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GENTE
Show da vida
Fazer projetos arquitetônicos
aos 99 anos,
lançar livro aos 88 e administrar faculdade
aos 104 são algumas das peripécias de uma
turma que, apesar da passagem do tempo,
continua na ativa. Dez nonagenários cariocas por nascimento
ou adoção (alguns um pouco
mais velhos, outros um pouco mais novos)
mostram por que idade não é documento
Sergio Garcia, Sofia Cerqueira
e Patrick Moraes
Helio Gracie, mestre
de jiu-jítsu, 93 anos
Fernando Lemos
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"A doença entra pela boca.
Nunca bebi
nem fumei e só como o que faz bem" |
Sempre que
um dos filhos aparece no rancho de Helio Gracie, em Itaipava, o
encontro invariavelmente desemboca no tatame. O grande mestre do
jiu-jítsu veste o quimono e vai à luta, apesar de
seus 93 anos e de ter de encarar gente temida no universo das artes
marciais: Rickson, Rorion, Rolker, Royler... Ele golpeia, treina
posições no solo e passa ensinamentos à prole,
como mostra a foto acima, em que se exercita com Royler, 41 anos.
Helio é duro na queda. No sítio onde mora com a mulher,
Vera, já percorreu cada pedaço da área de 300.000
metros quadrados, seja ao volante de seu carro, seja a pé.
Colhe verduras na horta e depois, à beira do açude,
é capaz de arremessar ração aos peixes dezenas
de vezes. Só se lembra de ter ficado de cama uma vez na vida.
"Foi quando caí do telhado, uns quinze anos atrás",
recorda. Atribui o escudo imunológico à dieta para
lá de saudável, à base de frutas, legumes e
verduras, com apenas uma "refeição de panela" ao dia.
"A doença entra pela boca. Nunca bebi nem fumei e só
como o que faz bem", relata. "O paladar, às vezes, trai o
sujeito." O corpo é o melhor outdoor de seu modo de vida.
Dos 18 anos até há bem pouco tempo, ele pesava 63
quilos ideal para seu 1,70 metro. "Agora estou com 60 quilos",
conta. O bem-estar de que desfruta é outro motivo para a
longevidade. "Aqui na serra não tenho vizinhos para me perturbar."
Helio mudou-se para o Rio ainda
na infância. A família veio do Pará, onde ele
nasceu e fez com o irmão Carlos seu noviciado no jiu-jítsu.
Como era frágil, ficava mais observando os golpes do mano.
Aos poucos, inventou movimentos e criou uma nova forma da luta,
hoje difundida pelo mundo. Para conquistar respeito das outras modalidades,
desafiava o pessoal da capoeira, do caratê e do kung fu. Mais
do que respeito, ganhou fama de bom de briga e transformou o sobrenome
da família numa grife. Sua academia, aberta em 1952 e há
22 anos instalada no Colégio Padre Antônio Vieira,
no Humaitá, já contabiliza mais de 8 000 alunos. De
vez em quando ele ainda vai lá. Não desce mais sozinho
ao Rio. "Pode acontecer de furar o pneu do carro", justifica. "Estou
ficando ajuizado.
Antonio Olinto,
escritor, 88 anos
Fernando Lemos
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"Viver é como andar de bicicleta:
se você pára, cai" |
A velha máquina de escrever Remington do acadêmico
Antonio Olinto não tem descanso. Ele escreve poesias diariamente
e já tem prontas 200 páginas de um novo romance. Aos
88 anos e com 55 livros publicados, mantém-se em plena atividade.
Às terças e quintas vai à Academia Brasileira
de Letras, da qual é membro desde 1997. Três vezes
por semana, bate ponto na Secretaria Municipal das Culturas, onde
dirige 39 bibliotecas. Assina uma coluna semanal na Tribuna da
Imprensa e faz uma publicação mensal, o Jornal
das Letras, com o também imortal Arnaldo Niskier. Afirma
que lê três livros por semana. "Minha energia vem da
preocupação permanente em estudar e escrever", avalia.
"Viver é como andar de bicicleta: se você pára,
cai", diz esse mineiro nascido em Ubá, que chegou ao Rio
com 18 anos. Miúdo 1,62 metro de altura , fala
rápida e memória de elefante, Antonio Olinto não
pára. Há duas semanas, lançou a reedição
da trilogia Alma da África, dos anos 70. Em outubro,
inaugura uma exposição com a sua coleção
de peças africanas. Além de 16.000 livros, seu apartamento,
em Copacabana, abriga 200 máscaras e esculturas que amealhou
quando foi adido cultural na Nigéria. Para superar a morte,
no ano passado, da segunda mulher, Zora Seljan, sua companheira
por 52 anos, escreveu 800 versos dedicados a ela. Olinto não
dispensa um torresminho e lê três páginas de
dicionário por dia. "Quanto mais palavras a pessoa sabe,
melhor pensa, escreve, ama."
Lily
Marinho, socialite,
86 anos
Fernando Lemos
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"O segredo da longevidade é valorizar
as coisas boas e dar importância na
medida certa às desagradáveis" |
A história de amor com o empresário
Roberto Marinho rende um belo romance. Mas não põe
um ponto final na trajetória da socialite Lily Marinho, 86
anos e viúva há quatro. "A receita para conviver com
a dor", diz ela, "é estar ativa." Bem-humorada, impecável
recebe a visita de um cabeleireiro dia sim, dia não
e de traquejo social ímpar, Lily voltou a dar recepções
no casarão que era do falecido marido, no Cosme Velho, onde
vive cercada por dezenove empregados, 37 flamingos e incontáveis
obras de arte. "A educação severa de meu pai, um militar
inglês, me ajudou a enfrentar os golpes da vida", diz ela,
nascida na Alemanha e criada na França (seu nome de solteira
era Lily Monique Lamb). Lily perdeu o único filho, Horácio,
num acidente, em 1966. Depois adotou João Baptista, que lhe
deu quatro netos. "O segredo da longevidade é valorizar as
coisas boas e dar importância na medida certa às desagradáveis."
Um ano após a morte de Roberto Marinho, lançou a autobiografia
Roberto & Lily e foi a 24 estados para divulgá-la.
A socialite, já viúva do empresário Horácio
de Carvalho, subiu ao altar pela segunda vez aos 70 anos. "Quis
mostrar que a vida surpreende em qualquer idade." Em outubro, vai
a Paris como embaixadora da Boa Vontade da Unesco. Faz exercícios
diários, lê sete jornais, adora biografias, dorme de
doze a catorze horas por dia e come de tudo. "As pessoas imaginam
que só gosto de caviar", comenta. "Adoro dobradinha, feijoada
e acarajé."
José
Fonseca Passos,
desembargador, 88 anos
Selmy Yassuda
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"Enquanto puder, não
abandonarei
o campo de batalha" |
Depois de mais de quarenta anos no Judiciário,
o desembargador José Joaquim da Fonseca Passos resolveu driblar
a aposentadoria que se aproximava. Em 1997, aos 78 anos, recebeu
de bom grado dois convites. O primeiro era para coordenar o curso
de aperfeiçoamento para juízes da Escola da Magistratura
do Rio. O outro, para dar forma ao Museu da Justiça, criado
nove anos antes, mas até então sem expressão,
e dirigi-lo. "Enquanto puder, não abandonarei o campo de
batalha", diz ele, que se deu bem nas duas funções.
Fonseca Passos lidera o grupo de dezoito desembargadores
a maioria deles já retirados que se dedica a lapidar
os novos magistrados fluminenses. Em sala, a turma debate sentenças
e recebe a orientação dos experientes juízes.
Na outra ponta de atuação, o Museu da Justiça
tornou-se a paixão do desembargador, que passa as tardes
de segunda e quarta cuidando da sua administração.
Orgulha-se, em especial, de duas peças do acervo da casa:
a máquina de escrever em que foi datilografado o Código
Penal de 1940 e os manuscritos do jurista Ruy Barbosa. "A memória
jurídica no Rio era zero", lembra. Uma hemorragia sofrida
no ano passado o afastou das funções por mais de seis
meses. Mas a demissão nem sequer passou pela sua cabeça.
"Eu me sinto gratificado", afirma. "Ajudamos aqueles que entram
agora no magistério e, no outro extremo, exaltamos quem já
passou aqui."
Bernardina
Pinheiro, professora,
85 anos
Renato Velasco

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"Sou socrática em relação
à vida.
Sei que nada sei. Falta muita
coisa ainda para eu aprender" |
Professora emérita de letras
da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Bernardina Pinheiro não
gosta de comemorar aniversário. Antes que alguém suspeite
se tratar de banzo por seus 85 anos, ela se justifica. "Nasci dia
31 de janeiro. Nunca fui de festejar porque minhas amigas estavam
sempre de férias", explica a viúva, que foi casada
com o jornalista Caio Pinheiro e teve cinco filhos. A ebulição
cultural que marcou o ano de seu nascimento, 1922, acompanhou-a
ao longo da vida. Livros se esparramam pelos três quartos
de seu apartamento, em Ipanema. Ela é um caso raro, pois
atribui sua longevidade bem desfrutada justamente a um vício.
"Não posso ir a uma livraria. É um perigo", confessa.
"Literatura é fonte de vida." Depois da aposentadoria, em
1995, Bernardina pôde dedicar-se à missão
ou melhor, desafio de traduzir o volumoso e complexo Ulisses,
do irlandês James Joyce. Foram sete anos de trabalho no livro,
debruçada sobre o computador, entre cursos particulares que
ela ministrava sobre o autor. A professora já pensa em novas
tarefas. Agora, quer traduzir Viagens de Gulliver, do também
irlandês Jonathan Swift. "Sou socrática em relação
à vida: sei que nada sei", diz. "Falta muita coisa ainda
para eu aprender."
Sylvio
Vianna Freire, professor,
104 anos
Selmy Yassuda

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"Não posso deixar o corpo
e o cérebro parados" |
Três vezes por semana, Sylvio
Vianna Freire, 104 anos, ruma com seu motorista para a sede da Sociedade
Propagadora de Belas Artes, órgão responsável
pela administração do Liceu de Artes e Ofícios
e da Faculdade Béthencourt da Silva. Lá, reúne-se
com funcionários, sugere novos cursos e dita cartas reivindicatórias.
"Gosto de ficar a par de tudo", diz ele, presidente da entidade
há 62 anos. Formado em direito e contabilidade, Sylvio encantou-se
pelo ensino. Não dá mais aulas de história
da civilização ou economia política como outrora,
mas mantém pulso firme à frente das instituições,
que reúnem mais de 1 000 alunos. Na tarefa da dupla gestão,
o professor conta com a ajuda em tempo integral das duas filhas:
uma é vice-presidente do Liceu e a outra dirige a faculdade.
Sylvio tem mais três filhos, dez netos e onze bisnetos. O
diploma de advogado foi usado pouco tempo atrás. Aos 98 anos,
esteve na 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça
do Rio como representante da SPBA e ganhou a causa. Ele caminha
meia hora diariamente, de preferência nos jardins do Palácio
do Catete. Antes de voltar para casa, costuma passar pelo Clube
da Boa Leitura, no Flamengo, onde pega livros gravados em fita cassete,
uma vez que a vista cansada dificulta a leitura. "Não posso
deixar o corpo e o cérebro parados."
João
Havelange, presidente
de honra da Fifa, 91 anos
Fernando Lemos

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| "Quero estar na Copa de 2010. Será
a primeira competição esportiva em escala mundial
disputada na África" |
Todos os dias, João Havelange
cumpre um ritual de oito décadas, iniciado bem antes de sua
participação como atleta nas Olimpíadas de
Berlim, em 1936. Às 6h30, ele mergulha na piscina do Country
Clube, em Ipanema, e alterna braçadas na água durante
uma hora, perfazendo a distância de 1 500 metros. O hábito
explica sua forma altiva e também a disposição
que tem para fazer planos. Sua próxima meta é assistir
ao jogo de abertura da Copa do Mundo de 2010, na África do
Sul. "É a primeira competição esportiva em
escala mundial disputada na África", explica. "Quero estar
lá. Será minha última missão na Fifa."
Aos 91 anos, Havelange é o presidente de honra da Federação
Internacional de Futebol, à frente da qual reinou por um
quarto de século, e um ativo conselheiro de seu sucessor,
o suíço Joseph Blatter.
A natação é uma
das poucas rotinas adquiridas por alguém que calcula ter
acumulado 27 000 horas de vôo pelos quatro cantos do mundo
um total de mais de três anos dentro de avião
, fruto das visitas constantes aos 186 países-membros
da Fifa. Atualmente, ele mora com a mulher, Ana Maria, num apart
com vista para o mar de Ipanema, onde costuma receber a visita da
filha, três netos e três bisnetos. "Hoje, não
posso mais manter o ritmo", lamenta. Será? No dia 14, embarca
para mais um giro pela Europa e, em 2008, pretende ir a Pequim para
ver as Olimpíadas. "Parar é morrer", diz.
Leônidas
Côrtes, médico,
100 anos
Fernando Lemos

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| "O médico é um profissional
diferente dos outros. A medicina deve ser sacerdotal" |
O passo miúdo, pé ante
pé, percorre os corredores da Casa de Saúde São
José, no Humaitá. Desde 1927, o médico Leônidas
Côrtes vai ao hospital toda manhã, inclusive nos fins
de semana. Antes de chegar a sua sala, ele checa o livro dos plantonistas.
De vez em quando, dá uma passada no centro cirúrgico.
Aos 100 anos, o diretor clínico da casa é testemunha
dos grandes acontecimentos e metamorfoses do século XX. "O
progresso da medicina é formidável", conta, com seu
filete de voz. Ressalta ter visto as duas guerras mundiais e a Revolução
de 30. Na hora de citar um presidente da República, abre
o escaninho da memória e destaca dois deles: Washington Luís
e Getúlio Vargas, dos longínquos anos 20 e 30. Cirurgião
especializado em endocrinologia, ele operou até os 80 anos.
"Abusei do direito de trabalhar", reconhece o doutor, cuja vocação
para o ofício vem de tempos remotos. "O médico é
um profissional diferente dos outros. A medicina deve ser sacerdotal."
Viúvo e sem filhos, ele mora em Copacabana com duas empregadas.
Sua dieta consiste só em se privar de excessos. "Como explicar
minha longevidade? Não sei por que Deus me conservou até
os 100 anos."
Maria
Celina Flexa Ribeiro, decoradora,
91 anos
Fernando Lemos

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| "A idade no papel não existe, é
mera referência. Importa o que a pessoa sente, e eu me
sinto bem" |
É difícil conseguir uma
brecha na agenda da decoradora Maria Celina Flexa Ribeiro. Com 91
anos, ela dispensa bengala e óculos e não pára
quieta. "Estou sempre ocupada", gaba-se. Diariamente, reúne-se
com o contador que cuida de seus imóveis. Faz exercícios
três dias por semana. Almoça fora de segunda a sexta
com amigas. Recebe em casa para jantares semanais, pelo menos duas
vezes. E é assídua do Teatro Municipal. Fechou o escritório
de decoração há vinte anos, mas está
sempre pronta para dar dicas aos amigos. Ela decorou o Hotel Nacional
de Brasília e a casa do ex-presidente Juscelino Kubitschek
no Rio. "A idade no papel não existe, é mera referência",
ressalta. "O que importa é o que a pessoa sente, e eu me
sinto bem." Filha de um empresário, ela foi criada entre
Rio e Paris. Casou-se aos 17 anos, quando ainda se chamava Maria
Celina Simon, num enlace que durou doze anos. "Eu me separei e fui
trabalhar, numa época em que essas coisas eram raras entre
mulheres da sociedade", lembra. Depois se casou com o industrial
Eugênio Lage. Viúva, trocou alianças pela terceira
vez, aos 70 anos, com o empresário Carlos Flexa Ribeiro.
Tem três filhos, onze netos, doze bisnetos e disposição
de quem quer continuar curtindo a vida por muito tempo.
Oscar
Niemeyer, arquiteto,
99 anos
Fernando Lemos
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"Detesto essa conversa de centenário,
que recuso e contesto. Costumo dizer
que tenho 60 anos, que ainda faço
tudo o que fazia na época" |
As luzes acesas na cobertura do Edifício
Ypiranga, de frente para o mar de Copacabana, dão pista de
que Oscar Niemeyer está debruçado sobre a prancheta
até tarde. Perto de completar 100 anos, em 15 de dezembro,
o mais consagrado arquiteto brasileiro vai diariamente ao escritório
e se nega a dar importância à idade. "Detesto essa
conversa de centenário, que recuso e contesto", afirma. "Costumo
dizer que tenho 60 anos, que ainda faço tudo o que fazia
na época." Embora caminhe com dificuldade devido a uma cirurgia
no quadril, a disposição para criar é a de
sempre. O arquiteto de Brasília, que deu leveza ao concreto
armado, concluiu na semana passada mais um monumental projeto para
a capital da República. É uma praça destinada
a espetáculos populares, com capacidade para 40 000 pessoas
e uma cobertura de concreto com 120 metros de vão. "A arquitetura
é coisa muito pessoal, daí elaborar sozinho a parte
criativa", explica. O desenvolvimento, ele delega a outros escritórios.
Niemeyer ainda projeta um novo centro administrativo para o governo
de Minas, um museu no Chile, um centro aquático na Alemanha,
um teatro na Itália e um museu na Espanha. Recusa-se a tirar
férias. Quando não está projetando, bate longos
papos sobre política com amigos ou tem aulas de cosmologia
e filosofia montou um grupo de estudo no escritório
há cinco anos. "Detesto a figura do especialista, preocupado
apenas com os assuntos de sua profissão e sem condições
de enfrentar este mundo injusto", diz. Niemeyer mora em Ipanema
e gosta de ler principalmente histórias policiais e coletâneas
de cartas. Foi casado por 76 anos com Annita, que morreu em 2004.
No ano passado, casou-se com Vera Lúcia Cabreira, 61 anos,
sua secretária há trinta. Sempre que lhe perguntam
sobre o futuro, recorre a uma mesma frase: "A vida é uma
mulher do lado, e seja o que Deus quiser".
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