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4 de outubro de 2006

CARTA AO LEITOR

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VEJA RIO 15 ANOS
CRÔNICA
  

BARES

 

Veja também
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Zona Norte e arredores
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O melhor chope
O melhor boteco
A melhor saideira

Jobi

 

André Nazareth/Strana

Comandado pelos irmãos Narciso e Manoel Rocha, o Jobi passou por no mínimo cinco reformas desde que abriu, há cinqüenta anos. Em todas as ocasiões, antes de dar início ao bate-estaca, a recomendação da chefia foi a mesma: mexer na estrutura e preservar a atmosfera. Os jurados selecionados por Veja Rio comprovam que tantas obras não descaracterizaram nem tiraram o carisma de uns dos botequins mais queridos da cidade. Neste ano, o Jobi venceu sozinho duas importantes categorias – boteco e saideira. E empatou no quesito chope com o novato Botequim Informal. Uma parcela do tal "carisma" da casa é fruto do bom atendimento e da boa cozinha. O cardápio reserva delícias para qualquer grau de fome. Do bolinho de aipim com carne-seca e catupiry (R$ 2,40 cada) à farta porção de carne-de-sol com aipim (R$ 26,00). Tudo acompanhado, obviamente, pelo chope bem tirado, que no caso é Brahma e custa R$ 3,00 (300 ml). Mas o melhor é que a casa não fecha antes das 4 da manhã, se tiver gente nas mesas. "Nós não jogamos água no pé de ninguém e servimos mais de uma saideira", diz Manoel. A atriz Dira Paes, eleitora convicta, confirma: "Pode ir que vai estar aberto". Com certeza.

Avenida Ataulfo de Paiva, 1166, lj. B, Leblon, 2274-0547 (60 lugares). 9h/4h (dom. a qua.) e 9h/5h (sex. e sáb.). Cc.: A. T.: T.

 

O melhor chope

Botequim Informal

 

André Valentim/Strana

O empate entre o Jobi e o Botequim Informal na categoria chope é mais do que um embate entre dois estabelecimentos. Ele coloca frente a frente duas tendências diferentes de tirar a bebida. No Jobi, o chope Brahma (R$ 3,00, 300 ml) que chega à mesa segue normas técnicas clássicas. "Lavamos bem o copo para retirar qualquer resíduo, verificamos se há bastante gelo na serpentina e depois voltamos a atenção para a dosagem da espuma", ensina Manoel Rocha, um dos donos da casa. O processo no Informal, rede de bares inaugurada em 2000, é diferente. O chope, também da grife Brahma (R$ 3,50, 330 ml; R$ 3,00, 300 ml e R$ 2,60, 200 ml), é tirado de duas torneiras. De uma sai apenas líquido e, da outra, extrai-se o creme. "Esse modelo, já adotado por botequins em São Paulo, foi trazido para o Rio por nós e rapidamente aceito. São 60 000 litros consumidos por mês", comemora Mariano Ferreira, um dos sócios da rede. A disputa é acirrada.

Rua Humberto de Campos, 646, Leblon, 2259-6967 (100 lugares). 12h/1h (seg. a dom.). Cc.: todos. T.: todos (só no almoço, de seg. a sex.). Cr.: todos (só no almoço, de seg. a sex.). Filiais na Rua Conde de Bernadote, 26 ( 2540-5504), na Barra ( 2492-2995), em Ipanema ( 2247-6712), no Jardim Botânico ( 3874-0016), no Botafogo Praia Shopping ( 3171-6442) e em Niterói ( 2610-3031). www. botequiminformal.com.br.

 

 

A melhor happy hour

Bracarense

 

André Nazareth/Strana

O músico Henrique Cazes faz parte de uma seleta confraria de boêmios que adora bater ponto no Bracarense nos fins de tarde de segunda-feira. Seus companheiros de copo nessas ocasiões são o compositor Orlandivo, o cartunista Jaguar e o ator Otávio Augusto. "O serviço fica muito melhor nesse horário porque o botequim está menos cheio. Conversamos muito mais à vontade, falamos alto sem incomodar ninguém. E ainda sobra mais tempo para a gente encarnar nos garçons, é claro", diz Cazes. Por essas e outras é que o movimento no Braca durante a happy hour vai crescendo ao longo da semana. "De segunda a sexta chega o pessoal que quer se descontrair depois do trabalho. No fim de semana, a calçada fica ocupada por quem está voltando da praia", diz Carlos Eduardo Tomé, sócio-gerente do boteco que já rendeu notícia até no New York Times. Os deliciosos quitutes são feitos pelas mãos da mineira Alaíde Carneiro de Lima, há mais de vinte anos na casa. Um dos mais populares é o bolinho de aipim com camarão e catupiry (R$ 1,80 cada um). Para acompanhar, chope Brahma por R$ 2,20 (220 ml), R$ 2,80 (300 ml) e R$ 3,70 (400 ml) ou caipirinha (R$ 7,00).

Rua José Linhares, 85-B, 2294-3549 (50 lugares). 7h/0h (seg. a sáb.) e 9h/22h (dom.). T.: todos (só no almoço, de seg. a sex.).

 

 

A melhor música ao vivo

Rio Scenarium

 

André Nazareth/Strana

Quando o assunto é música, o Rio Scenarium não desafina. O imenso casarão do século XIX – misto de bar, antiquário e casa noturna – abriga dois palcos conhecidos pela alta rotatividade. Pelo menos 150 músicos se apresentam por lá nos oitenta shows agendados por mês. Muita gente boa já animou as noites no antigo sobrado, decorado com peças de antiquário: do veterano Paulo Moura, passando pela cantora Luciane Menezes e pelo violinista francês Nicolas Krassik. A platéia eclética mistura o ator Thiago Lacerda, a senadora Heloísa Helena e gente comum com ótimo faro musical e disposição para enfrentar longas filas nos dias mais concorridos. A programação da casa está há dois anos nas mãos do músico e pesquisador Henrique Cazes. "A cultura brasileira sempre norteou todos os nossos passos", diz um dos sócios da casa, Plínio Fróes. O tão sonhado terceiro palco, dedicado à música erudita, deve sair do papel em breve: "Avançaremos para o sobrado vizinho, uma bela construção de 1909. A programação será no segundo andar, onde estará exposto o acervo da soprano Nadir de Melo Couto", conta Plínio.

Rua do Lavradio, 20, Centro Antigo, 3147-9005 (800 lugares). 18h30/2h30 (ter. a qui.) e 19h/4h (sex. e sáb.). R$ 15,00 (ter. a qui.) e R$ 25,00 (sex., sáb. e véspera de feriado). www.rioscenarium.com.br. Cc.: todos.

 

O melhor da orla

Bar e Restaurante da Urca

 

Armando Gomes Filho não exagera quando diz que seu estabelecimento possui o maior balcão do mundo. Isso porque o atendimento neste simpático botequim de frente para o mar vai muito além de seu limitado espaço interno. Ele avança para o outro lado da calçada, onde fica a imensa mureta junto à Baía de Guanabara. É lá que sua fiel clientela prefere passar o tempo – cercada por amigos e garrafas de cervejas Brahma (R$ 3,00), Antarctica (R$ 3,00), Skol (R$ 3,50), Bohemia (R$ 4,00) e Antarctica Original (R$ 4,00). "Tem gente que traz cadeira de casa só para ficar mais perto desse magnífico cenário", diz ele. Quatro garçons são responsáveis pelo atendimento externo, para evitar o vai-e-vem de pessoas atravessando a rua. Os proprietários também se preocupam com a higiene do lugar. "Limpamos a calçada religiosamente, no fim do movimento", diz Armando. Na entrada do boteco estão afixados os dez mandamentos para manter a ordem no recinto. "Não gostamos quando chega alguém de carro com o som alto", avisa. Da cozinha, especializada em frutos do mar, saem bolinhos de bacalhau (R$ 1,50 cada um) e sardinhas fritas (R$ 1,00 cada uma).

Rua Cândido Gaffrée, 205, Urca, 2295-8744 (60 lugares). 6h/22h (ter. a qui.), 6h/23h (sex. e sáb.) e 6h/19h (dom.). Cc.: todos. T.: T. Cr.: V.

 

O melhor para dançar

00

 

André Nazareth/Strana

Mick Jagger pintou por lá um dia após o megashow dos Rolling Stones na Praia de Copacabana, em fevereiro. O galã espanhol Javier Bardem já se deixou levar pelo house do DJ Markinhos Meskita, residente da festa Kza. Os roqueiros da banda The Strokes, atração do TIM Festival no ano passado, não foram para a cama sem antes dar uma espiada na pista de dança. A concorrida programação noturna do bar, restaurante e casa noturna 00 entrou na rota da badalação das grandes estrelas internacionais que vêm ao Rio. Mas é velha conhecida dos moradores da cidade. "Já tive noites incríveis lá", conta o DJ e produtor Ricardo Imperatore, um dos seis jurados que garantiram a vitória da casa – mais uma vez – na categoria para dançar. A pista de dança ganhou espaço com a reforma concluída em dezembro de 2005, graças à retirada da mesa comunitária, que atrapalhava o movimento. Na parte externa foram construídos um bar e dois banheiros. O DJ, que ficava no nível da pista, toca hoje sobre um pequeno palco. "O som também ganhou potência e agora preenche todo o salão", conta Cello Macedo, um dos sócios. A garrafinha long neck da Devassa sai por R$ 5,90 (loura) e R$ 6,20 (ruiva).

Avenida Padre Leonel Franca, 240, Gávea, 2540-8042 (500 lugares). Programação fixa de festas: 22h/4h (qui. e sex.), 20h30/4h (sáb.) e 21h/4h (dom.). R$ 25,00 (qui. a sáb.) e R$ 20,00 (dom.). www.00site.com.br. Cc.: V. Aberto de terça a domingo para jantar das 20h30 à 1h.

 

 

O melhor para ir a dois

Miam Miam

 

André Nazareth/Strana

Miam Miam é uma onomatopéia que, em francês, corresponde ao nosso "nham-nham". O clique veio quando o trio de sócios do restaurante e bar – uma chef, uma jornalista e um engenheiro – ouvia a clássica Mambo Miam Miam, de Serge Gainsbourg, compositor francês conhecido pelo repertório sensual. O visual hospitaleiro da casa, decorada com móveis de antiquário, e o toque caseiro do cardápio, que segue a linha da comfort food americana, criam a atmosfera romântica ideal para os casais. Muitos deles se acomodam no charmoso lounge com capacidade para 25 pessoas, instalado na entrada do restaurante. A sensação de aconchego se completa com a discreta iluminação e a suave trilha sonora gravada por DJs cariocas. O cardápio de drinques reserva surpresas como as caipifrutas com vodca Absolut (R$ 13,10). Uma delas, preparada com Absolut Vanilla, xarope de tomilho e manga. Entre os tira-gostos, creme de cogumelos frescos com lasquinhas de pastel (R$ 16,70) e o vatapazinho com beiju de tapioca (R$ 17,20). Como o espaço do bar é limitado, o ideal é chegar até as 21 horas, para evitar filas.

Rua General Góes Monteiro, 34, Botafogo, 2244-0125 (55 lugares). 12h/15h e 19h30/0h30 (ter. a sex.). 20h/1h30 (sáb.). www. miammiam.com.br. Cc.: todos. T.: todos (só no almoço). Cr.: V (só no almoço).

 

O melhor para paquerar

Clube dos Democráticos

 
André Nazareth/Strana

Fundado em 1867, o Clube dos Democráticos agregava em seus primórdios foliões abolicionistas que conspiravam contra a monarquia. Transferida no início dos anos 30 para a sua sede atual, na Rua do Riachuelo, a sociedade carnavalesca continua atraindo fãs do repertório popular – com mais pique para azarar do que para debater temas políticos. "Tem gente que fica com um olho no palco e o outro na menina do lado", conta o produtor Nano Ribeiro. Mesmo não sendo propriamente um bar, o Clube dos Democráticos transformou-se em referência para quem quer empanzinar-se de cerveja (no caso, garrafas de Skol, por R$ 3,50) e boa música. As noites mais concorridas são as de sábado, comandadas pela Orquestra Republicana, e de quinta, animadas pelo grupo vocal Anjos da Lua e convidados. O samba também chama público às sextas, com o projeto Semente da Música Brasileira. As noites de quarta são dedicadas ao forró. Aos domingos, finalmente, acontece o tradicional baile dos sócios.

Rua do Riachuelo, 91/93, Centro, 2252-4611 (600 lugares). 22h/4h (qua.), 23h/4h (qui.), 23h30/4h (sex. e sáb.) e 20h/0h (dom.). Quarta: R$ 15,00, R$ 12,00 (com filipeta até meia-noite) e R$ 6,00 (mulheres com filipeta até 23h). Quinta e sábado: R$ 15,00 (homem), R$ 10,00 (mulher) e R$ 12,00 (estudante). Sexta: R$ 24,00, R$ 15,00 (300 primeiros) e R$ 12,00 (estudantes). Domingo: R$ 8,00. www.clubedosdemocraticos.com.br.

     
   

 

 
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