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6 de junho de 2007

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Mina de ouro

Cuidado: o preço da água pode aumentar
– e muito – a conta nos restaurantes

Fernanda Thedim



André Valentim/Strana
Aceita uma garrafinha de 330 mililitros do Caesar Park? Custa 7 reais

Basta um minuto de distração para que o copo vazio seja completado novamente. Acontece tanto em restaurantes estrelados como em churrascarias rodízio. "Recebemos essa instrução", confirma o garçom de uma sofisticada casa do Leblon. "Fico receoso com a mania de correrem para encher os copos a cada vez que você dá um gole", diz o crítico gastronômico Rodolfo Garcia, jurado da edição especial de Veja Rio Comer & Beber – O Melhor da Cidade. "É evidente a má-fé." O que poderia parecer atenção no serviço é, na verdade, uma forma de aumentar o consumo de bebidas – mesmo que seja água. Isso pode encarecer, e muito, a conta final. Uma garrafa de 330 mililitros com o rótulo do Caesar Park, por exemplo, custa 7 reais no restaurante do hotel, o Agraz. É um preço equivalente ao de uma taça do vinho argentino Altas Cumbres Malbec no wine bar La Botella (6,90 reais) e a mais de dois chopes do bar Jobi (3 reais, 300 mililitros). "Temos uma série de outros impostos e logísticas que acabam encarecendo nosso produto para o consumidor final, o que nos força a cobrar pela garrafa d'água um preço um pouco superior ao do mercado", justifica Touran Rateb, diretor-geral do Caesar Park.

Um pouco superior? Dos supermercados para os restaurantes o preço de uma garrafinha de água mineral nacional de 300 mililitros varia até 600%. A São Lourenço é vendida a 3,50 reais no Carême, no Satyricon e no Aprazível; a 4,20 reais no Porcão; a 4,50 reais no Gero e no Antiquarius; e a 5 reais no Le Pré Catelan. Em supermercados, ela sai, em média, por 1 real. No Cipriani, endereço de alta gastronomia italiana no Hotel Copacabana Palace, a água também tem gostinho salgado. "Oferecíamos primeiro a importada, até que um dia um cliente reclamou que, se soubesse que a água era tão cara, teria bebido vinho", lembra o chef Francesco Carli, que, além da nacional engarrafada com o rótulo do hotel (7 reais, 330 mililitros), serve as italianas San Pellegrino e Panna (18 reais, 500 mililitros) e a francesa Perrier (15 reais, 330 mililitros). A chef Roberta Sudbrack só dispõe em seu elegante restaurante do Jardim Botânico de marcas italianas em embalagens de 1 litro, a 22 reais cada uma. "Algumas nacionais são inconstantes. Não garantem sempre o mesmo sabor e leveza", afirma Roberta. Puro esnobismo. "Não acho que exista diferença alguma de qualidade entre as boas marcas nacionais e as estrangeiras", diz Rodolfo Garcia. Existe, sim. Na conta.

         
     

 

 
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