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CIDADE
Um hospital no caminho
Justiça Federal embarga
obra vizinha
ao Aeroporto de Jacarepaguá
Fátima Sá
Selmy Yassuda
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| A estrutura do complexo:
Procuradoria afirma que a segurança
de vôo pode ser afetada |
Em construção
às margens do Aeroporto de Jacarepaguá, o futuro Hospital
das Américas, anunciado como o maior complexo privado do
gênero no Rio, teve sua obra embargada na quinta-feira passada
(30) por força de liminar. A decisão foi tomada pela
juíza Claudia Maria Neiva, da 14ª Vara Federal. Como
o terreno fica em área vizinha ao aeródromo, a edificação
só poderia ser erguida com autorização da Aeronáutica.
A empresa Bosque Medical Center, responsável pelo empreendimento,
chegou a submeter o projeto ao Instituto de Aviação
Civil, na época subordinado ao DAC, em agosto de 2005. Obteve
pareceres técnicos contrários. A Secretaria Municipal
de Urbanismo e a Feema, no entanto, autorizaram a obra. No fim da
tarde de quinta, a Bosque Medical Center declarou que aguardava
a notificação oficial para se manifestar.
A Procuradoria Regional da União
entrou com a ação contra a obra em janeiro de 2006,
quando ela ainda estava em fase de terraplenagem. "Nossa base são
os pareceres técnicos que mostram que a construção
pode afetar a segurança dos vôos", afirma o procurador
Daniel Levy de Alvarenga. Passado um ano e oito meses, a estrutura
do complexo hospitalar já está pronta. "Todo aeroporto
tem uma área de proteção em seu entorno, em
que é proibido construir", diz Fernando Alberto dos Santos,
superintendente do Sindicato Nacional das Empresas de Táxi
Aéreo, um dos primeiros a se manifestar contra a construção.
A tragédia com o Airbus da TAM em São Paulo, em julho,
reforçou os temores. "Não podemos correr o risco de
repetir os erros de Congonhas", pondera Santos.
Usado como campo de pouso desde
os anos 20, o Aeroporto de Jacarepaguá que, a propósito,
fica na Barra vive um boom de passageiros. Nos últimos
seis anos, o movimento dobrou, saltando de 31.995 usuários,
em 2000, para 64.940, em 2006. A aviação executiva
cresceu, os vôos para campos de exploração de
petróleo se intensificaram e as prometidas obras de modernização
do aeroporto estão, enfim, saindo do papel, a um custo de
8 milhões de reais. Dos 68 aeroportos administrados pela
Infraero, Jacarepaguá já é o 14º em movimento.
Comprado pela Amil, o futuro complexo hospitalar prevê a construção
de cinco blocos, num total de 50 000 metros quadrados, com 1 155
vagas de estacionamento, um hospital propriamente dito, centro de
diagnóstico, 285 consultórios e centro de convenções.
Até a semana passada, a construtora, que defende que o empreendimento
está fora da rota das aeronaves, prometia entregar os consultórios
no ano que vem. E o restante da obra, em 2009.
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Check-in
O número de passageiros do Aeroporto
de Jacarepaguá dobrou. Em 2000, foram 31 995.
No ano passado, 64 940.
A pista, de 900 metros, é usada por empresas
de táxi aéreo, escolas de vôo e pára-quedismo,
aviões de propaganda e pequenas aeronaves. Vôos
regulares são proibidos.
São quase 45 000 pousos e decolagens ao ano
movimento impulsionado pelo tráfego para campos
de exploração de petróleo e pela aviação
executiva.
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