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CIDADE
Agora é mais que concreto O Rio finalmente ganha Centro
Coreográfico Débora Ghivelder
Fotos André Nazareth/Strana  |
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Loft (acima) e o Espaço
Cênico: sob direção
de Regina Miranda (abaixo)
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Aidéia
de criar um centro coreográfico nos moldes dos europeus ou americanos existe
na cidade há cerca de uns 25 anos. Quem lembra é a coreógrafa
Regina Miranda, presença certa nas animadas reuniões em que Angel
Vianna, Renato Vieira e outros nomes da área discutiam o assunto em um
clube de Botafogo lá na virada para os anos 80. "A gente achava que o negócio
ia acontecer na semana seguinte", diz ela, rindo da própria ingenuidade.
Uns quinze anos depois, em 1995, a idéia ganhou corpo e lugar. O centro
seria erguido em um prédio onde funcionava a antiga fábrica da Brahma,
na Tijuca. Foi durante a primeira gestão do prefeito César Maia.
De lá para cá, passaram-se quase dez anos. O prefeito saiu e voltou,
e o negócio se arrastou por entre 1.000
questões: desde conversas com o Grupo Pão de Açúcar,
proprietário do prédio, agora cedido à prefeitura por dez
anos, até autorizações do Patrimônio Histórico,
já que a construção é tombada. Pendências resolvidas,
o Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, com 4.000
metros quadrados de área, abre as portas oficialmente na quarta (4). A
direção artística do lugar, que consumiu 11 milhões
de reais da prefeitura do Rio em obras de reforma, coube a Regina Miranda. E já
estão agendados para o fim de semana espetáculos da companhia de
Silvio Duffrayer, Carlinhos de Jesus, Giselda Fernandes (veja na coluna Dança
desta semana). Uma mesa-redonda acontece na manhã de domingo com a
participação, entre outros, de André Lepecki, professor do
Departamento de Performance Studies da New York University.
O centro vai abrigar
todas as tribos e tendências da dança. "Sou adepta das diferenças",
diz Regina, que já pensou na vocação de cada uma das imensas
salas do edifício. "Temos o que chamo de Espaço Cênico, a
sala maior, com mesa de som e luz, arquibancadas móveis e capacidade para
224 pessoas, onde acontecerão os espetáculos. Depois o Loft, uma
linda sala envidraçada, que não tem o mesmo aparato teatral e permite
espetáculos mais informais. A galeria vai abrigar performances, é
um lugar de experimentações multidisciplinares", enumera. O centro
conta ainda com uma sala de conferências, dois grandes estúdios,
um centro de documentação e três apartamentos para hospedar
professores e coreógrafos. "Já tem gente de outros Estados querendo
ficar aqui", diz ela. A idéia é que o local seja mesmo um pólo
da dança. Por entre as salas envidraçadas da antiga fábrica,
mantêm-se projetos como o Ateliê Coreográfico, que oferece
aperfeiçoamento gratuito aos profissionais de dança; palestras,
workshops, espetáculos, um imenso acervo para pesquisa e, por último,
mas nem por isso menos importante, um café no bem iluminado hall da construção.
Afinal, ninguém é de ferro.
| Espaço
para a dança
São
cinco andares e 4 000 metros quadrados de área
Dois locais
para apresentação: um com capacidade para 224 pessoas e outro para
120
Dois estúdios
de dança com 150 metros quadrados
Três
apartamentos para artistas convidados, com capacidade para quatro hóspedes
cada um | |