Publicidade
 
 


 
 



4 de julho de 2007

COMPORTAMENTO

PERFIL
MEIO AMBIENTE
MEU ESTILO
CONSUMO
AS BOAS COMPRAS
BEIRA-MAR
A OPINIÃO DO LEITOR
CRÔNICA
   

CONSUMO

O senhor dos vinhos

Fabrizio Fasano abre enoteca
sofisticada em São Conrado

Fernanda Thedim


Selmy Yassuda
Fasano no Fashion Mall: inquieto, detalhista e agora habitué da ponte aérea


Como quem se prepara para uma grande estréia, o empresário Fabrizio Fasano, patriarca da mais famosa grife da gastronomia brasileira, acerta os últimos detalhes para a inauguração da Enoteca Fasano à beira-mar. A filial carioca da sofisticada loja paulista de vinhos abre na quinta (5) no Shopping Fashion Mall, em São Conrado, com 3 500 garrafas no mostruário. São 400 rótulos vindos de regiões produtoras da Europa e da América do Sul, a preços entre 30 e 3 000 reais. Inquieto e detalhista, ele dá uma olhada ao redor e não gosta do tom do couro das cadeiras. Manda trocar. Pergunta quem encomendou o refrigerador. Liga para pedir mais uma geladeira. Reclama quando tem de parar e posar para a foto ao lado. "Não sei para que tanto retrato. Sempre escolhem o pior", resmunga. A aparente rabugice não dura muito. "Mande uma para os classificados e publique com o título 'Procura-se uma namorada'", brinca o elegante senhor italiano de 71 anos, cabelo prateado impecavelmente penteado, separado da mãe de seus três filhos – Fabrizio Junior, Rogério e Andrea – e atualmente solteiro, livre e solto.

Ao lado de Rogério, Fabrizio Fasano comanda a corporação da família no eixo Rio–São Paulo. Diariamente, visita os restaurantes do grupo. Suas refeições, incluindo o café-da-manhã, são feitas fora do apartamento em que mora sozinho. "E de vez em quando vou conferir o que a concorrência está fazendo", conta o eclético gourmet, apreciador de ingredientes e pratos tão díspares quanto trufa branca e dobradinha. Sua perdição são as massas, evitadas por causa da dieta que ele garante seguir à risca. "Sou capaz de engordar 1 quilo num dia", diz, enquanto pede ao maître Atagerdes Alves para repetir o carpaccio, antepasto servido antes de uma seqüência com seis novos pratos que experimentou no Gero carioca. Para acompanhar o percurso, taças de prosecco e um chianti.

Mario Rodrigues
A Enoteca em São Paulo: a decoração será reproduzida no Rio


O milanês Fabrizio mergulhou no mundo da gastronomia em 1958. Ao voltar ao Brasil depois de estudar administração numa universidade americana, foi trabalhar com o pai, Ruggero, no Jardim de Inverno Fasano, que funcionava na Avenida Paulista. Primeiro ficou responsável pela confeitaria. Logo o pai o incumbiu de gerenciar o andar de cima, onde jantares dançantes que chegaram a ser animados por estrelas do porte de Nat King Cole, Sammy Davis Jr. e Marlene Dietrich reuniam até 1 000 pessoas a cada noite – entre elas, personalidades como o presidente americano Dwight Eisenhower e o ditador cubano Fidel Castro. Ao filho, Ruggero deu um conselho: não ficar perto das mesas. "Os homens têm ciúme de suas amantes", explicou. O pai tinha um método para identificá-las: "Ele dizia para eu observar os pedidos. Começavam com coquetel de camarão, depois estrogonofe acompanhado de vinho Mateus Rosé, seguido por crepe suzette e licor de menta. Ele estava certo. Nunca tive problemas com os clientes nessa área".

Em 1973, com a morte do pai, Fabrizio fechou o restaurante e investiu no mercado de bebidas. Ganhou dinheiro lançando o uísque Old Eight, sucesso instantâneo que ele mesmo vendia a restaurantes, bares e casas noturnas de São Paulo. "Naquela época as pessoas jantavam bebendo uísque", lembra. Alguns anos depois, decidiu fabricar um vinho branco adocicado, do tipo alemão. Virou outra febre. "Chegamos a vender 12 milhões de garrafas por ano", conta. Fabrizio defende a teoria de que a vocação para restaurateur passou de avô para neto. De fato, foi a insistência do filho Rogério que o fez reabrir o Fasano em 1982, numa versão menor, porém mais requintada, e mais tarde o impecável restaurante da região paulistana dos Jardins que atualmente funciona no hotel inaugurado pelo clã em 2003.

A volta ao ramo de bebidas aconteceu em 1999, com a intenção de abastecer as adegas dos restaurantes do grupo e diminuir o custo dos vinhos servidos. Atualmente o negócio movimenta 1 milhão de reais por mês. O projeto carioca marca o início da expansão da Enoteca Fasano – outras serão abertas em Ribeirão Preto e Brasília em sistema de franquia. Montada nos moldes da matriz paulistana, a versão carioca também promoverá cursos e palestras com nomes badalados da área, como os sommeliers do grupo Manoel Beato e Gianni Tartari. Com a chegada ao Rio da menina-dos-olhos de Fabrizio, a ponte aérea ganha um habitué. E os apreciadores de tintos, brancos e espumantes terão uma nova opção na cidade para bebê-los.

 

Dicas de um apreciador

O patriarca do clã Fasano indica seis vinhos que ele mesmo importa e bebe

 
Fotos Divulgação    
 
Dorna Velha Tinta Roriz 2003. Portugal. De uva tinta roriz,
tem cor vermelho-rubi, aroma
de frutas silvestres, sabor
complexo e equilibrado. R$ 55,00
  Joffré e Hijas Gran Malbec 2004. Argentina. Untuoso, com bom equilíbrio de taninos e um longo final na boca, permanece por dez meses em barris de carvalho francês. R$ 59,00
     
 
Merlot Family Vintage Gran Reserve 2005. Chile. Cor escura, aroma de pimenta preta e cravo, tem taninos aveludados no final. R$ 75,00   Clos D'Hortense St Emilion Grand Cru 2002. França. Com aroma de groselha e framboesa, harmoniza-se com um menu refinado ou de carnes grelhadas. R$ 139,00
     
 
Chianti Classico DOCG L'Aura 2004. Itália. De uvas sangiovese e merlot, tem aroma de frutas silvestres, com paladar macio e elegante. R$ 155,00   Savigny Les Baune Clos des Guettotes 2004. França. Leve, com aroma de frutas vermelhas
e
um toque de terra molhada.
R$ 218,00

 

         
     

 

 
VEJA on-line | Veja Rio
copyright © Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados