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NEGÓCIOS
O príncipe cervejeiro Dom
Francisco comemora o sucesso da Imperial Fátima
Sá
Dilmar Cavalher/Strana
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bisneto da princesa
Isabel: fábrica
na serra |
A
intimidade, ele jura, vem de berço. A avó cresceu numa família
cervejeira, na Checoslováquia. O pai, nascido na França, sempre
adorou cerveja. E ele, o caçula de seis filhos, cresceu ouvindo falar nas
maravilhas que a água de Petrópolis fazia pela bebida. Unindo a
mística da região ao prestígio da família, o príncipe
Francisco de Orleans e Bragança, bisneto da princesa Isabel, criou a cervejaria
Cidade Imperial. Nove anos depois, ele comemora a aventura. A fábrica,
que surgiu pequenina, não pára de crescer. Fincada no Vale da Boa
Esperança, em Itaipava, a Cidade Imperial produzia modestos 7.000 litros
de chope por mês em 1997. Hoje, produz 60 000 litros de chope e 6 000 litros
de cerveja. "Foi o caminho natural. Primeiro testamos o chope e esperamos a produção
crescer. Então, engarrafamos o produto", explica dom Francisco. Com o chope
claro e escuro aprovado, a Imperial lançou recentemente sua
cerveja premium em long neck. No inverno, lança a versão escura
e, em dois anos, espera chegar a 200.000 litros de produção mensal.
Apesar
do encanto pela bebida o príncipe é dono de uma coleção
de mais de 1 000 bolachas de chope, incluindo exemplares trazidos de países
muçulmanos , a fábrica está longe de ser um hobby para
dom Francisco. Proprietário do jornal Tribuna de Petrópolis
e da gráfica Sumaúma, ele vê a bebida como um negócio.
E dos bons. "A cultura do chope é forte por aqui. O Rio responde por 40%
da produção de chope do país. E há um campo muito
fértil para as microcervejarias", diz. Aos 50 anos, três filhos,
uma rosa-dos-ventos e as iniciais do nome tatuadas no braço direito, dom
Francisco é fã de boliche e entusiasta do ferromodelismo. Divide
o comando da fábrica com a mulher, a advogada Rita de Cássia Pires,
45 anos, com quem vai a feiras de cerveja e discute a produção,
enquanto transforma os amigos em cobaias da fábrica. "Imagine o sacrifício
que é para eles", brinca Rita. Sangue azul à parte, o segredo da
marca está na produção artesanal, a cargo dos mestres-cervejeiros
Frank Schmieder, que trabalhou para a Heineken na Alemanha, e Rafael Farinha,
que foi da Bohemia.
Alfredo Franco
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bisneto da princesa
Isabel: fábrica
na serra |
Além
de dom Francisco, outros membros da família imperial já se aventuraram
pelo ramo. Em Parati, dom João de Orleans e Bragança criou a prestigiada
aguardente Maré Alta. "Isso foi há vinte e tantos anos, numa época
em que só cachaceiro bebia aguardente", acha graça o filho, o príncipe
dom Joãozinho, que está modernizando o alambique. Outro Orleans
e Bragança que ganhou fama no setor foi dom Eudes. Golfista de mão-cheia,
ele era dono de uma vinícola, que carregava seu nome, em Bento Gonçalves,
no Rio Grande do Sul. Produzia bons vinhos, mas acabou fechando, pressionado pela
carga tributária. Ainda assim, não descarta a hipótese de
voltar ao ramo um dia. |