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ESPETÁCULO
Nacionalismo na ária Theatro
Municipal estréia ópera sobre o sanitarista Oswaldo Cruz e o Rio no começo
do século XX Debora Ghivelder
Fotos Dilmar Cavalher/Strana
 | | Prostitutas
da Lapa
em cena com policiais:
personagens na vida
de Cruz |
O
clima nos bastidores do Theatro Municipal durante os ensaios de O Cientista
é de uma contagiante alegria nacionalista. A ópera sobre
a vida de Oswaldo Cruz tem música composta pelo maestro da casa, Sílvio
Barbato, libreto do poeta Bernardo Vilhena, direção de Eduardo Álvares,
cenários de Marcello Dantas e figurinos de Marcelo Olinto. A estréia
será na sexta-feira (8). A alegria tem sua razão de ser. Trata-se
de uma ópera brasileira que interrompe um jejum de 45 anos sem uma obra
do gênero naquele palco. Isso mesmo. A última ópera composta
em português apresentada na casa foi A Compadecida, de José
Siqueira, encenada e regida pelo próprio autor, em 1961. E, não
menos importante: O Cientista fala de um Brasil em que mudança era
a palavra de ordem. Mudar, entenda-se, para melhor. "Sempre quis fazer uma ópera
sobre um personagem nosso. Oswaldo Cruz representa um período bonito da
história republicana. Pode-se ver que o Brasil já teve presidentes
e prefeitos que tinham vontade política", diz a diretora do Municipal,
Helena Severo, que encomendou a ópera a Barbato e contou com a verba de
600.000 reais da Fundação Oswaldo Cruz e da Fundação
Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro.
 | | O
casal Cruz: protagonista |
Criada
de acordo com as tradições dos séculos XVIII e XIX, com direito
a árias e duetos, a ópera em dois atos levou sete meses para ficar
pronta. O libreto está amparado na leitura de 600 cartas do sanitarista,
textos do Senado Federal e artigos de jornais. Com elenco liderado por Sebastião
Teixeira, O Cientista narra a vida de Oswaldo Cruz e suas pesquisas, seu
casamento com Emília (Claudia Riccitelli) e sua vida mundana pelos cabarés
da Lapa. Mostra o apoio político que lhe deu o presidente Rodrigues Alves
e o episódio da Revolta da Vacina, com direito a confronto entre policiais
e capoeiristas. Entre coro e orquestra são 200 pessoas em cena. O cenário
tem um espelho de 120 metros quadrados que provoca ilusões ópticas.
O Cientista destaca o médico que, longe de ser uma unanimidade à
época, ajudou a cidade a livrar-se de males como varíola, peste
bubônica e febre amarela. Um espetáculo que canta a história
do Brasil. |