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4 de agosto de 2004
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Agora é mais que concreto

O Rio finalmente ganha Centro Coreográfico

Débora Ghivelder

 
Fotos André Nazareth/Strana

O Loft (acima) e o Espaço Cênico: sob direção de Regina Miranda (abaixo)

Aidéia de criar um centro coreográfico nos moldes dos europeus ou americanos existe na cidade há cerca de uns 25 anos. Quem lembra é a coreógrafa Regina Miranda, presença certa nas animadas reuniões em que Angel Vianna, Renato Vieira e outros nomes da área discutiam o assunto em um clube de Botafogo lá na virada para os anos 80. "A gente achava que o negócio ia acontecer na semana seguinte", diz ela, rindo da própria ingenuidade. Uns quinze anos depois, em 1995, a idéia ganhou corpo e lugar. O centro seria erguido em um prédio onde funcionava a antiga fábrica da Brahma, na Tijuca. Foi durante a primeira gestão do prefeito César Maia. De lá para cá, passaram-se quase dez anos. O prefeito saiu e voltou, e o negócio se arrastou por entre 1.000 questões: desde conversas com o Grupo Pão de Açúcar, proprietário do prédio, agora cedido à prefeitura por dez anos, até autorizações do Patrimônio Histórico, já que a construção é tombada. Pendências resolvidas, o Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, com 4.000 metros quadrados de área, abre as portas oficialmente na quarta (4). A direção artística do lugar, que consumiu 11 milhões de reais da prefeitura do Rio em obras de reforma, coube a Regina Miranda. E já estão agendados para o fim de semana espetáculos da companhia de Silvio Duffrayer, Carlinhos de Jesus, Giselda Fernandes (veja na coluna Dança desta semana). Uma mesa-redonda acontece na manhã de domingo com a participação, entre outros, de André Lepecki, professor do Departamento de Performance Studies da New York University.

O centro vai abrigar todas as tribos e tendências da dança. "Sou adepta das diferenças", diz Regina, que já pensou na vocação de cada uma das imensas salas do edifício. "Temos o que chamo de Espaço Cênico, a sala maior, com mesa de som e luz, arquibancadas móveis e capacidade para 224 pessoas, onde acontecerão os espetáculos. Depois o Loft, uma linda sala envidraçada, que não tem o mesmo aparato teatral e permite espetáculos mais informais. A galeria vai abrigar performances, é um lugar de experimentações multidisciplinares", enumera. O centro conta ainda com uma sala de conferências, dois grandes estúdios, um centro de documentação e três apartamentos para hospedar professores e coreógrafos. "Já tem gente de outros Estados querendo ficar aqui", diz ela. A idéia é que o local seja mesmo um pólo da dança. Por entre as salas envidraçadas da antiga fábrica, mantêm-se projetos como o Ateliê Coreográfico, que oferece aperfeiçoamento gratuito aos profissionais de dança; palestras, workshops, espetáculos, um imenso acervo para pesquisa e, por último, mas nem por isso menos importante, um café no bem iluminado hall da construção. Afinal, ninguém é de ferro.

 

Espaço para a dança

São cinco andares e 4 000 metros quadrados de área

Dois locais para apresentação: um com capacidade para 224 pessoas e outro para 120
Dois estúdios de dança com 150 metros quadrados
Três apartamentos para artistas convidados, com capacidade para quatro hóspedes cada um

 

     
  
   

 

 
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