Publicidade
 


 
 


4 de agosto de 2004
REPORTAGEM DE CAPA
DECORAÇÃO
CIDADE
ARTE
PERFIL
AS BOAS COMPRAS
BEIRA-MAR
CRÔNICA
  

ARTE

Tesouros do Brasil

O melhor da arte contemporânea em exposição

Isabel Butcher

 
Fotos Divulgação

Zilio: Encontrodesencontro no Paço Caixa Brasil: Lygia Pape e a mistura de raças

Veja também
Galeria de imagens

Havia muito não se tinha a chance de ver tantas boas obras de arte brasileira contemporânea expostas ao mesmo tempo. A partir desta semana, três mostras exibirão a arte produzida no país nos últimos cinqüenta anos, com cerca de 250 obras de 101 artistas. Duas das exposições têm abertura prevista para quarta (4), no Paço Imperial. Para uma delas, Tudo É Brasil, o curador Lauro Cavalcanti selecionou oitenta obras de 36 artistas de todos os cantos do Brasil. A outra, Trabalhos sobre Papel, é uma individual com setenta trabalhos do artista carioca Carlos Zilio. Já o Museu de Arte Moderna abriu na semana passada a mostra Arte Contemporânea Brasileira nas Coleções do Rio, um passeio por 104 obras de 64 artistas, selecionados por Fernando Cocchiarale, que vasculhou peças de dez acervos particulares da cidade e encontrou algumas preciosidades. O MAM reserva ainda uma surpresa para seus visitantes. Também a partir de quarta (4), uma das réplicas de O Pensador, de Auguste Rodin, uma das esculturas mais famosas do mundo, aporta no foyer do museu (veja quadro).

"Nós, brasileiros, temos uma grande capacidade de combinar coisas antagônicas para criar uma linguagem original", diz Lauro Cavalcanti. Essa combinação está em Tudo É Brasil. A espinha dorsal da mostra é a sala do núcleo histórico, onde há, entre outras peças, Homenagem a Volpi, pintura de Geraldo de Barros na qual três bandeirinhas estão arrumadas em ordem decrescente de tamanho, como se uma engolisse a outra. "É uma visão bem-humorada sobre os elementos do construtivismo", diz Lauro. Na mesma sala, o curador presta homenagem a Lygia Pape com quatro obras, entre elas Caixa Brasil, uma maleta com três tipos de cabelo, representando as três raças, e o vídeo experimental Eat Me, exibido apenas em 1968. Outro destaque é Popcreto para um Popcrítico, de 1964, de Waldemar Cordeiro. Alguns trabalhos foram especialmente elaborados ou reconstruídos para a mostra. Pela primeira vez, o público confere o conjunto de oito poemas espaciais criados por Ferreira Gullar. Até então, somente quatro deles haviam sido vistos, em 1959. Há ainda uma sala para o tropicalismo, o primeiro movimento artístico a legitimar a riqueza da antropofagia brasileira.

 
Obras de Cordeiro (à esq.) no Paço, Gerchman (acima) e Milhazes no MAM: trabalhos raros e pouco expostos

A mostra Arte Contemporânea Brasileira nas Coleções do Rio, no MAM, pinçou nos acervos particulares de alguns colecionadores cariocas o que havia de melhor. O curador Fernando Cocchiarale montou um panorama dos anos 60 até hoje, com obras de artistas como Rubens Gerchman, Beatriz Milhazes, Adriana Varejão, Antonio Dias e Cabelo. Entre os colecionadores que cederam obras para a exposição estão Francis Reynolds, Vanda Klabin, João Sattamini, Gilberto Chateaubriand. "É uma chance de ver obras que não costumam ser expostas. Por exemplo, a de Waltércio Caldas, cedida por mim, estava escondida no meu apartamento", conta Vanda Klabin. O público confere preciosidades que pouco circulam em mostras, como Green Sauna, de Adriana Varejão, uma das cinco telas da série Sauna Azul e a única que ficou no Brasil, ou A Bela Lindonéia – A Gioconda do Subúrbio, de Rubens Gerchman, de 1966, um marco na carreira do artista, e O Marinheiro, de Beatriz Milhazes. Um prato cheio para quem gosta de arte.

 

O Pensador no Rio

 
Rodin: a principal obra do artista no MAM

Quando o Museu Nacional de Belas Artes abrigou a mostra sobre o escultor Auguste Rodin (1840-1917), recebeu uma das réplicas em pequena dimensão de sua peça mais famosa, a escultura O Pensador. Nove anos depois o carioca poderá ver uma das 25 reproduções em tamanho natural autorizadas pelo Museu Rodin. A peça, com 3 metros de altura e 800 quilos de bronze, será exibida no foyer do Museu de Arte Moderna até 19 de setembro e depois segue para São Paulo, Curitiba e Salvador. A réplica que vem ao Brasil fica exposta em frente à Galeria Sayegh, em Paris, especializada em arte da segunda metade do século XIX. O Pensador é considerada uma das esculturas mais belas e importantes de todos os tempos. Acusado de formalismo por seu rigor anatômico, Rodin criou a imagem de um homem em torno dos 40 anos, com a musculatura retesada e os dedos dos pés contraídos. Foi elaborada para fazer parte de um grande conjunto escultórico, a Porta do Inferno, obra inspirada em A Divina Comédia, de Dante.

 

     
  
   

 

 
VEJA on-line | Veja Rio | VEJA Noite Rio
copyright © Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados