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4 de julho de 2007

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Ele dá um baile no palco

O premiado figurinista e cenógrafo
Cláudio Tovar brilha também em cena

Débora Ghivelder

 
Fotos Dalton Valerio e Divulgação
O polivalente Tovar: em O Baile (à esq.), dançarino do Dzi Croquettes (centro) e criador dos figurinos de South American Way (à dir.)

Um belo tipo faceiro, com paletó vermelho, camisa estampada e chapéu-panamá, híbrido de cafajeste e malandro. É assim que o ator Cláudio Tovar rouba a cena na peça O Baile, versão de um espetáculo francês que inspirou o filme homônimo de Ettore Scola, em cartaz no Teatro Ginástico. A montagem ressalta apenas uma das facetas artísticas de Tovar, capixaba de 63 anos formado em arquitetura. A sala de seu apartamento, no Recreio, onde mora com a mulher, a atriz Lucinha Lins, cercado de livros e filmes, é uma galeria de troféus por trabalhos que realizou como cenógrafo e figurinista. São quatro prêmios Shell, um Mambembe, dois da Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais de São Paulo (Apetesp) e dois do governo do Rio de Janeiro. Na peça, ele se destaca em um elenco homogêneo, com vinte integrantes. "Credito isso a sua maturidade cênica e completo despudor", diz o diretor da montagem, José Possi Neto. "Ele não tem medo do ridículo."

Um dos bons momentos de Tovar em O Baile é justamente ao entrar em cena com uma sunga roxa que expõe sua barriga saliente. A silhueta é resultado dos 13 quilos que ganhou desde outubro, quando parou de fumar, no susto. Ele sentiu-se mal e baixou no cardiologista. Saiu do hospital com três stents (próteses para desobstruir artérias) no coração. Constrangimento em exibir o novo visual? Nenhum. Aparecer em trajes menores não é problema para quem começou nos palcos em 1972, no despudorado grupo de bailarinos Dzi Croquettes. "Tenho know-how em strip-tease", brinca. De lá até interpretar o encrespado delegado na remontagem de Ópera do Malandro, em 2003, ele acumulou elogios como ator, diretor, cenógrafo, figurinista e artista plástico. "Seu sucesso se deve ao talento e à generosidade", afirma por exemplo a colega Bibi Ferreira. Polivalente, Tovar é capaz de vestir um rei de Shakespeare com tampinhas de refrigerante ou bolar as coroas do musical Império com canudos de plástico. "Ele tem gênio difícil, mas também inteligência emocional", diz Miguel Falabella, criador de Império. Literalmente, Tovar dá um baile no palco.

         
     

 

 
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