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CONSUMO
O senhor dos vinhos
Fabrizio Fasano abre enoteca
sofisticada em São Conrado
Fernanda
Thedim
Selmy Yassuda
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| Fasano no Fashion Mall: inquieto, detalhista
e agora habitué da ponte aérea |
Como quem se prepara para uma grande estréia, o empresário
Fabrizio Fasano, patriarca da mais famosa grife da gastronomia brasileira,
acerta os últimos detalhes para a inauguração
da Enoteca Fasano à beira-mar. A filial carioca da sofisticada
loja paulista de vinhos abre na quinta (5) no Shopping Fashion Mall,
em São Conrado, com 3 500 garrafas no mostruário.
São 400 rótulos vindos de regiões produtoras
da Europa e da América do Sul, a preços entre 30 e
3 000 reais. Inquieto e detalhista, ele dá uma olhada ao
redor e não gosta do tom do couro das cadeiras. Manda trocar.
Pergunta quem encomendou o refrigerador. Liga para pedir mais uma
geladeira. Reclama quando tem de parar e posar para a foto ao lado.
"Não sei para que tanto retrato. Sempre escolhem o pior",
resmunga. A aparente rabugice não dura muito. "Mande uma
para os classificados e publique com o título 'Procura-se
uma namorada'", brinca o elegante senhor italiano de 71 anos, cabelo
prateado impecavelmente penteado, separado da mãe de seus
três filhos Fabrizio Junior, Rogério e Andrea
e atualmente solteiro, livre e solto.
Ao lado de Rogério, Fabrizio
Fasano comanda a corporação da família no eixo
RioSão Paulo. Diariamente, visita os restaurantes do
grupo. Suas refeições, incluindo o café-da-manhã,
são feitas fora do apartamento em que mora sozinho. "E de
vez em quando vou conferir o que a concorrência está
fazendo", conta o eclético gourmet, apreciador de ingredientes
e pratos tão díspares quanto trufa branca e dobradinha.
Sua perdição são as massas, evitadas por causa
da dieta que ele garante seguir à risca. "Sou capaz de engordar
1 quilo num dia", diz, enquanto pede ao maître Atagerdes Alves
para repetir o carpaccio, antepasto servido antes de uma seqüência
com seis novos pratos que experimentou no Gero carioca. Para acompanhar
o percurso, taças de prosecco e um chianti.
Mario Rodrigues
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| A Enoteca em São Paulo: a decoração
será reproduzida no Rio |
O milanês Fabrizio mergulhou no mundo da gastronomia em 1958.
Ao voltar ao Brasil depois de estudar administração
numa universidade americana, foi trabalhar com o pai, Ruggero, no
Jardim de Inverno Fasano, que funcionava na Avenida Paulista. Primeiro
ficou responsável pela confeitaria. Logo o pai o incumbiu
de gerenciar o andar de cima, onde jantares dançantes que
chegaram a ser animados por estrelas do porte de Nat King Cole,
Sammy Davis Jr. e Marlene Dietrich reuniam até 1 000 pessoas
a cada noite entre elas, personalidades como o presidente
americano Dwight Eisenhower e o ditador cubano Fidel Castro. Ao
filho, Ruggero deu um conselho: não ficar perto das mesas.
"Os homens têm ciúme de suas amantes", explicou. O
pai tinha um método para identificá-las: "Ele dizia
para eu observar os pedidos. Começavam com coquetel de camarão,
depois estrogonofe acompanhado de vinho Mateus Rosé, seguido
por crepe suzette e licor de menta. Ele estava certo. Nunca tive
problemas com os clientes nessa área".
Em 1973, com a morte do pai,
Fabrizio fechou o restaurante e investiu no mercado de bebidas.
Ganhou dinheiro lançando o uísque Old Eight, sucesso
instantâneo que ele mesmo vendia a restaurantes, bares e casas
noturnas de São Paulo. "Naquela época as pessoas jantavam
bebendo uísque", lembra. Alguns anos depois, decidiu fabricar
um vinho branco adocicado, do tipo alemão. Virou outra febre.
"Chegamos a vender 12 milhões de garrafas por ano", conta.
Fabrizio defende a teoria de que a vocação para restaurateur
passou de avô para neto. De fato, foi a insistência
do filho Rogério que o fez reabrir o Fasano em 1982, numa
versão menor, porém mais requintada, e mais tarde
o impecável restaurante da região paulistana dos Jardins
que atualmente funciona no hotel inaugurado pelo clã em 2003.
A volta ao ramo de bebidas aconteceu
em 1999, com a intenção de abastecer as adegas dos
restaurantes do grupo e diminuir o custo dos vinhos servidos. Atualmente
o negócio movimenta 1 milhão de reais por mês.
O projeto carioca marca o início da expansão da Enoteca
Fasano outras serão abertas em Ribeirão Preto
e Brasília em sistema de franquia. Montada nos moldes da
matriz paulistana, a versão carioca também promoverá
cursos e palestras com nomes badalados da área, como os sommeliers
do grupo Manoel Beato e Gianni Tartari. Com a chegada ao Rio da
menina-dos-olhos de Fabrizio, a ponte aérea ganha um habitué.
E os apreciadores de tintos, brancos e espumantes terão uma
nova opção na cidade para bebê-los.
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Dicas de um apreciador
O patriarca do clã Fasano
indica seis vinhos que ele mesmo importa e bebe
| Fotos Divulgação |
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Dorna
Velha Tinta
Roriz 2003. Portugal.
De uva tinta roriz,
tem cor vermelho-rubi, aroma
de frutas silvestres, sabor
complexo e equilibrado. R$ 55,00 |
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Joffré
e Hijas Gran Malbec 2004. Argentina.
Untuoso, com bom equilíbrio de taninos e um longo
final na boca, permanece por dez meses em barris de carvalho
francês. R$ 59,00 |
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| Merlot
Family Vintage Gran Reserve 2005. Chile.
Cor escura, aroma de pimenta preta e cravo, tem taninos
aveludados no final. R$ 75,00 |
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Clos
D'Hortense St Emilion Grand Cru 2002. França.
Com aroma de groselha e
framboesa, harmoniza-se com um menu refinado ou de carnes
grelhadas. R$ 139,00 |
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| Chianti
Classico DOCG L'Aura 2004. Itália.
De uvas sangiovese e merlot, tem aroma de frutas silvestres,
com paladar macio e elegante. R$
155,00 |
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Savigny
Les Baune Clos des Guettotes 2004. França. Leve,
com aroma de frutas vermelhas
e um toque de terra
molhada.
R$ 218,00 |
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