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CONSUMO
Mina de ouro
Cuidado: o preço da
água pode aumentar
e muito a conta nos
restaurantes
Fernanda Thedim
André Valentim/Strana
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| Aceita uma garrafinha de 330
mililitros do Caesar Park? Custa 7 reais |
Basta um minuto de distração
para que o copo vazio seja completado novamente. Acontece tanto
em restaurantes estrelados como em churrascarias rodízio.
"Recebemos essa instrução", confirma o garçom
de uma sofisticada casa do Leblon. "Fico receoso com a mania de
correrem para encher os copos a cada vez que você dá
um gole", diz o crítico gastronômico Rodolfo Garcia,
jurado da edição especial de Veja Rio Comer &
Beber O Melhor da Cidade. "É evidente a má-fé."
O que poderia parecer atenção no serviço é,
na verdade, uma forma de aumentar o consumo de bebidas mesmo
que seja água. Isso pode encarecer, e muito, a conta final.
Uma garrafa de 330 mililitros com o rótulo do Caesar Park,
por exemplo, custa 7 reais no restaurante do hotel, o Agraz. É
um preço equivalente ao de uma taça do vinho argentino
Altas Cumbres Malbec no wine bar La Botella (6,90 reais) e a mais
de dois chopes do bar Jobi (3 reais, 300 mililitros). "Temos uma
série de outros impostos e logísticas que acabam encarecendo
nosso produto para o consumidor final, o que nos força a
cobrar pela garrafa d'água um preço um pouco superior
ao do mercado", justifica Touran Rateb, diretor-geral do Caesar
Park.
Um pouco superior? Dos supermercados
para os restaurantes o preço de uma garrafinha de água
mineral nacional de 300 mililitros varia até 600%. A São
Lourenço é vendida a 3,50 reais no Carême, no
Satyricon e no Aprazível; a 4,20 reais no Porcão;
a 4,50 reais no Gero e no Antiquarius; e a 5 reais no Le Pré
Catelan. Em supermercados, ela sai, em média, por 1 real.
No Cipriani, endereço de alta gastronomia italiana no Hotel
Copacabana Palace, a água também tem gostinho salgado.
"Oferecíamos primeiro a importada, até que um dia
um cliente reclamou que, se soubesse que a água era tão
cara, teria bebido vinho", lembra o chef Francesco Carli, que, além
da nacional engarrafada com o rótulo do hotel (7 reais, 330
mililitros), serve as italianas San Pellegrino e Panna (18 reais,
500 mililitros) e a francesa Perrier (15 reais, 330 mililitros).
A chef Roberta Sudbrack só dispõe em seu elegante
restaurante do Jardim Botânico de marcas italianas em embalagens
de 1 litro, a 22 reais cada uma. "Algumas nacionais são inconstantes.
Não garantem sempre o mesmo sabor e leveza", afirma Roberta.
Puro esnobismo. "Não acho que exista diferença alguma
de qualidade entre as boas marcas nacionais e as estrangeiras",
diz Rodolfo Garcia. Existe, sim. Na conta.
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