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ARTE
Tesouros do Brasil O melhor da arte contemporânea em exposição
Isabel Butcher Fotos
Divulgação
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 | | Zilio:
Encontrodesencontro no Paço | Caixa
Brasil: Lygia Pape e a mistura de raças |
Havia
muito não se tinha a chance de ver tantas boas obras de arte brasileira
contemporânea expostas ao mesmo tempo. A partir desta semana, três
mostras exibirão a arte produzida no país nos últimos cinqüenta
anos, com cerca de 250 obras de 101 artistas. Duas das exposições
têm abertura prevista para quarta (4), no Paço Imperial. Para uma
delas, Tudo É Brasil, o curador Lauro Cavalcanti selecionou oitenta
obras de 36 artistas de todos os cantos do Brasil. A outra, Trabalhos sobre
Papel, é uma individual com setenta trabalhos do artista carioca Carlos
Zilio. Já o Museu de Arte Moderna abriu na semana passada a mostra Arte
Contemporânea Brasileira nas Coleções do Rio, um passeio
por 104 obras de 64 artistas, selecionados por Fernando Cocchiarale, que vasculhou
peças de dez acervos particulares da cidade e encontrou algumas preciosidades.
O MAM reserva ainda uma surpresa para seus visitantes. Também a partir
de quarta (4), uma das réplicas de O Pensador, de Auguste Rodin,
uma das esculturas mais famosas do mundo, aporta no foyer do museu (veja
quadro). "Nós,
brasileiros, temos uma grande capacidade de combinar coisas antagônicas
para criar uma linguagem original", diz Lauro Cavalcanti. Essa combinação
está em Tudo É Brasil. A espinha dorsal da mostra é
a sala do núcleo histórico, onde há, entre outras peças,
Homenagem a Volpi, pintura de Geraldo de Barros na qual três bandeirinhas
estão arrumadas em ordem decrescente de tamanho, como se uma engolisse
a outra. "É uma visão bem-humorada sobre os elementos do construtivismo",
diz Lauro. Na mesma sala, o curador presta homenagem a Lygia Pape com quatro obras,
entre elas Caixa Brasil, uma maleta com três tipos de cabelo, representando
as três raças, e o vídeo experimental Eat Me, exibido
apenas em 1968. Outro destaque é Popcreto para um Popcrítico,
de 1964, de Waldemar Cordeiro. Alguns trabalhos foram especialmente elaborados
ou reconstruídos para a mostra. Pela primeira vez, o público confere
o conjunto de oito poemas espaciais criados por Ferreira Gullar. Até então,
somente quatro deles haviam sido vistos, em 1959. Há ainda uma sala para
o tropicalismo, o primeiro movimento artístico a legitimar a riqueza da
antropofagia brasileira.  |  |  | | Obras
de Cordeiro (à esq.) no Paço, Gerchman
(acima) e Milhazes no MAM: trabalhos
raros e pouco expostos |
A
mostra Arte Contemporânea Brasileira nas Coleções do Rio,
no MAM, pinçou nos acervos particulares de alguns colecionadores cariocas
o que havia de melhor. O curador Fernando Cocchiarale montou um panorama dos anos
60 até hoje, com obras de artistas como Rubens Gerchman, Beatriz Milhazes,
Adriana Varejão, Antonio Dias e Cabelo. Entre os colecionadores que cederam
obras para a exposição estão Francis Reynolds, Vanda Klabin,
João Sattamini, Gilberto Chateaubriand. "É uma chance de ver obras
que não costumam ser expostas. Por exemplo, a de Waltércio Caldas,
cedida por mim, estava escondida no meu apartamento", conta Vanda Klabin. O público
confere preciosidades que pouco circulam em mostras, como Green Sauna,
de Adriana Varejão, uma das cinco telas da série Sauna Azul
e a única que ficou no Brasil, ou A Bela Lindonéia A Gioconda
do Subúrbio, de Rubens Gerchman, de 1966, um marco na carreira do artista,
e O Marinheiro, de Beatriz Milhazes. Um prato cheio para quem gosta de
arte.
| O
Pensador no Rio
 | | Rodin:
a principal obra do artista no
MAM |
Quando
o Museu Nacional de Belas Artes abrigou a mostra sobre o escultor Auguste Rodin
(1840-1917), recebeu uma das réplicas em pequena dimensão de sua
peça mais famosa, a escultura O Pensador. Nove anos depois o carioca
poderá ver uma das 25 reproduções em tamanho natural autorizadas
pelo Museu Rodin. A peça, com 3 metros de altura e 800 quilos de bronze,
será exibida no foyer do Museu de Arte Moderna até 19 de setembro
e depois segue para São Paulo, Curitiba e Salvador. A réplica que
vem ao Brasil fica exposta em frente à Galeria Sayegh, em Paris, especializada
em arte da segunda metade do século XIX. O Pensador é considerada
uma das esculturas mais belas e importantes de todos os tempos. Acusado de formalismo
por seu rigor anatômico, Rodin criou a imagem de um homem em torno dos 40
anos, com a musculatura retesada e os dedos dos pés contraídos.
Foi elaborada para fazer parte de um grande conjunto escultórico, a Porta
do Inferno, obra inspirada em A Divina Comédia, de Dante.
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