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6 de dezembro de 2006

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MEMÓRIAS

Retratos do século XIX

Livro mostra como a cidade descobriu a fotografia. E vice-versa

Sérgio Garcia

 
G. Leuzinger/Instituto Moreira Salles
O bairro de Botafogo visto de dois ângulos, entre os anos de 1865 e 1885: à esquerda, uma tomada de cima que mostra a enseada, o antigo hospício e, ao fundo, a Escola Militar; abaixo, o bonde número 32 segue da orla em direção ao Corcovado
Marc Ferrez/Col. Gilberto Ferrez/Instituto Moreira Salles

É missão impossível achar um ângulo do Rio que não tenha sido registrado em fotos, cartões-postais, desenhos ou filmes. Rio de Janeiro 1840-1900 – Uma Crônica Fotográfica (Casa Editorial; 259 páginas; 120 reais) foca exatamente o período em que começou a relação entre a fotografia e a cidade, quando o abade Louis Comte obteve as primeiras imagens cariocas, tendo como cenário o Cais Pharoux, atual Praça XV. O livro reúne 300 fotos pinçadas de acervos públicos e particulares pelo economista George Ermakoff, que já lançara em 2003 uma publicação semelhante abrangendo as três primeiras décadas do século XX. "O século XIX está relativamente batido em termos de imagens. Busquei privilegiar fotos inéditas", diz o autor, ele próprio dono de uma coleção de 2 000 fotos. Ermakoff visita diariamente sites de leilões e marchands e já fez viagens internacionais em seu trabalho de "arqueólogo iconográfico".

 
Col. Elysio Custódio G.O. Belchior
Cenas cariocas do fim do século XIX: movimento intenso no Largo da Carioca (acima), com o prédio do Hospital da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência (à dir. na foto), demolido em 1906; abaixo, o Mercado do Peixe, com barcos ancorados, no Cais Pharoux
Marc Ferrez/Col. Gilberto Ferrez/Instituto Moreira Salles

O período abordado no livro marca não só o começo como também a popularização da fotografia na cidade. Dom Pedro II aderiu à novidade e chegou a distribuir títulos para os fotógrafos. "No início, a fotografia esteve restrita à elite. Um daguerreótipo era caro à beça", diz Ermakoff. Com a evolução tecnológica e a chegada dos cards visits – retratos pessoais ou da família com que se presenteavam as pessoas –, em meados do século XIX, a técnica ganhou impulso, a ponto de mais de 200 profissionais do ramo atuarem na cidade antes da virada do século. Nomes como Revert Henrique Klumb, Marc Ferrez, Juan Gutierrez, Georges Leuzinger e Insley Pacheco retrataram paisagens e personagens da cidade e também sua expansão para a Zona Sul. A publicação traz diversos cards visits e um painel em 360 graus feito por Santos Moreira no topo do Morro do Castelo, demolido em 1922. Retratos que redescobrem uma cidade que, em boa parte, ficou no passado.

 

G. Leuzinger/Instituto Moreira Salles
Insley Pacheco/Col. João Hermes Pereira de Araújo
Paisagens e tipos: o cemitério São João Batista (acima, à esq.), com o Pão de Açúcar ao fundo; um duelo simulado entre os condes de Bréda e Haritoff (à dir.); a homenagem ao retorno de viagem da família imperial está na fachada da Casa Granado (abaixo, à dir.); no Cais Pharoux, o vaivém de barcos e pessoas (abaixo)
Juan Gutierrez/Acervo Museu Histórico Nacional
Marc Ferrez/Col. Gilb. Ferrez/IMS
     
   

 

 
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