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3 de maio de 2006

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Editado por Lívia de Almeida

Uma cidade que trabalha pelo bem

Nos últimos anos, o Rio testemunhou o aparecimento de organizações não-governamentais que desenvolvem programas sérios de inclusão social. Aqui estão algumas delas.

 

Nós do Morro

 
Márcio Cabral/Divulgação

Em 1986, o ator e diretor Guti Fraga iniciou, com oficinas para atores e técnicos, o projeto de montar um grupo de teatro na favela do Vidigal. A partir de 1995, foi instalada também uma oficina de formação audiovisual. A qualidade artística da trupe já foi reconhecida por prêmios e, em outubro deste ano, dez atores do Vidigal encenam Dois Mercadores de Verona em um festival de teatro em Stratford-on-Avon, terra de Shakespeare.

Fundação: 1986

Cidades beneficiadas: Rio de Janeiro, Nova Iguaçu e Saquarema

Número de pessoas atendidas atualmente: 1 642

Estimativa de pessoas que já passaram pelos cursos: 3 000


AfroReggae

 
Herê Ferreira /Divulgação

O AfroReggae chegou à favela de Vigário Geral um mês após a chacina de 21 moradores. Sua proposta era usar a cultura como instrumento de inclusão social. Hoje o AfroReggae está presente em outras comunidades, oferecendo uma ampla variedade de atividades. Em Parada de Lucas, por exemplo, há oficinas de violino. No Cantagalo, aulas de circo. E a banda AfroReggae, de músicos profissionais, faz sucesso e abriu o show dos Rolling Stones na praia de Copacabana.

Fundação: 1993
Quatro unidades (Vigário Geral, Parada de Lucas, Cantagalo, Complexo do Alemão)
Doze subgrupos (entre eles, a banda AfroReggae e a Trupe do Afro-Circo)
Estimativa de pessoas que atende: 2.000


Renascer

 
Divulgação

Em 1991, a médica Vera Cordeiro trabalhava no Hospital da Lagoa, presenciando o vaivém dos jovens pacientes da pediatria, que recebiam alta, mas não tinham condições de dar prosseguimento ao tratamento em casa. O Renascer surgiu com o propósito de atuar junto às famílias, com um suporte de saúde, profissionalização e educação. Hoje existe a rede Saúde-Criança, que reúne o Renascer e outras células que surgiram em quinze hospitais do Brasil.

Três unidades (Hospital da Lagoa, Parque Lage e oficinas)
Uma sala de recreação no Hospital da Lagoa
Estimativa de pessoas que atende: 250 famílias, incluindo 800 crianças e adolescentes


Centro para a Democratização da Informática

 
Bruno Veiga/Strana

Rodrigo Baggio tinha apenas 25 anos e dava aulas de informática quando percebeu a necessidade de estender o uso das novas tecnologias às comunidades de baixa renda, como forma de inclusão social. O primeiro núcleo surgiu no Morro Santa Marta. Hoje, existem unidades no Brasil e no exterior, em países como Argentina, Uruguai, África do Sul, Estados Unidos e Japão. O trabalho obstinado de Baggio recebeu o apoio de pesos-pesados internacionais como a Skoll Foundation e a Microsoft.

Fundação: 1995
792 escolas

5 851 computadores instalados
Estimativa de pessoas que atende: 70 000 capacitações/ano

 

Frases

"Viver no Rio me fez conhecer a diferença entre asfalto e favela. Talvez se morasse em outra cidade nunca tivesse sonhado com um projeto para democratizar a informática e levá-la às comunidades mais carentes."

Rodrigo Baggio, em março de 2001

"Fiquei tão nervosa quando vi as críticas no jornal me elogiando que caí de cama."
Mary Sheila Costa, atriz do Nós do Morro, ao ver a repercussão de sua atuação em Orfeu, de Cacá Diegues, em 1999

     
   

 

 
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