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6 de dezembro de 2006

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Nacionalismo na ária

Theatro Municipal estréia ópera
sobre o sanitarista Oswaldo Cruz e
o Rio no começo do século XX

Debora Ghivelder

 
Fotos Dilmar Cavalher/Strana
Prostitutas da Lapa em cena com policiais: personagens na vida de Cruz

O clima nos bastidores do Theatro Municipal durante os ensaios de O Cientista é de uma contagiante alegria nacionalista. A ópera sobre a vida de Oswaldo Cruz tem música composta pelo maestro da casa, Sílvio Barbato, libreto do poeta Bernardo Vilhena, direção de Eduardo Álvares, cenários de Marcello Dantas e figurinos de Marcelo Olinto. A estréia será na sexta-feira (8). A alegria tem sua razão de ser. Trata-se de uma ópera brasileira que interrompe um jejum de 45 anos sem uma obra do gênero naquele palco. Isso mesmo. A última ópera composta em português apresentada na casa foi A Compadecida, de José Siqueira, encenada e regida pelo próprio autor, em 1961. E, não menos importante: O Cientista fala de um Brasil em que mudança era a palavra de ordem. Mudar, entenda-se, para melhor. "Sempre quis fazer uma ópera sobre um personagem nosso. Oswaldo Cruz representa um período bonito da história republicana. Pode-se ver que o Brasil já teve presidentes e prefeitos que tinham vontade política", diz a diretora do Municipal, Helena Severo, que encomendou a ópera a Barbato e contou com a verba de 600.000 reais da Fundação Oswaldo Cruz e da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro.

 
O casal Cruz: protagonista

Criada de acordo com as tradições dos séculos XVIII e XIX, com direito a árias e duetos, a ópera em dois atos levou sete meses para ficar pronta. O libreto está amparado na leitura de 600 cartas do sanitarista, textos do Senado Federal e artigos de jornais. Com elenco liderado por Sebastião Teixeira, O Cientista narra a vida de Oswaldo Cruz e suas pesquisas, seu casamento com Emília (Claudia Riccitelli) e sua vida mundana pelos cabarés da Lapa. Mostra o apoio político que lhe deu o presidente Rodrigues Alves e o episódio da Revolta da Vacina, com direito a confronto entre policiais e capoeiristas. Entre coro e orquestra são 200 pessoas em cena. O cenário tem um espelho de 120 metros quadrados que provoca ilusões ópticas. O Cientista destaca o médico que, longe de ser uma unanimidade à época, ajudou a cidade a livrar-se de males como varíola, peste bubônica e febre amarela. Um espetáculo que canta a história do Brasil.

     
   

 

 
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