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REPORTAGEM DE CAPA
Novidades nos paraísos de consumo A
inauguração do Shopping Leblon incentiva mudanças em outros grandes centros
comerciais da cidade Cristina Grillo e Carlso
Henrique Braz
 | | O
Shopping Leblon (ao lado, no destaque) terá
190 lojas em quatro andares e um prédio de oito andares para escritórios.
Construído sobre uma rocha, traz para o Rio lojas como Armani Exchange,
Ferragamo, Miéle, e restaurantes como Payard e Ráscal. Na Cruzada
São Sebastião, conjunto habitacional ao lado do shopping, foi investido
1,1 milhão de reais em obras de recuperação de fachadas e
em cursos profissionalizantes para seus moradores. |
Tarde
de sexta-feira no Rio Sul. O empresário Alberto Chreem, um dos sócios
da Casa Alberto Gentleman, resolve checar a informação que recebeu.
Entra em uma sala e encontra cinco vendedores de uma de suas lojas negociando
a transferência para a loja da grife Ferragamo, a primeira na cidade, a
ser inaugurada no Shopping Leblon, que abre na quarta-feira (6). "Acho falta de
ética. Eles convidaram todos os vendedores da loja do Fashion Mall, de
uma vez só, às vésperas do Natal. Perguntei se não
tinham emprego para mim também", reclama Alberto, que ameaça entrar
na Justiça contra o que alega ser concorrência desleal. "Não
tenho conhecimento disso. Recebi alguns currículos, mas não entrevistei
ninguém da Casa Alberto em nenhuma das duas vezes que fui ao Rio para fazer
seleção", contesta Ziza Menezes, supervisora das lojas Ferragamo.
"É o desespero deles para abrir a loja", rebate Alberto. A confusão
mostra como andam acirrados os ânimos no comércio carioca, às
vésperas da abertura do novo shopping. O início das obras no alto
da Pedra do Baiano, enorme rocha encravada entre as avenidas Afrânio de
Melo Franco e Borges de Medeiros, em abril de 2003, mexeu com o mercado de shopping
centers carioca. Entre construção, obras de expansão e reformas,
estima-se que até o fim de 2007 os principais shoppings da cidade gastarão
quase 650 milhões de reais o equivalente ao valor liberado pelo
BNDES neste ano para a recuperação da indústria naval.
André Nazareth/Strana
 | | Construído
há 25 anos, o Rio Sul faz obras para se adaptar
ao novo conceito de shopping: terá fachada envidraçada e aberturas
para a entrada de luz natural. Investe também em lazer e entretenimento,
com novos cinemas e academia de ginástica ampliada. |  |  |
Tanta
agitação tem motivos bem sólidos. Em 2006, os 315 shopping
centers do país devem faturar 44 bilhões de reais, gastos por um
batalhão de 203 milhões de consumidores que circulam a cada mês
por seus corredores em busca de produtos, opções de lazer e serviços.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Shopping Centers
(Abrasce), os 31 shoppings cariocas ficam com cerca de 10% dessa bolada
respeitáveis 4 bilhões de reais. A abertura do Shopping Leblon,
um investimento de 300 milhões de reais espalhado em 110 000 metros quadrados
de área construída, com 190 lojas, quatro modernos cinemas, restaurantes,
um teatro e um centro cultural (veja quadro) que
devem receber, por mês, em torno de 600 000 consumidores, acirra ainda mais
a concorrência. Por isso, todos estão se mexendo.
 | | O
NorteShopping vai criar uma grande área a céu
aberto, cercada por restaurantes (abaixo). Ao lado do shopping, será
construído um condomínio com oito prédios (acima)
e área de lazer semelhante à de grandes condomínios da Barra
da Tijuca. |  |
O
Rio Sul, um dos mais antigos da cidade, vai gastar 66 milhões de reais
até o fim de 2007 para mudar seu perfil. No início dos anos 80,
quando ele foi construído, shoppings eram caixas fechadas, sem entrada
de luz natural e com poucos lugares onde descansar. Bancos nas áreas comuns
eram artigo raro. Assim, o pobre consumidor rodaria sem parar pelos corredores,
sem ter noção da passagem do tempo lá fora, comprando sem
parar. Vinte e cinco anos depois, o conceito mudou completamente. Shoppings novos,
como o Leblon, têm grandes áreas envidraçadas para a entrada
de luz natural e mobiliário confortável, montado como pequenas salas
de estar ou lounges, como todos preferem chamar , para que o consumidor
descanse. "Vamos abrir duas grandes clarabóias, no alto das escadas rolantes,
e uma área livre no vão das escadas fixas, para que de um andar
se vejam os outros. Assim temos mais luz natural e damos uma arejada no ambiente",
explica Sergio Pessoa, superintendente do Rio Sul. A fachada, hoje um paredão
de cimento, sem janelas, será coberta por uma espécie de bolha de
vidro e, no último piso, será criada uma grande área de eventos.
Mas a maior transformação está programada para o segundo
semestre de 2007. O posto de gasolina ao lado foi comprado e dará lugar
a mais 3.000 metros quadrados de shopping. Além de novas lojas, a expansão
abrigará a academia A!Body Tech, que hoje funciona no 4º piso do shopping.
No novo espaço, a academia terá um 2º andar ao ar livre, com
piscina e área para outras atividades. Onde hoje funciona a academia surgirão
seis novas salas de cinema de última geração, semelhantes
às do Shopping Leblon: o complexo Kinoplex, com salas em formato stadium
e sistema de som digital THX, desenvolvido pelo cineasta George Lucas.
 | O
BarraShopping se prepara para mudar sua fachada em 2007. Neste ano, investiu
em obras internas, com a troca do sistema de ar-condicionado
e dos telhados, que ganharam abertura para a entrada de luz natural.
|
O
investimento em atividades de lazer e entretenimento é uma tendência
forte nos shoppings. De acordo com a Abrasce, 84% deles têm salas de cinema
em média, quatro por shopping e 21% já têm academias
de ginástica. O NorteShopping, em Del Castilho, investe 110 milhões
de reais para ampliar sua área de lojas de 65 000 metros quadrados para
cerca de 100 000 metros quadrados pouco mais que o BarraShopping, até
agora o maior do Rio. "Só a nossa expansão, de 35 000 metros quadrados,
é maior do que todo o Shopping Tijuca", comemora Hugo Matheson Drumond,
diretor-superintendente da Egec, administradora do NorteShopping. Terá
pista de boliche, rinque de patinação, novos restaurantes e bares,
como Outback e Devassa, Kinoplex com dez salas de cinema e uma academia A!Body
Tech, a primeira da Zona Norte e a maior da rede, com 7.000 metros quadrados.
"Estamos investindo 20 milhões de reais nessa academia, mais do que investimos
na da Barra (16 milhões de reais). Teremos esteiras com TV de plasma e
tudo o mais que há nas academias da Zona Sul", diz o empresário
Alexandre Accioly, um dos sócios da rede.
 | O
Shopping Tijuca abre em março de 2007 novo piso no subsolo, com
lojas e academia de ginástica. Suas três salas de cinema serão
substituídas por seis modernas salas Kinoplex em
formato stadium e com capacidade para 1 500 pessoas. |
A
expansão do shopping funciona como uma espécie de ímã
para o desenvolvimento de seu entorno. A
construtora Klabin Segall vai lançar um condomínio com oito prédios
de apartamentos de dois e três quartos e estrutura semelhante à dos
grandes condomínios da Barra: piscinas, pista de caminhada, quadras de
futebol e futevôlei, playground e até cinema, boate e spa, espalhados
numa área de 35 000 metros quadrados. "Quem comprar um apartamento aqui
não vai precisar sair de casa para se divertir", diz Sergio Segall, diretor
da construtora.
André Nazareth/Strana
 | Quase
em frente ao Shopping Leblon, o Rio Design trocou
as lojas de decoração por endereços de moda e restaurantes.
Investiu em serviços diferenciados, como consultoria de estilo para os
clientes. É o único que permite a entrada de animais. |
O
Shopping Tijuca também cresceu mas para baixo. Investiu 50 milhões
de reais em obras que incluem a construção de um novo pavimento
no subsolo, onde haverá lojas como Zara e a onipresente A!Body Tech. No
6º piso, as atuais três salas de cinema, com 550 lugares, serão
substituídas pelo também onipresente Kinoplex serão
seis salas, para 1 500 pessoas. E as obras atingem também a área
externa: em parceria com a prefeitura, o shopping está trocando postes
de iluminação pública da área, placas de sinalização,
revestimento das calçadas e construindo uma ponte para pedestres sobre
o Rio Maracanã, em frente a sua entrada. "Deixaremos de ser um shopping
de vizinhança para virar um shopping regional", diz Luiz Paulo de Aquino
Sá, gerente de operações da Awal, administradora do empreendimento.
Cinemas também são a aposta do Shopping Center da Gávea,
que está gastando 20 milhões de reais em sua primeira grande reforma
e acaba de inaugurar uma nova fachada. Em março de 2007 serão abertas
cinco salas Estação Vivo, primeira parceria do Grupo Estação
sem o Unibanco. Se
há agitação nos shoppings de toda a cidade, no trecho do
Leblon onde já funciona o Rio Design e onde será aberto o Shopping
Leblon há uma ebulição. O apart-hotel que funciona na esquina
das avenidas Afrânio de Melo Franco e Ataulfo de Paiva está gradualmente
sendo transformado em prédio de escritórios; na outra esquina, onde
havia um posto de gasolina, será construído outro prédio
de escritórios que terá, no térreo, uma megaloja da rede
Brasif, aquela que durante anos ocupou os free shops dos aeroportos brasileiros.
O Rio Design Leblon, que fica quase em frente ao novo shopping, já está
pronto para enfrentar a concorrência. Há dois anos apostou numa bem-sucedida
mudança de perfil: deixou de ser um shopping de decoração
e se transformou num charmoso conjunto de lojas com ênfase em vestuário.
"Estamos fortalecendo essas características. Não posso querer ser
mega, somos um shopping de bairro que aposta em alguns diferenciais", explica
Mariana de Carvalho, diretora de marketing do grupo Ancar, administrador do shopping.
Entre os diferenciais está, por exemplo, o fato de permitir a entrada de
animais. É rotineiro ver cachorros passeando com seus donos pelos corredores.
E, na semana de abertura do concorrente mais próximo, o Rio Design lança
um serviço de entrega de compras em casa, o bike express, e um serviço
de consultoria de imagem. "O cliente preenche um questionário e, a partir
da resposta, fazemos sugestões sobre como ele deve se vestir", explica
Mariana. A disputa pelo consumidor está mesmo animada nos shoppings cariocas.
A
força dos templos de consumo cariocas
Número de
shoppings: 31*
Total
de área construída:
1 674 135 m2 Freqüentadores
(por mês):
19,5 milhões** Faturamento
estimado (em 2006): 4
bilhões de reais Empregos
gerados: 44
000 Salas
de cinema: 120
Gasto
médio em compras por
pessoa: 71
reais Gasto
médio em alimentação por pessoa: 12
reais O
maior: o
Complexo BarrasShopping, que inclui o New York City Center, com 90 000 m2
de área
bruta locável (ABL,
a área efetivamente ocupada por lojas). Quando suas obras de expansão
estiverem prontas, o NorteShopping terá 95
000 m2 de ABL O
menor: o
Rio Plaza Shopping, com 6 953 m2 de ABL *
Com a abertura do Shopping Leblon, na quarta (6)
** Conta-se cada vez
que a pessoa entra no shopping. Assim, um freqüentador habitual é
incluído no cálculo várias vezes |
Pesos-pesados
da moda
Renato Ferreira/Divulgação
 | Miéle:
primeira loja no Rio |
Armani
Exchange, Miéle by Carlos Miéle, Forum Tufi Duek, Ferragamo... A
lista de novidades para os consumidores cariocas, entre as 190 lojas do Shopping
Leblon, é grande e de peso. O estilista Carlos Miéle, sucesso em
Nova York com a grife que leva seu nome, abre no Rio a primeira Miéle by
Carlos Miéle. "É minha segunda linha, como Armani tem a Emporio
e Dolce&Gabbana tem a D&G", diz Miéle. Em estilo, a segunda linha
difere pouco da linha principal. A diferença está nos preços.
Há vestidos luxuosos, mas menos elaborados. "Por isso é mais barato.
Um longo Carlos Miéle (a primeira linha) custa em torno de 3 000
dólares. Os da Miéle custarão cerca de 1 000 dólares",
explica. A Armani Exchange, linha mais jovem do italiano Giorgio Armani, é
outra grife que faz sua estréia na cidade, assim como a tradicional marca
italiana Ferragamo, que traz suas linhas de vestuário e acessórios,
femininos e masculinos. Acessórios de luxo não faltam no shopping.
A empresária Sílvia Chreen gastou 2 milhões de reais para
montar a Avec, multimarcas que vende peças de Moschino, Stella McCartney,
Corto Moltedo e Marc Jacobs. E Tufi Duek abre a Forum Tufi Duek, a primeira no
país, onde o estilista venderá criações mais luxuosas.
Mas nem só de moda viverá o novo shopping. A Livraria da Travessa
abre lá sua maior loja, com 1 500 metros quadrados, estoque de 150 000
volumes e um charmoso restaurante tudo nos moldes do badalado Travessão
de Ipanema, mas com mais espaço. E, na praça de alimentação,
com vista para a Lagoa, serão abertas filiais dos restaurantes paulistas
Ráscal e Payard. Alimento para o corpo e o espírito é o que
não vai faltar.
André Nazareth/Strana
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 | Avec:
grifes como Stella McCartney | Armani
Exchange: linha jovem |
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