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PERFIL
Ele dá um baile no palco
O premiado figurinista e cenógrafo
Cláudio Tovar brilha também em cena
Débora Ghivelder
Fotos Dalton Valerio
e Divulgação
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| O polivalente Tovar: em O Baile
(à esq.), dançarino
do Dzi Croquettes (centro) e criador dos figurinos
de South American Way (à dir.)
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Um belo tipo
faceiro, com paletó vermelho, camisa estampada e chapéu-panamá,
híbrido de cafajeste e malandro. É assim que o ator
Cláudio Tovar rouba a cena na peça O Baile,
versão de um espetáculo francês que inspirou
o filme homônimo de Ettore Scola, em cartaz no Teatro Ginástico.
A montagem ressalta apenas uma das facetas artísticas de
Tovar, capixaba de 63 anos formado em arquitetura. A sala de seu
apartamento, no Recreio, onde mora com a mulher, a atriz Lucinha
Lins, cercado de livros e filmes, é uma galeria de troféus
por trabalhos que realizou como cenógrafo e figurinista.
São quatro prêmios Shell, um Mambembe, dois da Associação
dos Produtores de Espetáculos Teatrais de São Paulo
(Apetesp) e dois do governo do Rio de Janeiro. Na peça, ele
se destaca em um elenco homogêneo, com vinte integrantes.
"Credito isso a sua maturidade cênica e completo despudor",
diz o diretor da montagem, José Possi Neto. "Ele não
tem medo do ridículo."
Um dos bons momentos de Tovar
em O Baile é justamente ao entrar em cena com uma
sunga roxa que expõe sua barriga saliente. A silhueta é
resultado dos 13 quilos que ganhou desde outubro, quando parou de
fumar, no susto. Ele sentiu-se mal e baixou no cardiologista. Saiu
do hospital com três stents (próteses para desobstruir
artérias) no coração. Constrangimento em exibir
o novo visual? Nenhum. Aparecer em trajes menores não é
problema para quem começou nos palcos em 1972, no despudorado
grupo de bailarinos Dzi Croquettes. "Tenho know-how em strip-tease",
brinca. De lá até interpretar o encrespado delegado
na remontagem de Ópera do Malandro, em 2003, ele acumulou
elogios como ator, diretor, cenógrafo, figurinista e artista
plástico. "Seu sucesso se deve ao talento e à generosidade",
afirma por exemplo a colega Bibi Ferreira. Polivalente, Tovar é
capaz de vestir um rei de Shakespeare com tampinhas de refrigerante
ou bolar as coroas do musical Império com canudos
de plástico. "Ele tem gênio difícil, mas também
inteligência emocional", diz Miguel Falabella, criador de
Império. Literalmente, Tovar dá um baile no
palco.
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