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5 de setembro de 2007

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Um genérico para a febre

Versão brasileira de High School
Musical
lota teatro na Barra

Débora Ghivelder

 
Fotos Selmy Yassuda
Escola Musical: livremente "inspirada" no musical da Disney, tem seis hits e duas versões da trilha original

O público, bastante eclético, vai dos 3 aos 18 anos, sem contar a profusão de pais e babás. Muitos chegam uniformizados com camisetas, bolsas, bonecos e acessórios nos quais se lê High School Musical. Do lado de fora faz uma bela tarde ensolarada de domingo, mas nenhum deles quer saber de passeios ao ar livre. Todos estão lá para conferir Escola Musical, a versão brasileira do megassucesso do Disney Channel, em cartaz no teatro do Centro Cultural Suassuna, na Barra da Tijuca (confira preços e horários na pág. 69). O que se vê em cena é exatamente a mesma história do filme, mas com personagens rebatizados – o casal principal, fisicamente muito parecido com os atores Zac Efron (Troy) e Vanessa Hudgens (Gabriella), do original, aqui atende por Tor e Sofia. Na trilha sonora estão seis hits da produção americana, como Start of Something New, mais duas versões em português.

Semelhança: os atores Gustavo Barchilón e Igor Pontes lembram os astros do filme

Em proporções muito mais modestas, a montagem, orçada em 30 000 reais, com dezessete atores na faixa de 11 a 26 anos, também está fazendo uma trajetória surpreendente. Desde que estreou, em junho, tem tido casa cheia, com cadeiras extras e sessões duplas. No primeiro mês, 3 316 pessoas assistiram ao espetáculo, que bateu o recorde de público do teatro. Escola Musical já prorrogou a temporada até o fim de novembro. É claro que o êxito está ancorado na força do musical original. Mas a versão livremente inspirada no título americano tem seus méritos. O elenco, em grande parte saído do curso para atores ministrado pelo diretor Alessandro Dovalle, canta e dança bem direitinho. Só nos momentos de coreografia mais intensa é que entra o playback. A trama está amparada em som e iluminação de qualidade. Quem não conhece a história romântica do casalzinho que estuda na mesma escola e tem em comum a paixão por música pode achar o roteiro frouxo. Não importa. Quando começa o show, todos cantam e se sacodem nas poltronas.

Entre as fãs fiéis está Ana Carolina Chiminazzo, 5 anos, que foi ao teatro cinco vezes, acompanhada da irmã, Mariana, de 3. A festa de aniversário da menina, em julho, teve como grande atração a presença do casal principal, vivido pelos atores Igor Pontes e Gabriella Cavalcanti. "É uma mania saudável", diz a mãe, Ana Paula Chiminazzo. "A história é ingênua e o bem prevalece." De tanto irem ao teatro – já assistiram ao espetáculo cinco vezes – os meio-irmãos Dharckson Tavares, Rique Gonçalves e Juliana Xavier fizeram amizade com o elenco. No caso dos rapazes, a amizade evoluiu para o namoro com duas atrizes. "Como viram o show muitas vezes, eles acabaram prestando atenção nas meninas", entrega Ana Maria Almeida, tia dos três.

 
Dharckson, Juliana e Rique com a tia, Ana Maria: a tietagem rendeu aos rapazes namoro com atrizes da peça

Claro que a tietagem alcançou a internet. A página de Igor Pontes no site de relacionamentos Orkut está cheia de recados de fãs. "Gosto dos desenhos enviados pelas crianças", diz o ator, que guarda na mochila um deles, feito por Ana Carolina. Nem mesmo o antagonista da trama ficou de fora. Gustavo Barchilón, que vive o divertido e efeminado Patrick, disposto a tudo para não perder a vaga de estrela no teatrinho escolar, tornou-se um dos mais queridos. "Não esperava por isso. Já tenho até duas comunidades no Orkut", conta. Escola Musical é um genérico, mas funciona muito bem.

         
     

 

 
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