vida, mas gosto de inventar
histórias. Agora tenho a melhor vida do mundo: moro no Rio,
passo os fins de semana em Angra e ainda arrumei um trabalho para
conciliar lazer e negócios."
André Valentim/Strana
 |
Arthur Cavaliere/Strana
 |
| Gero
carioca: o primeiro restaurante de Accioly |
Novidade
no Gourmet: bar sofisticado no 2º andar |
|