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3 de dezembro de 2003
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Turismo-mochila

Rio ganha novos e charmosos albergues

Fernanda Thedim e Isabel Butcher


Fotos Cláudia Martins/Strana

Chave do Rio: filial da rede de 4 500 albergues



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Endereços dos estabelecimentos

Ambiente aconchegante, gente descontraída e jovens de diversas partes do mundo reunidos em uma mesma casa. Os albergues têm também outros atrativos. O principal deles, claro, é o preço das diárias, que varia de 30 a 50 reais. Outro é a característica gregária e a possibilidade de intercâmbio cultural, pois boa parte da clientela é de europeus, americanos e australianos, entre 18 e 35 anos. Eles viajam durante meses, sozinhos ou na companhia de um amigo, com a marca distintiva da mochila às costas. Só pouco tempo atrás o Rio descobriu o potencial desse tipo de turista. Em 2001 havia apenas três albergues na cidade. Hoje, já são dezessete, e até o fim do ano outras quatro casas vão abrir as portas. Eles recebem gente de fora, interessada não só em visitar o Pão de Açúcar ou o Corcovado, mas também em fazer programas típicos do carioca da gema. Daí, o bate-papo nas salas e quartos coletivos dos albergues ser boa fonte de informação. "Sempre sugiro o Baixo Gávea no dia mais cheio. Eles adoram", conta Bruna Levinson, proprietária do Carioca Easy Hostel, na Urca. O Maracanã, em dia de clássico, é outro programa concorrido, bem como shows de samba de locais como o Carioca da Gema, o Rio Scenarium, no Centro, e os bares da Lapa.

 
Sala de TV coletiva e café-da-manhã incluído na diária: albergues atraem jovens turistas

Foi-se o tempo em que esse tipo de hospedaria era sinônimo de lugar barato mas desprovido de charme. Um bom exemplo é o Rio Hostel, em Santa Teresa. A proprietária, Ana Carina Jallad, caprichou e transformou o casarão de quatro andares em uma acolhedora hospedaria, que abriga até 25 pessoas, em quatro quartos: um misto, um só para homens, outro para mulheres e um para casal. Todos com ventilador de teto, colchões confortáveis e beliches espaçosos. Para completar, a decoração é simples e simpática, com sofás cobertos por panos, um pequeno bondinho de ferro pendurado na parede, sala de TV e de som. Há ainda um compartimento com redes e até uma piscina. Assim como o Rio Hostel, o Carioca Easy tem a localização como um dos atrativos. "A Urca é segura e as pessoas ficam próximas de tudo", afirma Bruna. "Quando o tempo está nublado, a turma fica batendo papo e tomando café. Ninguém sai", conta a proprietária. Para se ter uma idéia da popularidade do Carioca, o site www.hostels.com – um dos mais procurados pelos mochileiros de todo o mundo – tem a maior cotação dos albergues da cidade, com 90% de aprovação.

Botafogo é o bairro com a maior concentração de albergues. Lá está a única filial do Hostelling Internacional, rede com 4.500 albergues em setenta países. O Chave do Rio, inaugurado há treze anos, segue as exigências da rede: máximo de quatro camas por quarto, cozinha para os turistas, armários com cadeados e, no mínimo, um banheiro para cada cinco leitos. A casa da Rua General Dionísio tem três andares e setenta leitos. A média das diárias é de 30 reais, com direito a café-da-manhã. Além de estrangeiros, atrai também brasileiros em busca de uma diária mais econômica. A paulista Bárbara Tomazine veio ao Rio fazer uma prova. "Nunca tinha ficado em um albergue, mas achei muito bem organizado", afirmou ela, hóspede do Chave do Rio. A paulista Silvia Augusto hospedou-se no mesmo local. "A localização, o preço e a estrutura são ótimos", diz ela. "Mesmo não falando inglês perfeitamente, adoro conversar com os outros hóspedes", acrescenta a turista. Perto dali, na Rua Bambina, será inaugurado um dos quatro novos albergues da cidade. O Botafogo Easy Hostel, com capacidade para 48 pessoas, terá piscina, churrasqueira, sala de TV, internet e biblioteca. "Queremos criar um clima descontraído, informal, para que o gringo se sinta em casa", explica o sócio José Augusto Abreu, que planeja passeios com os mochileiros para praias distantes da cidade. Nem só de Corcovado e cinco-estrelas vive o turismo carioca.

 

Perfil dos hóspedes

Mochileiros que costumam juntar dinheiro para viajar por longos períodos.
No Rio, a maioria são turistas australianos, americanos e ingleses.
Pessoas entre 18 e 35 anos.
Quem quer conhecer gente de variados cantos do mundo.
Quem quer economizar na diária.
Quem quer ser mais que um visitante, mas viver com um morador da cidade.

 

         
     
 
 
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