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Desacertando
os ponteiros
Proliferam
as festas em horários
alternativos
Gustavo
Autran
Fotos Dilmar Cavalher/Strana
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| 2h:
Verena (de pé) e seus amigos se reúnem
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O dia 23 de março foi longo para a produtora Verena
Isaack, 25 anos. Começou às 10 horas, quando
saiu de casa, no Leblon, para bater perna na Praia de Copacabana.
Lá pelas 13 horas, ela correu para o Parque Lage, onde
faz um curso de desenho. No fim da tarde lá estava
Verena dando uma geral na casa. Às 18 horas, resolveu
tirar uma soneca afinal, ninguém é de
ferro. Algumas horas depois, a produtora estava novinha em
folha: metida num top e saia jeans, discretamente maquiada,
ela recebeu amigos para um bate-papo regado a cerveja e música
eletrônica. Até aí, nada fora do script.
Mas era só o começo. Às 3 horas, a turma
levantou acampamento e seguiu em comboio rumo à boate
Bunker 94, em Copacabana. Lá, o DJ alemão Sven
Väth sapecou grossa pancadaria tecno na pista, a partir
das 4 horas. A maratona se arrastou até o meio-dia
de domingo. "Adorei o som. Só saí da festa às
11 horas", conta Verena.
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| 4h:
Duas horas depois, estão na fila da Bunker |
Festas
com horários estranhos funcionam como teste de resistência
para quem se liga em música eletrônica. Na cidade
proliferam raves que atravessam fins de semana e os after
hours, agitos que costumam começar por volta das 5
da madrugada hora de criança estar na cama.
O horário inusitado obriga os notívagos a ajustar
seu relógio biológico para não ficar
de fora das baladas. "A gente acaba trocando o dia pela noite.
Quando chego em casa, não sou ninguém. Hiberno
até as 5 da tarde do dia seguinte", conta a paulista
Estela Padilha, ex-participante do programa Big Brother
Brasil, que ferveu na pista da Bunker. Outra freqüentadora
assídua dos badalos em horários pouco convencionais
é a princesa Paola de Orleans e Bragança Sapieha,
de 18 anos. Ela chegou à Bunker às 4 da matina
do dia 24 de março. Dançou até as 7 horas.
"Tem de gostar realmente de música eletrônica
para enfrentar a maratona", diz.
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| 5h:
Verena ferve na pista pilotada pelo DJ Sven Väth
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O primeiro
after hours carioca aconteceu no dia 13 de janeiro de 1996,
na finada Bang!, em Botafogo. Hoje esses agitos fazem parte
da rotina da comunidade clubber. As madrugadas de domingo
do Cine Ideal, no Centro, são embaladas pelo fino house
de Gustavo Tatá a partir das 5 da madrugada. A imensa
cúpula que fica sobre a pista é coberta, para
evitar que a claridade do amanhecer neutralize a luz da pista.
Lá dentro, a noite continua. Na Spin, em Ipanema, os
DJs Marcelo Schild, André Lima e Saduh organizam o
Disco Inferno a partir das 5 horas de domingo. Até
a boate People Lounge, no Leblon, entrou na onda e faz sua
festa after hours no dia 14 de abril, com o DJ Jairo Venâncio.
Há
também agitos que rolam em plena luz do dia. O promoter
Fábio Monteiro reuniu 800 pessoas no Clube Radar, em
Copacabana, em uma festa que misturou house com banhos de
piscina. A farra aconteceu em plena segunda-feira de Carnaval,
à tarde. O sítio Bem-te-vi abrigou, em março,
a Psy-Tribo. O som no estilo trance começou a rolar
às 10 da manhã e reverberou por 26 horas. A
Praia de Ipanema também virou cenário para raves
vespertinas a céu aberto, em frente às ruas
Teixeira de Mello e Joana Angélica. Pelo visto, festa
boa não tem hora para acabar nem para começar.
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