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5 de setembro de 2007

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Um hospital no caminho

Justiça Federal embarga obra vizinha
ao Aeroporto de Jacarepaguá

Fátima Sá

 
Selmy Yassuda
A estrutura do complexo: Procuradoria afirma que a segurança de vôo pode ser afetada

Em construção às margens do Aeroporto de Jacarepaguá, o futuro Hospital das Américas, anunciado como o maior complexo privado do gênero no Rio, teve sua obra embargada na quinta-feira passada (30) por força de liminar. A decisão foi tomada pela juíza Claudia Maria Neiva, da 14ª Vara Federal. Como o terreno fica em área vizinha ao aeródromo, a edificação só poderia ser erguida com autorização da Aeronáutica. A empresa Bosque Medical Center, responsável pelo empreendimento, chegou a submeter o projeto ao Instituto de Aviação Civil, na época subordinado ao DAC, em agosto de 2005. Obteve pareceres técnicos contrários. A Secretaria Municipal de Urbanismo e a Feema, no entanto, autorizaram a obra. No fim da tarde de quinta, a Bosque Medical Center declarou que aguardava a notificação oficial para se manifestar.

A Procuradoria Regional da União entrou com a ação contra a obra em janeiro de 2006, quando ela ainda estava em fase de terraplenagem. "Nossa base são os pareceres técnicos que mostram que a construção pode afetar a segurança dos vôos", afirma o procurador Daniel Levy de Alvarenga. Passado um ano e oito meses, a estrutura do complexo hospitalar já está pronta. "Todo aeroporto tem uma área de proteção em seu entorno, em que é proibido construir", diz Fernando Alberto dos Santos, superintendente do Sindicato Nacional das Empresas de Táxi Aéreo, um dos primeiros a se manifestar contra a construção. A tragédia com o Airbus da TAM em São Paulo, em julho, reforçou os temores. "Não podemos correr o risco de repetir os erros de Congonhas", pondera Santos.

Usado como campo de pouso desde os anos 20, o Aeroporto de Jacarepaguá – que, a propósito, fica na Barra – vive um boom de passageiros. Nos últimos seis anos, o movimento dobrou, saltando de 31.995 usuários, em 2000, para 64.940, em 2006. A aviação executiva cresceu, os vôos para campos de exploração de petróleo se intensificaram e as prometidas obras de modernização do aeroporto estão, enfim, saindo do papel, a um custo de 8 milhões de reais. Dos 68 aeroportos administrados pela Infraero, Jacarepaguá já é o 14º em movimento. Comprado pela Amil, o futuro complexo hospitalar prevê a construção de cinco blocos, num total de 50 000 metros quadrados, com 1 155 vagas de estacionamento, um hospital propriamente dito, centro de diagnóstico, 285 consultórios e centro de convenções. Até a semana passada, a construtora, que defende que o empreendimento está fora da rota das aeronaves, prometia entregar os consultórios no ano que vem. E o restante da obra, em 2009.

 

Check-in

O número de passageiros do Aeroporto de Jacarepaguá dobrou. Em 2000, foram 31 995. No ano passado, 64 940.

A pista, de 900 metros, é usada por empresas de táxi aéreo, escolas de vôo e pára-quedismo, aviões de propaganda e pequenas aeronaves. Vôos regulares são proibidos.

São quase 45 000 pousos e decolagens ao ano – movimento impulsionado pelo tráfego para campos de exploração de petróleo e pela aviação executiva.

         
     

 

 
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