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MEMÓRIAS
Retratos do século XIX Livro
mostra como a cidade descobriu a fotografia. E vice-versa Sérgio
Garcia
G. Leuzinger/Instituto Moreira Salles
 | | O
bairro de Botafogo
visto de dois ângulos,
entre os anos de
1865 e 1885: à
esquerda, uma tomada
de cima que mostra
a enseada, o
antigo hospício
e, ao fundo, a Escola
Militar; abaixo, o bonde
número 32 segue
da orla em direção
ao Corcovado
| Marc Ferrez/Col. Gilberto Ferrez/Instituto
Moreira Salles
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É
missão impossível achar um ângulo do Rio que não tenha
sido registrado em fotos, cartões-postais, desenhos ou filmes. Rio de
Janeiro 1840-1900 Uma Crônica Fotográfica (Casa Editorial;
259 páginas; 120 reais) foca exatamente o período em que começou
a relação entre a fotografia e a cidade, quando o abade Louis Comte
obteve as primeiras imagens cariocas, tendo como cenário o Cais Pharoux,
atual Praça XV. O livro reúne 300 fotos pinçadas de acervos
públicos e particulares pelo economista George Ermakoff, que já
lançara em 2003 uma publicação semelhante abrangendo as três
primeiras décadas do século XX. "O século XIX está
relativamente batido em termos de imagens. Busquei privilegiar fotos inéditas",
diz o autor, ele próprio dono de uma coleção de 2 000 fotos.
Ermakoff visita diariamente sites de leilões e marchands e já fez
viagens internacionais em seu trabalho de "arqueólogo iconográfico".
Col. Elysio Custódio G.O. Belchior
 | | Cenas
cariocas do
fim do século
XIX: movimento
intenso no Largo
da Carioca (acima),
com o prédio
do Hospital da
Ordem Terceira de
São Francisco
da Penitência
(à dir. na foto),
demolido em 1906;
abaixo, o Mercado
do Peixe, com barcos
ancorados, no
Cais Pharoux | Marc
Ferrez/Col. Gilberto Ferrez/Instituto Moreira Salles
 |
O
período abordado no livro marca não só o começo como
também a popularização da fotografia na cidade. Dom Pedro
II aderiu à novidade e chegou a distribuir títulos para os fotógrafos.
"No início, a fotografia esteve restrita à elite. Um daguerreótipo
era caro à beça", diz Ermakoff. Com a evolução tecnológica
e a chegada dos cards visits retratos pessoais ou da família com
que se presenteavam as pessoas , em meados do século XIX, a técnica
ganhou impulso, a ponto de mais de 200 profissionais do ramo atuarem na cidade
antes da virada do século. Nomes como Revert Henrique Klumb, Marc Ferrez,
Juan Gutierrez, Georges Leuzinger e Insley Pacheco retrataram paisagens e personagens
da cidade e também sua expansão para a Zona Sul. A publicação
traz diversos cards visits e um painel em 360 graus feito por Santos Moreira no
topo do Morro do Castelo, demolido em 1922. Retratos que redescobrem uma cidade
que, em boa parte, ficou no passado.
G. Leuzinger/Instituto Moreira Salles
 | Insley
Pacheco/Col. João Hermes Pereira de Araújo
 | | Paisagens
e tipos: o
cemitério São João Batista
(acima, à esq.), com o
Pão de Açúcar ao fundo;
um duelo simulado entre
os condes de Bréda
e Haritoff (à
dir.); a homenagem
ao retorno de viagem
da família imperial
está na fachada da
Casa Granado (abaixo, à
dir.); no Cais Pharoux,
o vaivém de barcos
e pessoas (abaixo)
| Juan
Gutierrez/Acervo Museu Histórico Nacional
 | Marc
Ferrez/Col. Gilb. Ferrez/IMS
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