Um ídolo radical

O melhor skatista do mundo vira
grife e fatura 1,4 milhão de reais

Sérgio Garcia

Fotos Mauricio Mal
O carioca Bob, campeão de skate vertical: brincadeira que virou profissão


Há acasos responsáveis por guinadas radicais na vida de alguém. Nesse caso, radical mesmo. Aos 10 anos, Bob Burnquist ainda era tão-somente Robert Dean da Silva Burnquist, nome híbrido de um carioca de classe média que morava em São Paulo, filho de um economista agrícola e de uma dona-de-casa. Uma história banal, daquelas que com o tempo costumam sair do escaninho da memória, ele guarda até hoje. Certa vez, um vizinho pegou uma bola de futebol de salão emprestada. Passou uma tarde, um dia, uma semana, e nada de devolução. Disposto a reaver a bola, Bob foi à casa do amigo e descobriu que ele a perdera. Não podia ficar no prejuízo. Aceitou a proposta do vizinho de ser ressarcido com outro brinquedo. Escolheu algo que ainda não tinha: uma pequena prancha de fibra de vidro com dois eixos de roda embaixo. Esse é o começo da história de Bob Burnquist, considerado o maior skatista do mundo, uma grife que faturou, só no ano passado, 1,4 milhão de reais. "Hoje sou uma empresa. Sei que meu nome virou um produto", constata ele, sem soberba. No fim de semana passado, Bob veio ao Rio para se exibir nas eliminatórias sul-americanas dos X-Games, a olimpíada dos esportes radicais com ciclistas, skatistas e patinadores, cuja etapa final será na Filadélfia,