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6 de dezembro de 2006

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O príncipe cervejeiro

Dom Francisco comemora
o sucesso da Imperial

Fátima Sá

 
Dilmar Cavalher/Strana
O bisneto da princesa Isabel: fábrica na serra

A intimidade, ele jura, vem de berço. A avó cresceu numa família cervejeira, na Checoslováquia. O pai, nascido na França, sempre adorou cerveja. E ele, o caçula de seis filhos, cresceu ouvindo falar nas maravilhas que a água de Petrópolis fazia pela bebida. Unindo a mística da região ao prestígio da família, o príncipe Francisco de Orleans e Bragança, bisneto da princesa Isabel, criou a cervejaria Cidade Imperial. Nove anos depois, ele comemora a aventura. A fábrica, que surgiu pequenina, não pára de crescer. Fincada no Vale da Boa Esperança, em Itaipava, a Cidade Imperial produzia modestos 7.000 litros de chope por mês em 1997. Hoje, produz 60 000 litros de chope e 6 000 litros de cerveja. "Foi o caminho natural. Primeiro testamos o chope e esperamos a produção crescer. Então, engarrafamos o produto", explica dom Francisco. Com o chope – claro e escuro – aprovado, a Imperial lançou recentemente sua cerveja premium em long neck. No inverno, lança a versão escura e, em dois anos, espera chegar a 200.000 litros de produção mensal.

Apesar do encanto pela bebida – o príncipe é dono de uma coleção de mais de 1 000 bolachas de chope, incluindo exemplares trazidos de países muçulmanos –, a fábrica está longe de ser um hobby para dom Francisco. Proprietário do jornal Tribuna de Petrópolis e da gráfica Sumaúma, ele vê a bebida como um negócio. E dos bons. "A cultura do chope é forte por aqui. O Rio responde por 40% da produção de chope do país. E há um campo muito fértil para as microcervejarias", diz. Aos 50 anos, três filhos, uma rosa-dos-ventos e as iniciais do nome tatuadas no braço direito, dom Francisco é fã de boliche e entusiasta do ferromodelismo. Divide o comando da fábrica com a mulher, a advogada Rita de Cássia Pires, 45 anos, com quem vai a feiras de cerveja e discute a produção, enquanto transforma os amigos em cobaias da fábrica. "Imagine o sacrifício que é para eles", brinca Rita. Sangue azul à parte, o segredo da marca está na produção artesanal, a cargo dos mestres-cervejeiros Frank Schmieder, que trabalhou para a Heineken na Alemanha, e Rafael Farinha, que foi da Bohemia.

 
Alfredo Franco
O bisneto da princesa Isabel: fábrica na serra

Além de dom Francisco, outros membros da família imperial já se aventuraram pelo ramo. Em Parati, dom João de Orleans e Bragança criou a prestigiada aguardente Maré Alta. "Isso foi há vinte e tantos anos, numa época em que só cachaceiro bebia aguardente", acha graça o filho, o príncipe dom Joãozinho, que está modernizando o alambique. Outro Orleans e Bragança que ganhou fama no setor foi dom Eudes. Golfista de mão-cheia, ele era dono de uma vinícola, que carregava seu nome, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Produzia bons vinhos, mas acabou fechando, pressionado pela carga tributária. Ainda assim, não descarta a hipótese de voltar ao ramo um dia.

     
   

 

 
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